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Lembrai-vos de 35!

Gen. Bda. R1- Ferdinando de Carvalho

 

O comunismo não é a fraternidade; é a invasão do ódio entre as classes. Não é a reconciliação dos homens; é a sua exterminação mútua. Não arvora a bandeira do evangelho, bane Deus das almas e das reivindicações populares. Não dá trégua à ordem. Não conhece a liberdade cristã. Dissolveria a sociedade. Extinguiria a religião. Desumanaria a humanidade. Everteria, subverteria, inverteria a obra do Criador.

Rui Barbosa

 

A Novembrada de 1935

A irrupção traiçoeira e sangrenta da revolta armada que abalou Natal, Recife e o Rio de Janeiro, nos últimos dias de novembro de 1935, foi o infame desfecho da tresloucada tentativa de conquista do poder por um grupo de audaciosos comunistas, coadjuvado por ignorantes e oportunistas. A virulência das idéias e dos propósitos marxistas-leninistas que os animava era incentivada pela ineficácia da ação preventiva governamental, inspirada, naquela época, por uma intenção mal compreendida de apaziguamento e tolerância. Ainda fumegavam as cinzas da luta de 1932, em São Paulo, e o próprio governo que a Revolução de 1930 empossara não se sentia suficientemente forte para desafiar francamente as correntes de oposição. A política de conciliação admitia como permissíveis, na ordem democrática que implantara, as atividades inflamadas de grupos radicais, entre os quais se destacavam os comunistas empenhados em tenebrosa conspiração.

A direção suprema do Movimento Comunista Internacional, de seus gabinetes em Moscou, entusiasmada com as informações que lhe transmitiam próceres bolchevitas brasileiros, conceituava a situação em nosso País como altamente favorável a uma revolução armada e à implantação conseqüente de um regime comunista, de grande influência no domínio político de toda a América Latina.

O golpe deveria ser desfechado com a máxima surpresa e violência, em todo o território nacional. Do Comintern moscovita partiam as ordens e um substancial apoio financeiro. Os líderes que comandariam as ações deveriam ser competentes e ideologicamente preparados. Sua fidelidade à Internacional Comunista não deveria suscitar dúvidas.

As conseqüências de toda essa trama terrível foi a Novembrada de 1935. Conquanto falhassem as previsões de um movimento generalizado, o País viveu, naqueles dias, a inquietação, o terror e as aflições da luta fratricida. Centenas de vidas foram sacrificadas. E o que restou? Algo de construtivo, de louvável, de glorioso? Não. Apenas as indeléveis cicatrizes da vergonha e o eco doloroso das lamentações.

 O Núcleo da Subversão

O Partido Comunista do Brasil, hoje Partido Comunista Brasileiro, filiado ao Comintern, foi o centro de irradiação de toda a doutrinação e agitação bolchevista que culminou com a rebelião armada de 1935. Fundada em 1922, essa agremiação ilegal herdara os resíduos das manifestações anarquistas e socialistas que se alastraram no País desde a criação da Confederação Operária (COB) em 1908. Essas atividades intensificaram-se com a vitória dos comunistas na União Soviética e, principalmente, depois que o Comitê Militar Revolucionário Russo derrubou o governo de Kerensky em 1917.

Quando ecoaram no Brasil os sucessos extremistas na Rússia, destacando-se o assalto ao poder pelos agitadores comunistas e o assassinato dos remanescentes da família imperial, incrementou-se a propaganda vermelha, induzindo numerosos esquerdistas a ingressarem nas fileiras do PCB. A agitação grevista recrudesceu e tumultuosos conflitos se sucederam nas principais cidades brasileiras. Embora não reconhecido legalmente, o Partido desenvolvia ostensivas atividades, aliciando adeptos, provocando desordens, realizando comícios e reuniões, patrocinando greves, infiltrando-se em organizações operárias como a Confederação Geral dos Trabalhadores e a Federação Sindical.

Em 1927, sucedendo-se ao quatriênio repressivo do governo Artur Bernardes, o presidente Washington Luís decidiu empreender um afrouxamento político das medidas excepcionais decretadas por seu antecessor, em razão dos surtos revolucionários que irromperam no Brasil em 1922 e 1924. Com a suspensão do estado de sítio, porém, o movimento comunista ganhou nova impulsão. Ressurgiu a imprensa extremista, destacando-se o vespertino “A Nação” de Leônidas de Rezende. O recrudescimento da ação bolchevista chegou a tal ponto que o Congresso foi compelido a votar a chamada “Lei Celerada”, decretando oficialmente a ilegalidade do PCB.

Os líderes do Partido, como sempre inconformados, resolveram prosseguir suas atividades na “dura clandestinidade” e utilizar também uma organização de “fachada”: o Bloco Operário e camponês (BOC).

Alguns dirigentes do PCB alvitraram então atrair para seus quadros antigos revolucionários e descontentes, entre os quais se encontravam os elementos da Coluna Prestes, nessa época exilados na Bolívia.

Em dezembro de 1927, Luiz Carlos Prestes, o célebre comandante da Coluna, veio a Puerto Suarez, ao encontro de Astrogildo Pereira que representava o PCB. Prestes, acompanhado por dois oficiais exilados, conversou longamente com Astrogildo. Ao remate dessa entrevista, o dirigente comunista entregou-lhe várias obras sobre a doutrina marxista-leninista e recomendou-lhe que as estudasse, visando particularmente a aplicá-la no problema brasileiro.

As demonstrações de simpatia em relação ao marxismo-leninismo exteriorizadas por Prestes, em seu contato com o PCB, logo surtiram efeito. Desencadeou-se, na imprensa brasileira, uma campanha de endeusamento da figura de Luiz Carlos Prestes. Seu aniversário foi comemorado com referências especiais. A marcha em retirada que a Coluna Prestes empreendeu durante sua revolta foi descrita como um feito ímpar, uma jornada gloriosa, digna de figurara entre as grandes tradições militares do universo.

Na realidade, o movimento comunista no Brasil debatia-se, antes da ascensão de Prestes, em uma crise, resultante da disputa pela liderança. Vários dirigentes procuravam impor-se, carecendo, entretanto, do apoio imprescindível de Moscou. O Comintern demorava em decidir-se, porque ainda não encontrara entre os disputantes aqueles atributos de personalidade capazes de afirmar e unificar o movimento.

Em Julho de 1929, Astrogildo Pereira esteve em Moscou, depondo perante o Comitê Executivo do Comintern. No afã de ressaltar o trabalho dos comunistas no Brasil, descreveu a situação nacional com aspectos tão degradantes que os dirigentes moscovitas julgaram a crise política altamente favorável a uma expansão do comunismo. Astrogildo discorreu sobre a Coluna Prestes, envolvendo-lhe a façanha com as cores mais heróicas. Entusiasmou-se o Comintern com a possibilidade de aquele pequeno grupo de exilados brasileiros partir para um movimento insurrecional abrangendo toda a América Latina. Elementos do Comintern vieram entender-se com Prestes e um emissário da Coluna, Josias Carneiro Leão, seguiu para Moscou a fim de obter recursos financeiros.

A maioria dos exilados repudiava, entretanto, um acordo com os comunistas. Vários líderes da Coluna foram convidados a viajar para a União Soviética e recusaram. Luiz Carlos Prestes era talvez o único que aceitava de bom grado as insinuações e conversações comunistas.

A Conversão Marxista-Leninista de Luiz Carlos Prestes

Avizinhava-se a turbulenta fase eleitoral no Brasil. Em 1929, a disputa acirrada entre os inúmeros candidatos á Presidência da República prenunciava a eclosão de um conflito muito sério entre as forças políticas situacionistas, acusadas de corrupção e parcialismo, e as hostes liberais, que já haviam animado vários movimentos revolucionários. Reivindicavam os liberais uma total remodelação do quadro político nacional, com a erradicação do sistema viciado pelo coronelismo e pela sistemática fraude eleitoral. Vários elementos comunistas pretendiam associar-se a essa corrente, a fim de aproveitar-se de seu conteúdo revolucionário, mas essa atitude, tachada de “reboquista” era combatida dentro do próprio partido.

A personalidade de Prestes, aureolada pela legenda dos feitos da “Coluna”, recebia de seus admiradores o epíteto de “Cavaleiro da Esperança” e surgia-lhes como uma das mais promissoras lideranças nas correntes liberais. As tendências radicais, que começava a manifestar, foram, entretanto, desiludindo muitos de seus simpatizantes e acarretaram-lhe o progressivo afastamento de seus próprios companheiros. A maioria dos antigos membros da Coluna passaram a conspirar com os liberais da oposição não-comunista.

Em 1930, Prestes fundou a Liga da Ação Revolucionária (LAR), com a qual pretendia patrocinar uma “revolução agrária e antiimperialista”. As adesões foram-lhe, todavia, insignificantes e a Liga não passou praticamente de uma concepção platônica.

Veio a Revolução de 1930 e Getúlio Vargas ascendeu ao poder, convocando para postos de confiança os antigos revolucionários. Prestes, entretanto, recusou o oferecimento e resolveu romper definitivamente com o movimento liberal, para ingressar nas fileiras comunistas. Desprezou a anistia que decretara o novo governo e, em vários pronunciamentos públicos, reafirmou a sua profissão de fé marxista-leninista. Em março de 1931, em carta aberta, declarava-se arrependido de suas hesitações anteriores e se dizia francamente adepto do “internacionalismo proletário”, atacando asperamente seus antigos correligionários que haviam repudiado o alinhamento nas hostes bolchevistas.

A história do comunismo está cheia de contradições e surpresas. A adesão de Prestes e a sua ascensão nos quadros do Partido experimentaram muitas resistências, principalmente por parte daqueles que disputavam os postos mais altos da hierarquia partidária. Houve quem declarasse que o crescimento da influência de Prestes era um fator divisionista. Leôncio Basbaum foi um dos seus mais ferrenhos opositores.

O problema suscitou debates no Comintern que se inclinava por Prestes, mas reconhecia não estar ele preparado política e ideologicamente para assumir as funções de mais elevada direção. O Partido Comunista da União Soviética enviou dois representantes: Ines Guralsky, esposa de Agusto Guralsky, e o ex-deputado alemão Ernest Ewert para restabelecer a disciplina partidária no PCB e para “convidar” Prestes a um estágio de educação política em Moscou.

Prestes vacilava entre seus impulsos de antigo líder revolucionário e o enquadramento dentro das normas rígidas da disciplina comunista. Em outubro de 1931, sargentos e cabos comunistas em Recife convocaram Prestes para chefiar uma revolta que pretendiam desencadear. Prestes teve que recusar. Não estava autorizado por Moscou. A rebelião eclodiu no dia 29 de outubro, mas não contou com o apoio do PCB. O levante foi derrotado pelas tropas legalistas, deixando um saldo de mais de uma centena de baixas, entre mortos e feridos.

A rebelião de Recife e inúmeras outras manifestações da ação comunista no Brasil despertaram algumas providências governamentais que já denotavam a preocupação das autoridades com o crescente perigo vermelho. Era, porém, uma reação tímida, quase inconseqüente. O PCB, apoiado pelo Comintern, prosseguia obstinadamente em suas ações, disseminando uma propaganda nociva e persistente, insinuando-se em todos os setores e agitando o operariado. Enquanto isso, Prestes se preparava na União Soviética, conscientizando-se firmemente da missão que lhe destinara o Movimento Comunista Internacional: chefiar uma revolução armada e implantar uma ordem comunista no Brasil.

A Aliança Nacional Libertadora

Não eram suficientes, para os fins colimados, as organizações auxiliares semilegais de que dispunham os comunistas, como a Frente Única Sindical, a Frente Única Popular e os sindicatos profissionais infiltrados e dominados. Essas entidades de fachada eram extremamente úteis para o chamado “trabalho de agitação e propaganda”. Mas, para construir o ambiente de tensão e crise, propício a uma insurreição armada, era necessária uma organização mais potente e atuante.

  “Não existe revolução espontânea”,

dizia Lenin.

“É preciso que se construa uma situação em que os fatores da crise estejam tão aguçados que a insurreição se desencadeie pelo motivo mais fútil”.

Os comunistas elaboraram uma concepção maquiavélica: a “teoria da transformação das revoluções”. Segundo este conceito, as massas são conduzidas à rebelião por ideais liberais e democráticos. Depois, através de uma radicalização das ações ou desmoralização da própria revolução, as massas passam a apoiar os extremistas vermelhos. Uma operação dessa natureza tencionavam aplicar em nosso País.

Com esses objetivos, surgiu em março de 1934, a Aliança Nacional Libertadora, fundada com o ostensivo apoio do PCB. Com um programa figuradamente liberal, tinha em vista amalgamar toda a organização subversiva e esquerdista, levantando reclamos radicais, excitando as massas a uma demagogia impressiva. Foi lançada através de um Manifesto á Nação, assinado por vários militares e civis, entre os quais se contavam Hercolino Cascardo, Carlos Amorety Osório, Roberto Sisson, Benjamim Soares Cabello, Francisco Mangabeira e Manoel Venâncio Campos da Paz.

As cinco reivindicações principais que a ALN lançava em seu documento de fundação eram simplesmente as seguintes: cancelamento de toda a dívida externa do Brasil com os “países imperialistas”; nacionalização de todas as empresas estrangeiras; concessão total dos denominados “direitos individuais”; implantação de um “governo popular”, e cessão das terras consideradas latifúndios aos camponeses.

Esse roteiro extremado, conquanto inquietasse os setores conservadores do País, causou excelente impressão nos órgãos de direção do Movimento Comunista Internacional.

Em sessão solene no Teatro João Caetano, Luiz Carlos Prestes foi aclamado Presidente de Honra da Aliança Nacional Libertadora. “Tomamos o único caminho que nos poderá levar ao poder soviético e ao socialismo”, disse ele.

Empunhando os estandartes da ALN, os comunistas estenderam as suas ações por todo o território nacional. O lema de propaganda era: “Todo o poder com a Aliança Nacional Libertadora, com Luiz Carlos Prestes à frente”. Parodiavam os dísticos da revolução comunista russa.

No mundo bolchevista, a ANL surgia como uma estrela de primeira grandeza. Era a vanguarda do Movimento Comunista Internacional na América Latina. Concretizava um dos objetivos do Comintern que assim se expressou:

   “A missão dos comunistas no Brasil é expandir a ANL, a fim de gerar um levante nacional, baseado no programa popular revolucionário contra os bandidos imperialistas e contra o governo de dominação reacionária encabeçado por Getúlio Vargas”.

Incentivado pela intensificação da atividade comunista no continente sul-americano, o Comintern criou um Secretariado Latino-Americano, situado em Montevidéu, para o apoio aproximado das organizações filiadas na América Latina.

Dimitrov declarou no VII Congresso da Terceira Internacional em Moscou:

“No Brasil, o Partido Comunista deu uma boa base ao desenvolvimento de uma frente contra o imperialismo ao criar uma Aliança de emancipação nacional. Deve empenhar-se com todas as suas forças para impulsionar essa frente, conquistando para a mesma, sobretudo, os milhões de camponeses e orientando o movimento no sentido da formação de destacamentos de um Exército Popular Revolucionário extremamente devotado, até que seja alcançado o objetivo final, e no sentido da organização do poder dessa Aliança Nacional Libertadora”.

Ainda nessa mesma reunião, o delegado holandês Van Mine, membro do Comitê Executivo do Comintern revelou explicitamente em sua comunicação:

“Devo expor a todos os camaradas que se interessam pelo desenvolvimento e expansão do comunismo na América Meridional, que no Brasil já existe uma ampla e bem organizada associação, denominada Aliança Nacional Libertadora, da qual já participa um grande número de oficiais do Exército e da Marinha Brasileira. Essa Aliança foi criada sob orientação secreta, mas direta, do Partido Comunista do Brasil, segundo instruções confidenciais da Liga Soviética em Montevidéu. Essa Aliança segue cegamente as ordens do nosso bravo camarada Prestes que foi, em numerosos comícios públicos, realizados no Brasil, aclamado como seu chefe absoluto e Presidente de Honra”.   

Esses textos demonstram claramente os objetivos e a associação da Aliança Libertadora Nacional com o Movimento Comunista Internacional.

No desempenho do seu papel na montagem subversiva, a ANL iniciou uma inflamada campanha em grade número de cidades brasileiras. Nesse trabalho, associaram-se a ela outras agremiações esquerdistas, como a “União Feminina do Brasil” e a “Aliança por Pão, Terra e Liberdade”.

A pregação perniciosa e ameaçadora da ANL levantou protestos e apreensões. Não se escondiam suas intenções de congregar todos os descontentamentos, de inflamar todas as insatisfações para fomentar a subversão. A 12 de julho de 1935, o governo determinou o fechamento dessa danosa associação. Já era tarde, porém.

Prepara-se o Golpe Armado Subversivo

 Nos primeiros dias de março de 1934, desembarcava no Rio, vindo de Buenos Aires, um viajante estranho, de olhar desconfiado e arredio. Apresentou um passaporte americano, com o nome de Harry Berger. Recebido por dois ou três elementos comunistas, ele e sua mulher logo desapareceram. Este cidadão era, na realidade, o agente alemão do Comintern chamado Arthur Ernst Ewert. Ex-deputado em seu país, era ficado como espião e havia sido processado por alta traição. Foi mandado para o Brasil, com alguns outros agitadores, como Rodolpho Ghioldi e Jules Vales, para assessorar o planejamento da rebelião comunista.

Harry Berger foi realmente o principal elemento da concepção de toda a ação insurrecional irrompida no Brasil, até sua prisão a 25 de dezembro de 1935.

Pouco depois de sua chegada, desembarcava também outra personalidade importante : Luiz Carlos Prestes, que trazia um passaporte falso e vinha acompanhado de sua mulher, de naturalidade alemã. Vinha convicto da missão que lhe impusera o Comintern: chefiar o movimento armado que se preparava no Brasil e que deveria eclodir dentro de alguns meses.

A face comunista de Prestes ainda não se achava inteiramente desmascarada. Muitos ainda o viam como aquele jovem oficial que comandara um grupo de idealistas num cometimento heróico. Para estes, ele ainda era o “Cavaleiro da Esperança”. Assim, a sua figura histórica atraiu muitas pessoas para as fileiras da Aliança, ignorantes da trama subterrânea que se montava.

Mas esse carisma era também exagerado por alguns. Fernando de Lacerda, por exemplo, declarou no VII Congresso do Comintern que o povo brasileiro “se alistava aos milhões” nos quadros da ALN. Essa falsa estimativa foi desastrosa para os comunistas. Como sempre tem ocorrido, eles superestimavam os seus efetivos de apoio. Confiantes no imenso respaldo popular que julgavam possuir, sentiram-se bastante fortes para desafiar o poder legal e impor ao povo brasileiro a ordem marxista-leninista. Para eles, a revolução armada seria um golpe de misericórdia em uma estrutura profundamente deteriorada.

Em uma publicação do Comintern, editada na época, pode-se ler:

“As massas do povo brasileiro, a frente unida nacional e o Partido Comunista do Brasil estão capacitados a desencadear a contra-ofensiva e, apesar das represálias da reação, estão aptas a travar a batalha decisiva por pão, terra e liberdade e pelo poder com a Aliança Nacional Libertadora”.

Enquanto, nas sombras das conspirações e das cominações clandestinas, os subversivos concertavam os planos para a ação violenta, tarefas principalmente a cargo dos elementos militares, a ANL e seus propagandistas procuravam ampliar o seu núemro de adeptos.Prestes escreveu para vários de seus antigos companheiros, estendeu a mão mesmo para adversários, convocando-os para um movimento de deposição do governo. Seus apelos foram, entretanto, recusados, na maior parte. Miguel Costa, por exemplo, respondeu-lhe que um levante armado naquela época seria uma sandice e que qualquer revolução para ser vitoriosa demandaria uma longa e demorada preparação.

Mas o Comintern exigia pressa e ação. Harry Berger, considerado um entendido em golpes subversivos, orientava e dinamizava os planos. Em um dos seus relatórios ao Comintern ele escrevia:

A etapa atual da revolução armada no Brasil. Está em franco desenvolvimento uma revolução nacional antiimperialista. A finalidade da primeira etapa é a criação de uma vasta frente popular – operários, camponeses, pequeno-burgueses e burgueses que são contra o imperialismo – depois, a ação propriamente dita, para a instituição de um governo popular nacional revolucionário, com Prestes à frente e representantes daquelas classes. Mas, como condicional básica, esse governo se apoiará nas partes revolucionárias infiltradas no Exército e, depois, sobre os operários e camponeses articulados em formações armadas”.

“Nesta primeira fase, não serão organizados sovietes, porque isso reduziria, prematuramente, as hostes populares. Não obstante, o poder verdadeiro estará em maior escala nas aldeias, nas mãos das Ligas e Comitês de camponeses que se formarão e que também articularão formações do povo em armas para a proteção do Governo Popular e para a defesa dos seus interesses. Nessa primeira etapa, a ação será, antes de tudo, desencadeada contra o imperialismo, os grandes latifúndios e contra os capitalistas que, traindo a Nação, agem de comum acordo com o imperialismo.”

“Nós só passaremos a modificar os objetivos da primeira etapa, só erigiremos a ditadura democrática dos operários e camponeses na forma de sovietes, quando a revolução no Brasil tiver atingido uma grande concentração. Os pontos de apoio do Governo Popular Nacional Revolucionário serão os sovietes, mais as organizações de massa e o Exército Revolucionário do Povo. A transformação do Governo Popular Nacional Revolucionário, com Prestes à frente, tornar-se-á oportuna e real com o desenvolvimento favorável da Revolução do Governo Popular”.

Esse texto demonstra cabalmente que os planos de Harry Berger traduziam a aplicação concreta da “teoria da transformação das revoluções”. O movimento comportaria duas fases: na primeira seria organizado um governo popular de coalizão. Mas, quando sistema estivesse suficientemente fortalecido, viriam os sovietes, o Exército do Povo e a total hegemonia dos comunistas.

Luiz Carlos Prestes estava entusiasmado com o projeto revolucionário. Não lhe passava na mente a idéia de um insucesso. A 5 de julho, lançou um manifesto vigoroso em que concitava o povo a garantir a segurança das reuniões e dos chefes comunistas e o alertava para que se preparasse, pois o momento do assalto ao poder já se aproximava.

O Comintern prestigiava a chefia de Prestes. Em ordem expressa determinou que ele fosse integrado no Comitê Central do Partido Comunista.

Mas a idéia de um levante armado preocupava os elementos mais ponderados do PCB. Esboçou-se uma débil reação. O Comintern considerava, entretanto, a ação violenta como uma promissora experiência para a implantação de um regime comunista em toda a América Latina. Por essa razão, enviou a um escritório comercial soviético em Montevidéu recursos financeiros destinados a apoiar a insurreição no Brasil.

Diante dessa situação, o governo brasileiro hesitava. O problema era quase totalmente circunscrito à esfera policial que se limitava a remeter informações aos escalões superiores, através dos canais competentes. A burocracia imobilizava. O desconhecimento da técnica subversiva bolchevista desnorteava.

Nas Froças Armadas a infiltração era grande. Células comunistas, envolvendo oficiais e sargentos, funcionavam no Exército e na Marinha. Milícias populares organizavam-se secretamente. Elementos do Partido Comunista preparavam greves e agitações nos meios operários e camponeses. Manifestos e instruções subversivas circulavam nos quartéis e em organizações sindicais.

Em novembro, consideravam os comunistas que o levante armado estava convenientemente preparado. A ação militar estava planejada. O ambiente de insatisfação se agravava em todo o País.

Enquanto Harry Berger depurava cuidadosamente os planos, Prestes atuava com invulgar energia, procurando centralizar e unificar as ações. Em nome da causa vermelha, pessoas consideradas suspeitas forma expulsas do Partido e, até mesmo eliminadas, como ocorreu com a menina Elza Fernandes, assassinada por ordem de Prestes, como atesta a carta de seu próprio punho.

“Por que modificar a decisão a respeito da “Garota”?

dizia ele nesse documento.

“Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido, como elemento inteiramente a serviço do adversário, conhecedora de muita coisa e testemunha única contra um grande número de companheiros e simpatizantes?”

E mais adiante, confirma seu veredicto:

“Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes, tenho dado a minha opinião sobre o que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar, nem creio que os últimos bilhetes possam modificar uma tal decisão”.

E, em conseqüência dessa decisão, a menor Elza Fernandes, suspeita de saber e falar demais, foi barbaramente trucidada … Quantos crimes como este se cometeram em nome do sigilo subversivo? Quantos ficaram desconhecidos e impunes?

Apesar de todos os seus cuidados e preocupações, lutavam os comunistas para assegurar a coordenação das ações em toda a extensão do território nacional, servida, naquela época, por uma precária rede de comunicações. Agravava esse problema a diversidade das condições locais, a heterogeneidade dos interesses e reivindicações.

Havia severas restrições de clandestinidade, mas sempre alguma coisa transpirava das articulações insurrecionais. Tudo estava previsto para o irrompimento simultâneo do levante armado, em todo o País, a um sinal dado por Prestes do Rio de Janeiro. Mas, sob o influxo das tensões locais, o movimento foi precipitado no Nordeste.

Cinco Dias de Terror em Natal

Não ficou bem esclarecida até hoje a causa da precipitação do desencadeamento da revolução comunista no Rio Grande do Norte. Pensam uns que houve má interpretação das instruções de Prestes. Julgam outros que houve mesmo uma provocação do governo, o que não parece muito plausível. Natal era uma cidade provinciana e pacata. Apesar disso, os comunistas provocavam algumas agitações e conseguiram aliciar alguns militares de postos inferiores. O Governador do Estado, Rafael Fernandes, extinguira, há pouco tempo, a guarda-civil e o Partido Comunista procurava capitalizar a animosidade do pessoal demitido.

Ao anoitecer do dia 23 de novembro, dois sargentos, dois cabos e dois soldados sublevaram o 21o Batalhão de Caçadores. Aproveitando o licenciamento do sábado, eles invadiram a sala do oficial-em-dia, fortemente armados, prenderam o oficial e dominaram o aquartelamento. Imediatamente, entraram na Unidade, bandos de civis que se haviam reunido na praça fronteira. Apoderaram-se do armamento e das munições do Exército e distribuíram-se em grupos para diversos pontos importantes da cidade. Esses bandos de agitadores engrossavam-se no caminho com adesistas aventureiros, a maioria dos quais nem sabia exatamente do que se tratava.
Investiram, em seguida, contra a Unidade da Polícia Militar onde o Coronel José Otaviano Pinto Soares, Comandante do 21o Batalhão de Caçadores, com o apoio do Comandante do Batalhão de Polícia, Major Luis Julio, conseguiu montar uma defesa que resistiu durante 19 horas, até render-se por falta de munição.

Cenas de vandalismo e crueldade tiveram lugar. Casas comerciais e residências forma saqueadas e depredadas. Autoridades legais foram presas ou se evadiram. O Governador homiziou-se no Consulado da Itália. Navios no porto forma ocupados. Grande número de instalações forma danificadas com selvageria.

Enquanto essa mazorca dominava o ambiente da cidade, instalava-se em palácio, com todos os seus familiares, o “Comitê Popular Revolucionário” constituído pelas seguintes personalidades: funcionário estadual Lauro Cortez Lago, Ministro do Interior; Sargento músico Quintino Clementino de Barros, Ministro da Defesa; sapateiro José Praxedes de Andrade, Ministro do Abastecimento; funcionário postal José Macedo, Ministro das Finanças; estudante João Batista Galvão, Ministro da Viação. Assumiu o comando do 21o BC o cabo Estevão, enquanto o sargento Eliziel Diniz Henriques era investido no comando geral da Guarnição Federal.
Os primeiros atos do Comitê foram as ordens para o arrombamento dos bancos e repartições públicas. Simultaneamente, promoveu inúmeros rebeldes a patentes militares superiores e determinou prisões de várias pessoas.

Estabeleceu-se, em pouco tempo, um clima de terror em toda a cidade. Violações, estupros, pilhagem e roubos generalizaram-se. Caminhões e automóveis particulares eram sumariamente requisitados. Dois cidadãos foram covardemente assassinados sob a acusação de que estavam ridicularizando o movimento. A população começou a fugir de Natal.

Colunas rebeldes ocuparam as localidades de Ceará-Mirim, Baixa Verde, São José do Mipibu, Santa Cruz e Canguaratema.

A primeira reação partiu de um chefe político do interior, Dinarte Mariz, que conseguiu surpreender e derrotar um grupo comunista com uma pequena força de sertanejos que arrebanhou apressadamente.

Mas durante vários dias prosseguiram os desmandos da insensatez comunista na capital do Estado.

Quando as tropas legais, vindas de Recife, marcharam sobre Natal, o Comitê Popular Revolucionário desfez-se rapidamente. Dissolveu-se sem a menor resistência. Todos os “Ministros” e “Comandantes militares” fugiram, com seus bandos de comparsas, levando o que podiam. Durante muito tempo, esses elementos foram sendo aprisionados no interior do Estado.
Foi esta, em síntese, a história vergonhosa do mais duradouro governo comunista no Brasil, até os dias atuais. Foi a mais lamentável demonstração do que pode representar a ascensão ao poder de um grupo de bolchevistas inescrupulosos e dispostos às ações mais bárbaras, seguidos por uma coorte de oportunistas e ignorantes.

 Luta Cruenta em Pernambuco

Os acontecimentos de Natal precipitaram a eclosão do movimento subversivo concertado em Recife. Aí se travou o mais cruento conflito de todo o levante.

A ação armada foi desfechada também de surpresa. Apesar de não terem o sinal de partida a ser dado por Prestes e contrariando a opinião de Silo Meireles, indigitado coordenador do movimento no Nordeste, os comunistas, infiltrados em várias organizações militares, decidiram agir.

Na manhã do dia 25 de novembro, um sargento, chefiando um grupo de civis, atacou a cadeia pública de Olinda. Logo depois, o Sargento Gregório Bezerra tentava apoderar-se do Quartel-General da 7a Região Militar, matando o Tenente José Sampaio e ferindo o Tenente Agnaldo Oliveira de Almeida, antes de ser subjugado e preso.

Na Vila Militar de Socorro, o Capitão Otacílio Alves de Lima, o Tenente Lamartine Coutinho Correia de Oliveira e o Tenente Roberto Bomilcar Besouchet, notórios comunistas, sublevaram o 29o Batalhão de Caçadores e marcharam sobre a capital pernambucana. Arrebanhando centenas de aderentes e civis e apossando-se de todo o armamento e munição que encontravam, os revoltosos tomaram posição, preparando-se para o ataque a Recife. O Tenente-Coronel Afonso de Albuquerque Lima, subcomandante da Brigada Policial, conseguiu, entretanto, reunir um contingente que procurou deter os revoltosos. O Capitão Malvino Reis Neto, Secretário de Segurança Pública, armou a Guarda Civil e várias organizações policiais, deslocando-se em reforço das tropas legais. Os combates tornavam-se cada vez mais intensos, mas essa reação permitiu prazo suficiente para que unidades de Maceió e João Pessoa pudessem ser deslocadas para o teatro da luta e restabelecer progressivamente o cerco aos revoltosos.
Na manhã do dia 25, as forças legais já dispunham do apoio de artilharia e atacavam fortemente os núcleos de resistência dos comunistas. O número de baixas era muito grande. Havia mais de uma centena de mortos nas fileiras rebeldes. Alguns elementos procuravam romper o cerco e evadir-se para o interior do Estado.

No dia seguinte, Recife já estava completamente dominada pelas forças legalistas e os rebeldes, praticamente derrotados. Apenas pequenos grupos de fugitivos estavam sendo perseguidos. O 20o Batalhão de Caçadores já podia se deslocar para Natal, ainda em poder dos comunistas.

Madrugada Sangrenta no Rio de Janeiro

Notícias confusas e alarmantes chegavam ao Rio de Janeiro dos acontecimentos de Natal e Recife. Havia uma permanente atmosfera de tensão e perplexidade. O governo obtivera do Congresso a decretação do estado de sítio. Esperava-se uma ação comunista a qualquer momento, sem que se pudesse precisar onde surgiria. A desconfiança e a apreensão dominavam em todas as unidades militares, submetidas a um regime de severa prontidão que extenuava o pessoal e aumentava o nervosismo reinante.

Prestes declarou, em nota enviada a Trifino Correia em Minas Gerais, que não poderia aguardar mais tempo e que a rebelião precisava irromper dentro de dois a três dias. Efetivamente, sua ordem para o desencadeamento das ações marcava a hora H para as duas da madrugada de 27 de Novembro.

As autoridades não ignoravam que elementos comunistas infiltrados em vários quartéis estavam na iminência de uma insurreição. Mesmo assim, houve terríveis surpresas. Muitos dos comprometidos não figuravam nas relações de suspeitos.

Na Escola de Aviação, em Marechal Hermes, os Capitães Agliberto Vieira de Azevedo e Sócrates Gonçalves da Silva, juntamente com os tenentes Ivan Ramos Ribeiro e Benedito de Carvalho assaltaram o quartel de madrugada, e dominaram a Unidade. Vários oficiais foram assassinados ainda dormindo. O Capitão Agliberto matou friamente o seu amigo Capitão Benedicto Lopes Bragança que se achava desarmado e indefeso.

Em seguida, os rebeldes passaram a atacar o 1o Regimento de Aviação, sob o comando do Coronel Eduardo Gomes, que, apesar de ferido ligeiramente, iniciou a reação.

Forças da Vila Militar acorreram em apoio ao Regimento e, após algumas horas de violenta fuzilaria e bombardeio de artilharia, conseguiram derrotar a rebelião. Inúmeros amotinados procuraram fugir, mas foram aprisionados por patrulhas do Exército.

No 3o Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, acontecimentos mais graves ocorreram. Os rebeldes, chefiados pelos Capitães Agildo Barata, Álvaro Francisco de Souza e José Leite Brasil conseguiram, na mesma madrugada, após violenta e mortífera refrega, no interior do quartel, dominar quase totalmente a Unidade. Ao amanhecer, restava apenas um núcleo de resistência legalista, sitiado no Pavilhão do Comando, onde se encontrava o Coronel Afonso Ferreira, comandante do regimento.

A reação dos elementos legalistas do próprio 3o RI teve grande valia no decorrer da ação, porque impediu que a unidade rebelada deixasse o quartel para cumprir as missões determinadas por Prestes no plano da insurreição e que incluíam o assalto ao palácio presidencial no Catete.

Nas últimas horas da madrugada, acionados diretamente pelo Comandante da 1a Região Militar, General Eurico Gaspar Dutra, o Batalhão de Guardas e o 1o Grupo de Obuses tomaram posição nas proximidades do aquartelamento rebelado e iniciaram o bombardeio.

Durante toda a manhã do dia 27 desenvolveu-se um duro combate. O edifício do quartel foi transformado em uma verdadeira fortaleza, defendida pelas metralhadoras dos amotinados que também ocuparam as elevações vizinhas. As explosões das granadas da artilharia reduziram a escombros as velhas paredes que o incêndio do madeiramento carbonizava. O recanto ameno e pitoresco da Praia Vermelha tornou-se um verdadeiro inferno pelas chamas e pela intensa fuzilaria. A infantaria legalista avançou muito lentamente, em razão da falta de proteção na praça fronteira do quartel.

Os amotinados tentaram parlamentar com o comando legal, mas foram repelidos em suas propostas.

Finalmente, às 13 horas e 30 minutos, bandeiras brancas improvisadas forma agitadas nas janelas do edifício, parcialmente destruído. Era a rendição.

Presos os insurretos, apresentaram-se na praça em um compacto grupo. Muitos rebeldes adotaram uma atitude de zombaria, sorrindo cinicamente, em franco desrespeito àqueles que, naquele mesmo local, pouco tempo antes, haviam tombado na luta inglória.

Muitos anos depois, Luiz Carlos Prestes escreveria:

“… cometemos um grande engano, desencadeando uma insurreição quando o nosso poder no seio da classe trabalhadora era ainda fraco e quando a aliança entre os proletários e os camponeses era praticamente inexistente, devido a falta de ação no meio camponês. Para o triunfo da insurreição popular é indispensável a participação dos soldados e marinheiros, mas limitar a luta quase inteiramente aos quartéis é um grave erro que poderá causar uma derrota, como ocorreu em novembro de 1935”.

Ainda Algumas Palavras

Vamos encerrar essas páginas que são, ao mesmo tempo, deprimentes e dolorosas, em nossa História, repleta de grandes exemplos de luta pela liberdade e pela dignidade do povo brasileiro.

Estariam os insurretos de 35 lutando por esses mesmos ideais? Estariam eles seguindo os exemplos de nossos bravos antepassados? Por que causa arriscaram eles as suas vidas e sacrificaram outras friamente com uma fanática obstinação?

Parece inacreditável, mas esses homens lutaram convictamente pela própria escravidão.

A intentona comunista de 1935 no Brasil é apenas um episódio no imenso repertório de crimes que o bolchevismo vem cometendo no mundo inteiro para submeter os povos ao regime opressor denominado “ditadura do proletariado”. Desde o massacre da família real russa, das execuções na época de Stalin, das invasões da Hungria, da Tchecoslováquia e, ultimamente, do Afeganistão, até as injustiças e arbitrariedades das quais somente algumas chegam ao conhecimento do Mundo Livre, a progressão vermelha da Rússia Soviética, no seu desmedido plano de domínio universal, foi sempre apoiada na escravização, na humilhação, na tortura e no assassinato de milhões de entes humanos, cuja dor e cujo sangue parecem ser a marca indispensável das conquistas bolchevistas.

Andrei Sakharov, eminente físico russo, confinado por castigo na cidade de Gorki, declara textualmente:
“A história de 60 anos do Estado Soviético está cheia de uma horrível violência, crimes odiosos no seu território e até fora dele, destruição, sofrimento e corrupção de milhares de pessoas”. “Sob a superfície petrificada da nossa sociedade, esconde-se a crueldade, a ilegalidade, a ausência dos direitos civis que protejam o homem comum contra as autoridades, a total inexistência da responsabilidade do Governo diante da própria sociedade”.
Foi por estes ideais, denunciados por Soljenitzen e por Sakharov, que lutaram em 1935 os rebeldes comunistas.

Ostentando dísticos enganadores, agitando falsas promessas, os comunistas de 1935, como de hoje, são os mesmos arautos da sujeição e da opressão. Onde põem as suas garras tenebrosas, desaparecem os direitos, submetem-se as vontades, deformam-se as personalidades, eliminam-se as reações.
Não é necessário grande esforço de inteligência para perceber o perigo que representa a ameaça bolchevista. Temos, em nosso País, incontáveis exemplos de sua atividade nefasta. São agitações, greves, campanhas de descrédito e desmoralização, rebeliões, sabotagem, terrorismo e outras variadas manifestações contra pessoas, organizações, e contra a própria Nação.

Não será preciso que busquemos em Marx e Lenin a realidade de suas intenções contra a nossa sociedade democrática tradicional.

Temos entretanto que culpar aquelas lideranças sobre cujos ombros se apóia a responsabilidade de manutenção desses valores, do ceticismo e da tolerância que muitas vezes ostentam para externa generosidade e agradar as multidões, mas que, ao final das crises históricas, vão redundar em riscos e inúteis imolações.

Por todas essas razões, diante do testemunho silencioso daqueles heróis que tombaram na novembrada sangrenta de 1935, devemos manter sempre acesa a vigilância contra as traições e ignomínias comunistas.

Por todas essas razões, brasileiros, LEMBRAI-VOS DE 35!

 

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A necessidade de uma Reforma do Currículo: menos Freire, menos Bruner e mais Lang!

Uma grade curricular engessada por uma enorme quantidade de cursos gera dois problemas imediatos: a escassez de tempo e a dispersão do estudo, de modo que é impossível corrigir esses dois problemas sem diminuir a quantidade de disciplinas obrigatórias no currículo. A dispersão do estudo é determinada pelo excessivo número de disciplinas obrigatórias, e estamos aqui alegoricamente diante da escolha entre ser uma raposa ou um porco-espinho:

“A raposa sabe muitas coisas, mas o porco-espinho sabe uma grande coisa” (Archilochus ?)

Concretamente, temos que decidir se vale mais a pena

“deter um conhecimento superficial de muitas coisas”

ou

“deter um conhecimento profundo de poucas coisas”.

No momento, eu diria que prevalece no Brasil o modo de ser da raposa. No que se segue, limitarei minha análise ao ensino da matemática, mas ela se aplica também a outras áreas.

Os estudantes do ensino médio no Brasil cursam cerca de doze disciplinas obrigatórias: Matemática, Português, Inglês, Física, Química, Biologia, História, Geografia, Sociologia, Filosofia, Educação Física, e Educação Artística. Nessa grade curricular, o ensino da matemática fica restrito, em média, a três aulas semanais de 50 minutos, algo totalmente irrealizável. Para se convencer disso, tomemos como exemplo a coleção “Fundamentos da Matemática Elementar” (Gelson Iezzi, Carlos Murakami, entre outros) que distribui todo o conteúdo do ensino médio ao longo de nove volumes: Conjuntos e Funções; Logarítmos; Trigonometria; Sequências, Matrizes, Determinantes e Sistemas; Combinatória e Probabilidade; Complexos, Polinômios e Equações; Geometria Analítica; Geometria Plana; Geometria Espacial.

Tomando por base um ensino médio de duração de três anos, conclui-se, por uma rápida análise dessa coleção, ser completamente inviável cobrir anualmente o conteúdo de três livros dispondo de apenas três aulas semanais de 50 minutos. Estamos assim diante de uma impossibilidade de se ensinar matemática pela escassez de tempo, e isso independe de considerarmos problemas correlatos que agravam o problema, por exemplo, a formação inadequada dos professores, pois, mesmo dispondo dos melhores professores, sem uma reforma do currículo, eles nada poderão fazer para corrigir o problema da escassez de tempo e da dispersão do estudo.

Uma solução para o problema seria então a segmentação do ensino médio por áreas agregando um conjunto de disciplinas correlacionadas. Assim, uma certa área teria por núcleo principal as disciplinas de matemática, física e química; outra área teria por núcleo principal as disciplinas de história, geografia etc.; outra área contemplaria as disciplinas de biologia, química, etc. Todas as áreas incluiriam ainda o português e uma língua estrangeira como disciplinas obrigatórias. Dessa forma, não se teria mais a obrigatoriedade de um estudante cursar doze disciplinas no ensino médio. Isso permitiria resolver os dois problemas anteriormente citados, já que com um menor número de disciplinas obrigatórias pode-se aumentar a oferta de tempo para as disciplinas principais da área reduzindo assim a escassez de tempo, ao passo que, concentrando-se em um menor número de disciplinas, evita-se a dispersão do estudo em várias frentes.

Algo parecido já ocorre nos cursos preparatórios para o exame do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) e IME (Instituto Militar de Engenharia) que envolve uma carga horária elevada focada essencialmente nas disciplinas de matemática, física, química, português, e inglês. Como resultado, é de se esperar que em instituições como ITA e IME não ocorra o problema corrente das universidades federais que exibem hoje uma alarmante taxa de reprovação nos cursos iniciais de matemática (Cálculo, Geometria Analítica, Álgebra Linear), pois os estudantes que ingressam naquelas instituições militares são selecionados com base no conhecimento que detém do ensino médio, algo próximo do ideal.

Outra medida que poderia ser adotada é a categorização de alguns cursos por enfoque, como adotado na província de Ontario, que divide o curso de matemática em duas categorias: “Academic” (acadêmico) e “Apprenticeship” (que traduzirei por “prático”, pois é mais próximo do que este curso realmente é). Assim, em Ontario, o estudante tem a opção de fazer um curso de matemática de teor “acadêmico” ou “prático”, sendo a ênfase e o conteúdo abordados o que difere um e outro curso. Assim, um curso acadêmico de matemática se destina a dar subsídios a um aprendizado mais aprofundado do assunto. Já um curso prático de matemática pretende dar apenas noções gerais. A ideia por trás dessa categorização é que embora exista uma demanda crescente de mais informação e conhecimento de matemática por parte de muitas profissões, também é um fato que nem todos precisam saber matemática no mesmo nível. Sabemos que “não aprender” gera frustração, e isso é algo real no ensino da matemática que, no caso de Ontario, não parece ter muito a ver com a formação dos professores.

O que é significativo nesta proposta de categorizar os cursos é que ela visa conter a mediocrização extrema do ensino da matemática dando ao estudante a possibilidade de decidir em que nível deseja aprender, ao invés de tentar homogeneizar dois perfis de alunos com interesses distintos, que é a causa da mediocrização. Ontario quebrou assim um tabu ao reconhecer que os conceitos ensinados na matemática são mais complexos do que os conteúdos de outras disciplinas e, por isso, sua compreensão requer um maior esforço por parte de quem a aprende. Ora, é natural que nem todos os estudantes estarão dispostos a empreender a devida energia para aprender o mínimo exigido; faz-se então um movimento contrário, deslocando-se para baixo o conteúdo mínimo a ser aprendido na categoria dos estudantes que optam pela vertente prática, enquanto se eleva o conteúdo mínimo a ser aprendido para os que optam pela vertente acadêmica. Obviamente, tal prática cria uma distinção entre os estudantes – a “maldita desigualdade”, diria Paulo Freire e seus seguidores, mas, sejamos sinceros, qual a real necessidade que uma pessoa que deseja ser historiador, geógrafo, filósofo, antropólogo, pedagogo, assistente social etc. tem para ir além das operações básicas da aritmética? Por que devemos insistir que essas pessoas aprendam a matemática elementar do ensino médio da mesma forma e na mesma profundidade exigida por alguém que deseja ser um matemático, físico, engenheiro etc.?

A implementação no Brasil de uma reforma curricular que incorpore um ensino médio segmentado por áreas e com duas categorias de cursos de matemática certamente encontrará a reação de muitos doutores em educação que sustentam dogmas como “qualquer um pode aprender qualquer coisa”. Na verdade, generalizaram algo que um tal de Jerome Bruner falou provavelmente no contexto de crianças:

“qualquer criança pode aprender qualquer coisa desde que lhe seja apresentada de forma honesta”.

Sim, pode ser verdade, desde que a “forma honesta” envolva aceitar que nem todos aprendem da mesma forma e que, portanto, uma área que se mostra mais abstrata e difícil de aprender como a matemática demandará mais tempo e mais recursos. E aqui volta-se a questão da reforma curricular. Confrontados com isso é provável que invoquem uma outra classe de dogmas, de natureza ideológica, que torna ainda mais acirrada a proposta de reforma curricular pois os oponentes vêem na proposta uma “educação para o mercado”, algo que por sua vez confronta o maior de todos os dogmas da educação no Brasil: “a educação visa primeiro a formação do espírito crítico”.

Sem dúvida, há aqui muito da influência perniciosa das ideias do pseudo-educador marxista Paulo Freire que fez inúmeros discípulos em nossas universidades, a ponto de ser tomado como “patrono de nossa educação” [sic]. O problema daquele dogma-mor da educação brasileira remete à ideia de que para “transformar a sociedade” a função primeira do educador é despertar no educando a consciência de sua condição, dando-lhe como instrumento de reflexão a crítica marxista. Mas, por que a crítica marxista? Não seria possível desenvolver uma reflexão segundo a ótica do “solidarismo”, como propõe o professor e padre jesuíta Fernando Bastos de Ávila? Ora, perseguindo esse objetivo de incutir nos estudantes a “tal da crítica marxista” deturpam-se os conteúdos a ser ensinados buscando-se contextualizar tudo numa dualidade que comporte a luta de classes. As disciplinas que não se deixam corromper tão facilmente por essa contextualização, por exemplo, a matemática, são vistas como empecilhos e postas de forma estigmatizada por muitos educadores.

Afim de ilustrar isso, lembremos que muitos educadores criticam a matemática em relação ao que é ensinado, visto por eles como algo que carece de significado, sendo um mero conjunto de fórmulas a ser memorizada, a tabuada é o primeiro exemplo. Mas, será que os educadores que dizem isso merecem mais crédito que um matemático puro da estatura de Serge Lang, professor da Universidade de Yale? Vejamos o que Lang escreve no prefácio de um de seus livros de Cálculo:

“Defficient high school training is responsible for many of the difficulties experienced at the college level. These difficulties are not so much due to the problem of understanding calculus as to the inability to handle elementary algebra. A large group of students cannot automatically give the expansion for expressions like

(a + b)^2, (a-b)^2, or (a+b)(a-b).

The answers should be memorized like the multiplication table. To memorize by rote such basic formulas is not incompatible with learning general principles. It is complementary.”

Temos aqui uma aparente contradição entre a forma como Serge Lang e muitos de nossos educadores pensam a matemática. Segundo Lang, aprender princípios gerais passa sim pela memorização de certas fórmulas. Contudo, qualquer um que tenha estudado de forma decente a matemática do ensino médio sabe que a compreensão da matemática vai muito além das fórmulas. E para citar somente um caso, basta contemplar o caso da Análise Combinatória ensinada no ensino médio que basicamente apresenta três fórmulas (arranjo, combinação e permutação) e algumas variações que, contudo, sem um raciocínio criterioso de como aplicá-las não ajuda em coisa alguma.

Caminhando numa direção oposta a apresentada por Lang, nossos educadores propõem um exame nacional, o ENEM, como se fosse uma obra prima por não exigir fórmulas e cujo grande raciocínio (pasmem!!), segundo eles, se resume a analisar uma situação contextualizada descrita por um texto demasiadamente longo. Mas, sejamos pelo menos justos com eles, afinal, a superficialidade do conteúdo matemático abordado pelo ENEM tem ser compatível com o que se consegue aprender em apenas três aulas semanais de 50 minutos, algo que eles mesmos instituíram. Agora, é óbvio que o desastre que estamos vendo nos cursos da área de ciências exatas em nossas universidades também tem relação direta com o ENEM, já que recentemente este exame passou a ganhar proeminência como o elemento de acesso as universidades e, assim, influencia o que é ensinado no ensino médio.

Estamos diante da mesma situação que Lang descreve em seu livro sobre “defficient high school training”, embora as razões e a extensão do problema nos EUA possam ser diferentes do que temos no Brasil. Contudo, há problemas comuns, já que em ambos países predomina entre os educadores uma mentalidade educacional que pensa a escola mais como um ambiente de socialização do que de formação intelectual. Há um termo usado na América do Norte que resume bem essa mentalidade:

“Schools must be fun” (*),

ao qual um espírito demasiadamente crítico pode contrapor:

“If you are having fun, you are not learning” (**).

Talvez precisamos chegar a um meio termo, ou mesmo fazer uma categorização quanto ao tipo de escola, de um lado a escola progressista que adota por lema (*), do outro lado a escola tradicional que adota por lema (**), e deixar que cada um escolha a escola que julga mais conveniente. Mas, no caso da matemática, onde está o problema? Como uma e outra escola pensam a matemática? Ora, se estamos tratando um conteúdo que gradativamente exige mais raciocínio e reflexão do estudante, caminha-se progressivamente do lema (*) ao lema (**). Ou seja, aquilo que no início da vida escolar se apresentava como brincadeira e mera socialização (com uma eventual formação intelectual no meio) com o tempo se transmuta em uma atividade reflexiva e individualizada, já que não existe reflexão coletiva na matemática. Aos educadores que tem dificuldade de entender isso serve a analogia:

“Ninguém pode pensar pelo outro um conceito matemático, da mesma forma que ninguém degusta algo pelo outro, embora possa comunicar ao outro o gosto que sente”.

Infelizmente, vivemos uma época onde muitos educadores e psicólogos, extremamente sensíveis em suas concepções e dogmas, tentam a todo custo nos convencer que uma experiência educacional só pode ser estabelecida segundo o lema (*). Baseados nisso, tentam a todo custo evitar a frustração e a dificuldade inerentes ao aprendizado de qualquer coisa que se mostre mais desafiador e, assim, proliferam metodologias extremamente duvidosas para se ensinar a matemática que dificilmente resolverão o problema da formação escolar deficiente. Como então resolveremos o impasse? A única solução é não perder mais tempo. A comunidade dos professores de matemática deve reivindicar o seu papel de profissionais capacitados, que entendem o conteúdo que ensinam, para empreender uma verdadeira reforma curricular do ensino da matemática extirpando não somente os dogmas e mitos da educação que levaram a esta aberração curricular que temos hoje, mas também não reproduzindo em sala de aula métodos de ensino que mediocrizam a matemática. Ou seja, precisamos de menos Freire, menos Bruner, e mais Lang!

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Universidade

Uma análise sobre a nota do CUn sobre a intervenção policial

Diante de eventos polêmicos é natural que surjam múltiplas leituras por parte de pessoas que, de uma maneira ou outra, acompanharam não somente os fatos, mas também seus desdobramentos. Contudo, para o cidadão que acompanha tudo de longe e deseja entender o ocorrido, essas diversas leituras de nada adiantam. Faz-se necessário, então, uma análise comparativa dessas leituras. É o que eu pretendo fazer aqui.

Em relação à ação policial ocorrida no campus da UFSC, vamos analisar duas notas, uma do CUn e outra da APUFSC.

Nota do CUn: “Tendo em vista os acontecimentos do dia 25 de março de 2014, quando houve uma violenta e exacerbada intervenção policial, o Conselho Universitário da UFSC vem a público manifestar-se contra qualquer forma de violência, ainda mais em um espaço público e vocacionado para a formação humana como é o Campus Universitário. Declaramos a mais firme defesa da autonomia universitária, condição essencial para o pleno desenvolvimento e socialização dos conhecimentos filosófico, científico, tecnológico e artístico”.

Nota da APUFSC:  “[…]São lamentáveis os fatos ocorridos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 25/03/2014 e que estão gerando desdobramentos questionáveis, acarretando transtornos para todos aqueles que fazem parte da instituição. […]A Apufsc-Sindical preza pela legalidade e segurança da comunidade universitária e se manterá compromissada em defesa da ética, moralidade e ordem. Nesse sentido a Apufsc apela para que as partes envolvidas atuem com racionalidade e serenidade, interpretando corretamente os textos legais que devem ser devidamente respeitados no âmbito do Campus Universitário.”

Há uma discrepância considerável entre ambas as notas em relação à intenção de quem deve ser culpabilizado.

Com efeito, analisando a nota da APUFSC é evidente a opção pela neutralidade e distanciamento, ficando a impressão de que a nota foi emitida mais por força de obrigação de ter que se pronunciar do que pelo desejo de apresentar uma leitura dos fatos e, assim, tomar posição. Vou um pouco mais além. Na nota da APUFSC, o apelo para que

 “as partes envolvidas atuem com racionalidade e serenidade, interpretando corretamente os textos legais que devem ser devidamente respeitados no âmbito do Campus Universitário”,
 
é ambíguo, pois, dependendo de quem lê, pode ser aplicado a cada um dos envolvidos, sejam policiais, professores, servidores e estudantes, bem como à administração central que também não deixou de emitir uma nota desastrada criminalizando a ação policial.  

É compreensível que a APUFSC tenha feito isso, pois, sendo um sindicato, qualquer opinião que a diretoria emitisse sobre a questão seria tomada como presumidamente representando coletivamente a opinião de seus associados. Na dúvida, opta-se pela neutralidade e faz-se a um convite a moderação e ao bom-senso de todos.

O mesmo não se pode afirmar da nota do CUn. De fato, a nota do CUn caracteriza a ação policial como violenta e, provavelmente, se refere a intervenção da polícia militar que fora chamada para proteger os policiais federais diante da atitude extremada, violenta e desnecessária de um segmento da UFSC (professores, servidores e estudantes) que acuaram os policiais federais, viraram as viaturas, além de outras ocorrências que, conforme noticiado, é parte de um processo criminal. A omissão desse outro aspecto do conflito na nota do CUn torna factível recriminar a ação policial, pois dá a entender que não haviam pessoas dispostas ao confronto com a polícia. No entanto, as imagens do conflito mostradas no noticiário deixam isso evidente.

Ao cidadão de fora, que não tem ideia de qual é a função do CUn dentro da universidade, basta saber que ele é um órgão colegiado que aprecia e delibera sobre vários assuntos necessários ao bom “funcionamento” da universidade. Diferente da APUFSC, que representa coletivamente os interesses profissionais dos professores da UFSC, os conselheiros do CUn, embora escolhidos entre professores, funcionários e estudantes,  não representam, em particular, nenhum segmento da UFSC, nem muito menos a totalidade da comunidade universitária.  Assim, a nota do CUn sobre o conflito deve ser entendido apenas como a opinião dos membros do CUn, algo que de modo algum representa a opinião da comunidade da UFSC como um todo. Ora, mas o cidadão, neste ponto, deve estar confuso. Se a nota do CUn sobre o conflito  não representa a opinião da universidade e também não se constitui matéria imprescindível para o funcionamento da universidade, o que então teria levado o CUn a emití-la? Certamente que isso tem a ver com o fato peculiar da solicitação ter sido iniciativa de um conselheiro do próprio CUn que, segundo o noticiário, teve participação ativa nos eventos. Já as razões que levaram o CUn a considerar o pedido é algo inerente ao que cada conselheiro julga apropriado. Contudo, contrastando com a neutralidade da nota da APUFSC, vemos que a nota do CUn, ao criminalizar a ação policial classificando-a como “violenta e exacerbada” e se calar sobre a violência dos manifestantes,  torna-se quase que uma defesa de uma das partes, representada pelo segmento da universidade que confrontou os policiais federais.

É lamentável que o CUn tenha se deixado envolver nessa discussão, se posicionando indiretamente a favor de uma das partes, já que as pendências com a polícia envolvendo cada um dos manifestantes indiciados não é algo que diz respeito a universidade como um todo, nem se constitui matéria relevante para pronunciamento de um órgão colegiado. Há ocasiões onde é melhor ficar calado.

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Desmistificando o Comunismo

A Ficção de um Socialismo Democrático

Obs.:  Faz-se uma análise do texto “Direita versus Direita” de autoria de Gilvan Rocha e publicado no grupo UFSC.

O texto original está em itálico.

Os comentários e análise que fazemos ao texto estão em negrito.

Convencionamos chamar de direita aquelas forças políticas que têm como objetivo a manutenção do capitalismo. Mas a direita não é uma corrente política homogênea, ela se apresenta e age sob diversos matizes.

Porém, para tornar mais claro o conteúdo de nossas colocações,
vamos considerar que existem, fundamentalmente, duas correntes de direita.

A primeira delas poderia ser chamada de direita democrática e, a
segunda, seria a direita exacerbada, tipo “tolerância zero” que,
em determinado momento, se apresentou como sendo o nazifascismo.

Há algo confuso nessa identificação de “duas direitas”. Se o autor define como uma das características da direita “o objetivo da manutenção do capitalismo”, então isso refuta a tentativa do autor em classificar o nazi-fascismo como sendo uma vertente da direita.

Com efeito, o nazi-fascismo tal como o comunismo tem o mesmo objetivo que é a supressão da democracia liberal burguesa. Ora, mas esta democracia liberal é uma das condições indispensáveis para a manutenção das estruturas político-econômicas que permitem a própria existência da burguesia. Assim, havendo no nazi-fascismo a supressão dessa democracia liberal perde-se um dos elementos necessários para o que o autor chama de “manutenção do capitalismo”.

A democracia política burguesa é o grande legado histórico do processo de ascensão e consolidação do capitalismo, assumindo medidas democráticas como o voto universal e secreto; o direito de ir e vir; o livre direito de organização e de opinião; além das conquistas no campo dos direitos individuais, tipo “todo mundo é inocente até prova em contrário”; “o ônus da prova cabe a quem acusa”; “só se pode ser preso, em flagrante delito, ou sob ordem judicial”; “ninguém deve ser mantido preso sem culpa formada”, e assim por diante. Esse caráter democrático, produzido pela revolução burguesa, não adveio de uma consciência inspirada em bons sentimentos. Tampouco, era uma manobra maquiavélica da burguesia ascendente.

A democracia política proposta pela burguesia foi advinda da necessidade que tinha a nova ordem ascendente em promover sua obra de livre expansão econômica com a devida eficácia e sem amarras.

Nestes dois últimos parágrafos o autor ressalta a importância da democracia política e da livre expansão da atividade econômica para a ascensão da burguesia. O que vemos hoje é que nas nações razoavelmente bem sucedidas a atividade econômica se mostrou diversificada e seguindo uma dinâmica complexa interligando vários setores, congregando pequenos, médios e grandes produtores.

Assim, nesses países, vemos um aumento na organicidade da atividade econômica, e o “ambiente” que propicia esta dinâmica acaba demandando uma certa liberdade política, com menos regulação da atividade econômica e mais empreendedorismo.

Algumas dessas nações bem sucedidas incorporaram também uma certa “política social”,  o  chamado “welfare state”.

Em ambos os casos, temos uma diferença fundamental em relação a proposta socialista que é erigida e conduzida por um único setor que detém o poder do Estado e que  necessariamente segue um modelo centralizador e intervencionista.

Já foi dito que “a mais democrática república burguesa esconde atrás de si a ditadura do capital sobre o trabalho”. Mesmo assim, os mais proeminentes socialistas, como Karl Marx, Friedrich Engels, Moses Hess, Karl Kautsky, Georgi Plekhanov, Rosa Luxemburgo, Vladimir Lenin, Julio Martov, Leon Trotsky e outros próceres do pensamento revolucionário não deram as costas a esse grande legado histórico, que foi a democracia política. Muito pelo contrário, eles procuraram se apropriar e buscar aprofundar alguns avanços. Porém, fizeram questão em deixar suficientemente claro que, bem mais do que a democracia política, os trabalhadores deveriam marchar para a conquista da democracia social ou, como se costuma chamar: social democracia.

Foi justamente na contramão dessa proposta política que se colocou o totalitarismo, o fascismo. Ele revogou todos os direitos políticos conquistados e impôs um só discurso, uma só imprensa, enquanto criou uma polícia política pronta para perseguir, prender, torturar e até executar os dissidentes.

Na verdade, o termo “totalitarismo” designa não somente o fascismo e nazismo, mas também o comunismo.

Da mesma forma que no nazi-fascismo, o socialismo (aqui identificado pelo termo “comunismo”) também suprime direitos políticos já que o Estado é controlado por um partido único – o partido ou agremiação comunista.

A dinâmica social é então submetida a uma reengenharia onde o Estado (tomado pelo) comunista usa de meios como repressão e terror para regular a vida dos indivíduos.

Todas as ditaduras comunistas tinham sua polícia secreta encarregada de executar e torturar opositores.

Já os Gulags de Stalin são o exemplo mais evidente desse terror em direção a minorias e elementos “indesejáveis” ao Estado comunista.

Obs.: Convêm notar que este fato indesejável é o que faz com que o autor rejeite a experiência soviética como sendo socialista.

Mas onde e porque surgiu o nefasto fenômeno do fascismo, retrocedendo os avanços políticos conquistados pela humanidade?

Ele surgiu, em primeira mão, na URSS, nos anos 20 do século passado. Mas não foi produto de mentes diabólicas, muito embora não haja faltado facínoras, psicopatas, traidores e outros tantos delinquentes, para que se pudesse viabilizar a implantação do totalitarismo.

O autor usa uma tese original mas absurda ao classificar como fascismo a experiência soviética.

Ora, o autor sequer se deu ao trabalho de definir o que ele entende por fascismo limitando-se a enumerar algumas características do fascismo que estão igualmente presentes no comunismo, a saber: revogação de todos os direitos políticos conquistados e imposição de um só discurso, uma só imprensa, criação de uma polícia política pronta para perseguir, prender, torturar e até executar os dissidentes.

Assim, o absurdo na tese do autor é evidente em si e demonstra apenas que fascismo e comunismo se assemelham quanto a sua forma de ação.

Contudo, há um elemento do fascismo que não está presente no comunismo soviético.

O fascismo se impõe pelo apelo de um discurso NACIONALISTA dirigido as massas com vistas a criar uma unidade nacional. Esse discurso nacionalista, elemento típico para se caracterizar o fascismo, está ausente no discurso comunista. Logo, é um erro grosseiro identificar a experiência do comunismo soviético como fascismo.

A razão de sua existência devia-se ao fato de que, na Rússia feudal, não se havia cumprido, basicamente, as tarefas da revolução burguesa. Uma proposta socialista naquele país só poderia se efetivar caso estivesse, intimamente, colada à vitória do socialismo na Europa Ocidental. Entretanto, o que ocorreu, foi justamente o contrário, a revolução socialista foi derrotada nos países mais avançados da Europa e isso retirou toda e qualquer oportunidade do socialismo evoluir na URSS.

Não é correto imaginar que o insucesso político do socialismo deu-se por obra e graça do papel traidor de um grupo de malfeitores. Não tem fundamento colocações do tipo Estado operário burocratizado, revolução traída, revolução desfigurada e tantos outros despropósitos. Houve, sim, um embate político entre as forças socialistas e as forças conservadoras do sistema. Nesse embate saiu-se vitoriosa a contrarrevolução e a grande tragédia passou a consistir em não se ter reconhecido, em tempo historicamente hábil a derrota e, dessa forma, se ter promovido uma retirada tática com menores danos.

A tragédia consistiu em se buscar cumprir as tarefas de construção do capitalismo, como reforma agrária radical (coletivização forçada); construção de um amplo parque industrial; viabilização das obras de infraestrutura, particularmente, estradas, portos e vias de comunicação, e assim por diante.

Tratava-se, pois, de construir o capitalismo por vias nada convencionais e isso teve um extremo custo social, na medida em que foi implementada uma política de expropriação de grãos e uma jornada exaustiva do trabalho operário, levada às culminâncias. Mas, se os custos sociais foram altos e cruéis, muito maiores foram os custos políticos, na medida em que todos os crimes praticados, na edificação do capitalismo de Estado, foram e ainda são colocados em nome do socialismo e do comunismo, e esse fato se presta a afastar legiões imensas de pessoas daquilo que seria a proposta socialista.

O autor chama a experiência comunista na URSS de “Capitalismo de Estado”. O termo não é de todo equivocado se imaginarmos que os comunistas pregam a supressão do direito a propriedade privada e o controle de TODOS os meios de produção pelo Estado comunista.

Neste sentido, o Estado comunista tende a realizar a forma mais extrema de acúmulo de capital, que constitui o sentido que poderíamos entender pelo termo de “Capitalismo de Estado”.

Contudo, uma vez que esse “Capitalismo de Estado” visa implementar práticas tipicamente preconizadas pelos comunistas, algumas das quais nós identificamos anteriormente como a supressão do direito a propriedade e o acúmulo de todos os meios de produção, nós temos que o sentido do termo capitalismo de estado estaria abrangido pelo termo “socialismo”, ao qual seria um mero sinônimo.

O projeto de uma nova ordem sempre objetivou a socialização dos meios de produção, de modo a torná-los a serviço do bem estar de todos. Em lugar disso, tivemos uma fraude, que consistiu em buscar a construção do capitalismo de Estado como se fosse a construção do socialismo.

Rosa Luxemburgo afirmou que se pode ter liberdade sem socialismo, mas não se pode ter socialismo sem liberdade. Nos estados policiais, que desfraldaram e desfraldam, ilegitimamente, a bandeira do socialismo, o que existe, do ponto de vista político, é um grande retrocesso, o que existe é o totalitarismo, o fascismo, vestindo falsas fantasias, e essa realidade nos coloca em uma situação deveras delicada.

Neste parágrafo, mais uma vez, o autor tenta nos convencer de que existe um socialismo “permeado de liberdade”. Ele, assim, nega que as experiências dos regimes comunistas foram socialistas.

Ora, mais no que consistiria então essa experiência socialista do autor?

Do que o autor está realmente falando?

O autor dá uma indicação quando escreve que:

“O projeto de uma nova ordem sempre objetivou a socialização dos meios de produção, de modo a torná-los a serviço do bem estar de todos.”

Mas onde isso teria supostamente ocorrido?

Vejamos o caso de Robert Owen e a “New Harmony”, uma das primeiras comunidades pretensamente tomadas como modelo socialista.

O fracasso da New Harmony deve-se em parte a total falta de coesão de princípios dos membros que dela faziam parte. O que os unia era tão somente o trabalho comunitário e o ideal utópico que tinham abraçado, algo insuficiente, contudo, para manter a comunidade viva.

Comparando com o modelo reduzido da “New Harmony”, e contrariando a tese do autor de que existe um socialismo munido de liberdade ou democrático, a implementação do socialismo em larga escala e nos domínios de uma nação somente se manteria com base no uso da força coercitiva do Estado, como ficou demonstrado nas várias ditaduras comunistas.

Obs.: Sobre a “New Harmony”, ver, por exemplo,

http://xroads.virginia.edu/~hyper/hns/cities/newharmony.html

http://www.youtube.com/watch?v=c_uCqAHW0bw

Uma outra tentativa de compreender o que o autor entende por socialismo pode surgir do seguinte trecho quando menciona que os socialistas

“…fizeram questão em deixar suficientemente claro que, bem mais do que a democracia política, os trabalhadores deveriam marchar para a conquista da democracia social ou, como se costuma chamar: social democracia”.

Contudo, a social democracia não pode ser tomada pelo autor como uma vertente socialista, sob pena do autor se contradizer. Com efeito, o autor menciona que

“a revolução socialista foi derrotada nos países mais avançados da Europa e isso retirou toda e qualquer oportunidade do socialismo evoluir na URSS.”

Ora, mas o que se sucedeu à derrota do socialismo nesses países europeus foi exatamente a emergência de um “welfare state” cujas instituições condutoras da política e economia formam o que se entende por social democracia. Assim, pela ótica do autor, o que ele entende por socialismo tampouco pode ser tomado por “social democracia”.

Não nos interessa a direita democrática, mas muito menos haveria de nos interessar a direita fascista, representada pelo stalinismo, pelo nazifascismo e, ultimamente, pelo fundamentalismo islâmico,
cujos exemplos mais gritantes são o do Irã, da Síria e do Talibã.

Consideremos, entretanto, que, na impossibilidade de apontarmos
para a saída socialista, diante da nossa escassez de força política frente ao dilema direita democrática versus direita fascista, haveremos de nos colocar ao lado da democracia política, e isso foi feito de forma clara e patente quando, durante o embate entre Inglaterra, Estados Unidos e França democrática e o nazifascismo, optamos, naquele instante, em nos aliar com os primeiros.

Outro exemplo bastante ilustrativo é o que hoje se passa nos EUA, quando a direita se organiza em torno de duas posições políticas: a extrema direita de Tea Party, de caráter fascista, e a direita democrática que se aglutina em torno de Barack Obama.

Na impossibilidade de haver uma saída socialista, sequer definida pelo autor, ele opta pela opção que ele identificou como “direita democrática”, representada pelo partido democrata dos EUA.

O autor, contudo, deixa claro que esta opção é temporária face a uma momentânea

“escassez de força política frente ao dilema direita democrática versus direita fascista”.

Os exemplos apontados servem para refletirmos que, em nenhuma hipótese, o totalitarismo e o fascismo, podem ser objeto de nossa luta. Não há nenhuma justificativa tática, e muito menos estratégica, para uma posição política diferente nas circunstâncias apontadas. Fora o fascismo, deve ser a nossa bandeira imediata e, viva o socialismo, o nosso objetivo maior e final.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Deste confuso texto fica claro que um das intenções do autor é convencer o leitor de que existe um socialismo democrático.

Ele realiza isso primeiro classificando como fascismo a experiência soviética e usa o termo totalitarismo incluindo apenas o fascismo e nazismo, mas excluindo o socialismo.

A História desmente a tese do autor.

Com efeito, como discutimos, uma das experiências utópicas do socialismo – a comunidade “New Harmony”  em Indiana – se extinguiu naturalmente em menos de três anos dada a falta de coesão de seus membros, algo que outras comunidades bem conhecidas conseguiram superar, vide, por exemplo, as comunidades religiosas dos Quakers.

Numa escala global, a “socialização dos meios de produção de modo a torná-los a serviço do bem estar de todos”, como preconizada pelos socialistas, só pode ser implementado pela intervenção do Estado. Tal qual as experiências nazi-fascistas, o objetivo comum é o mesmo, aniquilar a democracia liberal, já que a única forma de conseguir essa socialização dos meios de produção é pela coletivização forçada, visto que isto não é um processo natural da natureza humana.

O texto do autor é um completo “non-sense” cujo objeto central –acreditar que exista um socialismo munido de liberdade ou do tipo democrático – nem mesmo chega a ser  delineado. Fala-se então de algo inexistente!

Negar o ônus da experiência socialista (ou comunista, já que identificou-se ambos os termos), ou inferir que tal experiência foi um caso de fascismo é NEGAR A RESPONSABILIDADE HISTÓRICA de um redundante fracasso.

Não seriam essas negações da História o que se constitui um caso típico de desonestidade intelectual?

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Formação de Jovens Integralistas

Entendendo a estrutura do discurso doutrinário comunista

O texto que analisaremos é uma típica peça de propaganda destinada a cooptar jovens ao comunismo. Em geral, é divulgada a estudantes que ainda não tem uma ideia bem formada e, por isso, se inclui na categoria de material de doutrinação.

Pretendemos então munir os jovens (integralistas ou não)  de um procedimento  sistemático para identificar um discurso doutrinário comunista, afim de que possam, ao final, não somente refutar o objetivo desse discurso, mas também criticá-lo.

O texto original está em itálico.

Os comentários e análise que fazemos ao texto estão em negrito.

“Diante de problemas é necessário buscar a causa deles. É muito
frequente que alguém, com dor de cabeça ou com febre, tome remédio para se curar desses males. Ora, a febre ou a dor de cabeça, regra geral, não são doenças em si; são sinais de uma doença. A febre, regra geral, é um sintoma, cuja causa pode estar em uma infecção. O caminho correto é tratar da causa, eliminar o foco, curar a infecção.

Obj. 1: É comum na dinâmica do discurso doutrinário comunista o recurso a uma

“situação concreta”

que seja de fácil entendimento e absorção de quem lê. Neste caso, o autor coloca a questão de uma “enfermidade” como situação concreta, pano de fundo para a construção de seu discurso doutrinário. É o que chamamos de “isca”, um mero recurso para prender a atenção de quem lê.

Remetamo-nos para as mazelas sociais. Elas estão presentes em
nossa realidade: favelas, violência, drogas, desempregos,
prostituição, corrupção, compõem uma imensa lista. O comum é se
procurar resolver essas questões sem buscar a causa que as geram.
Assim, é que prosperam campanhas do tipo “Minha Casa Minha Vida”; “Não à Prostituição”, “Passemos o Brasil a Limpo”, e outras do gênero, que se voltam para o combate aos sintomas, desprezando a necessária busca da causa.

Obj. 2: Também é comum na dinâmica do  discurso doutrinário comunista a identificação de um

“elemento de negatividade”

que se refere a alguma situação social corrente. No texto original, esse elemento está presente na descrição das mazelas sociais que ele enumera como:

“favelas, violência, drogas, desempregos, prostituição, corrupção”.

Encontrado este elemento de negatividade, já surge um primeiro indício de que se pode estar mesmo diante de uma peça doutrinária comunista. Na estruturação do discurso, o elemento de negatividade é o que serve para introduzir o contexto da “luta de classes”, parte central do discurso doutrinário comunista que deverá aflorar em algum momento. Vamos então procurar este elemento.

Da mesma maneira, quando o povo descobrir a causa de suas
desgraças sociais, haverá de encontrar os instrumentos adequados
para eliminar aquilo que é o motivo de seu sofrer.

Obj. 3: Aqui, o autor segue na preparação psicológica do leitor para assimilar mais facilmente a situação de luta de classes.

Na sociedade atual, no capitalismo, as desgraças sociais
existentes só tendem a se aprofundar e a crescer. Mas só existe
uma forma realmente consequente de enfrentar essa situação. É
dar-se conta de que todas as desgraças sociais não decorrem de
governos; decorrem, sobretudo, do sistema socioeconômico vigente,
do capitalismo, cuja única lógica é a busca do lucro para uns
poucos (burguesia).

Obj. 4: Consolida-se aqui o apelo à

“luta de classes”

quando o autor opõe as desgraças sociais de muitos a um “sistema” (o capitalismo) que privilegia poucos.

Assim sendo, a maior contribuição que se pode dar no sentido de
que haja a superação das mazelas sociais, é levar ao povo a
informação sobre o que provoca essas desgraças. Sabendo a causa, o povo haverá de encontrar a forma de eliminá-la. Portanto, denunciemos a causa (capitalismo) e, então, teremos a certeza de que se encontrarão os meios de suprimi-la.

Obj. 5: Em se tratando de um discurso doutrinário, cujo objetivo é cooptar pessoas, o autor fecha seu discurso  com uma

“conclusão e chamamento”

que visa deixar, implicitamente ou não, um convite a ação, ou seja, a adesão a militância comunista.

Obj. 6: Afim de refutar os objetivos doutrinários do texto é suficiente assinalar seus pontos obscuros.

Dentro da perspectiva integralista, a identificação desses pontos obscuros se inicia com os elementos que constituem a “luta de classes”, já que os “elementos de negatividade” expostos pelo autor estão bem postos e um integralista também não perde esse horizonte ao fazer sua análise da sociedade.

Agora, a luta de classes não é um objeto da ação dos integralistas que reconhecem a “união entre todos os estratos sociais da nação” (e com ela comprometidos) como única forma legítima de atuação.

A sequência lógica do argumento do comunista é associar a causa das mazelas sociais UNICAMENTE ao capitalismo, deixando transparecer assim que a ÚNICA saída seja pela via do comunismo. O ERRO está aí. Com efeito.

(i) Mazelas sociais são verificadas tanto em regimes ditos capitalistas quanto comunistas. O fato do autor associar essas mazelas unicamente ao capitalismo comprova definitivamente o caráter doutrinário de seu texto.

(ii) O autor evita entrar em maiores detalhes sobre o fato evidente de que quando os comunistas tomam o poder eles realizam a forma mais extrema de “acúmulo de capital”, concentrando todos os meios de produção e valorando como bem entender o trabalho de cada um, já que, de posse do Estado, os comunistas tornam-se na prática o único regulador da dinâmica social. Assim, de certa forma, os comunistas ao tomarem o Estado se convertem numa NOVA BURGUESIA, detendo privilégios e benesses a custas da exploração do trabalhador.

(iii) O autor falha em reconhecer que o capitalismo pode ser reformado em vários aspectos visando uma distribuição mais justa dos recursos, sem suprimir elementos indispensáveis que façam justiça a capacidade individual, ao esforço e a “industriousness” de cada um. O Integralismo reconhece e busca implementar esses dois aspectos para o desenvolvimento e bem-estar na nação.

Aos pontos (i), (ii) e (iii) podem ser acrescentados outros de acordo com o texto doutrinário comunista que está sendo apresentado.

Vale ressaltar que toda ação que se enquadra na categoria de “luta de classes” é uma mera ação de exploração da miséria do povo com vistas a um acirramento das tensões sociais, condição necessária para os comunistas tomarem definitivamente o Estado.

No texto do autor não está explicitado nenhum fato concreto da luta de classes, já que ele enumera tão somente aspectos gerais. Contudo, imaginemos situações corriqueiras como a da “invasão de propriedade”. Deve-se identificar aqui algumas características importantes.

(i) Um elemento articulador da invasão.

(ii) Os elementos invasores, cooptados pelos articuladores.

(iii) O elemento invasor em geral, não pertence socialmente a mesma categoria dos invasores, que constituem, na sua grande maioria, pessoas que vivem em situação precária.

(iv) Deve-se identificar se houve na invasão da propriedade uma melhora na condição dos invasores. Não havendo, fica caracterizado o caráter de “luta de classes” que pretende tão somente acirrar as tensões sociais, já que não é de interesse do agente subversivo comunista, que fomenta a invasão, uma melhora nas condições de vida. Ou seja, para a consolidação de seus objetivos o comunista precisa explorar a miséria do povo. Qualquer ação que tenha intenção de efetivamente combater a miséria será sempre  contrária aos interesses dos comunistas.

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Desmistificando o Comunismo

Comunismo: a mentira como base de argumentação

Neste texto apresentarei trechos de discussões que considero
relevantes para ilustrar como se deve discutir com comunistas.

Assim, este texto estará sendo continuamente acrescentado de novas
discussões.

I

Contexto

A discussão que se segue tem por objeto um vídeo feito por um
indivíduo (https://www.youtube.co/watch?v=qAMa1GVseC8#t=14) que alega ter refutado o documentário “The Soviet Story”.

Comunista: Todas as acusações contra o socialismo feitas no vídeo* são FALÁCIAS, são acusações FALSAS! Qualquer pessoa pode afirmar qualquer coisa, o difícil é provar o que se afirma. Aliás é por
isso que esse documentário foi considerado como um trabalho barato
de propaganda pela própria direita, segundo o NY Times, um trabalho que “carece de qualquer erudição”. O vídeo* mostra falsas passagens da obra de Marx ou com termos distorcidos. Isso se chama “erística”, que é emitir falsas proposições e tentar fazê-las parecer verdade.

Obs: * por “vídeo” o comunista se refere ao documentário “The Soviet Story”

Objeção1: O documentário “The Soviet Story” descreve fatos bem conhecidos e documentados que mostram o genocídio causado pelos comunistas. Basta uma leitura do “Livro Negro do Comunismo” de Stéphane Courtois ou sua continuação “Cortar o Mal pela Raiz” para  identificar nessas obras várias partes apresentadas pelo documentário. Assim, qual dos fatos exibidos no documentário seria falso? Afinal, que crédito tem o autor para afirmar isso quando um dos líderes soviéticos, Krushev, reconheceu no vigésimo congresso do Partido Comunista da URSS, no dia 24 de fevereiro de 1956, o caráter ditatorial e criminoso do regime de Stalin?

Livro Negro 1Livro Negro 2

Objeção 2: O comunista alega que o documentário

“mostra falsas passagens da obra de Marx ou com termos distorcidos. Marx não pavimentou “ideologia sanguinária” alguma. Marx apenas trabalhava com leis da história, e revoluções não são festas ou caviar, seja ela comunista, capitalista, liberal, socialista, etc.”

Vejamos algumas citações de Marx, traduzidas para o Inglês, disponíveis em

http://www.paulbogdanor.com/left/communists.html

que REFUTAM o que autor afirma:

“… the very cannibalism of the counterrevolution will convince the nations that there is only one way in which the murderous death agonies of the old society and the bloody birth throes of the new society can be shortened, simplified and concentrated, and that way is revolutionary terror.” [Karl Marx: “The Victory of the Counter Revolution in Vienna,” Neue Rheinische Zeitung, November 7, 1848]

Tradução: … o mesmo canibalismo da contra-revolução convencerá as nações que há uma única forma de abreviar, simplificar e concentrar as agonizantes chacinas da antiga sociedade e o sangrento parto da nova sociedade, e esta forma é o terror revolucionário.

“We have no compassion and we ask no compassion from you. When our turn comes, we shall not make excuses for the terror.” [Karl Marx: “Suppression of the Neue Rheinische Zeitung,” Neue Rheinische Zeitung, May 19, 1849]

Tradução: Nós não temos compaixão e não pedimos compaixão de vocês. Quando chegar nossa vez, não haverá nenhuma desculpa para o terror.

“Society is undergoing a silent revolution, which must be submitted to, and which takes no more notice of the human existences it breaks down than an earthquake regards the houses it subverts. The classes and the races, too weak to master the new conditions of life, must give way.” [Karl Marx: “Forced Emigration,” New York Daily Tribune, March 22, 1853]

Tradução: “A sociedade passa por uma revolução silenciosa a qual deve se submeter e que considera a existência humana não mais do que um terremoto considera as casas que ele destrói. As classes e raças que forem fracas para dominar as novas condições de vida deverão dar seu lugar.”

Dessas citações, é difícil acreditar que Marx não tenha fomentado a violência que seus seguidores reproduziram nas ditaduras comunistas.

Objeção3: O comunista tenta desacreditar o documentário escrevendo

“Aliás é por isso que esse documentário foi considerado como um trabalho barato de propaganda pela própria direita, segundo o NY Times, um trabalho que “carece de qualquer erudição”

Vejamos o que realmente afirma a crítica do The New York Times:

“The film is not dispassionate scholarship; Mr. Snore, who is Latvian, and his backers (including some members of the European Parliament) obviously have an agenda, though to the casual American viewer it may not be clear what it is.

http://www.nytimes.com/2008/10/24/movies/24sovi.html?_r=0

Tradução: O filme não é uma produção acadêmica isenta de “emoção”; Mr. Snore, que é da Letônia, e seus apoiadores (incluindo membros do parlamento europeu), tem obviamente uma agenda, embora isto não fique claro para o público americano em geral.

Contudo, essa conclusão do comentário do NYT é precedida da seguinte assertiva:

“The filmmaking in “The Soviet Story” is so overwrought that at times the movie comes across as comical. That is no easy feat, given that the subject is the murder of countless thousands in the Soviet Union under Stalin and the connections between Soviet leaders and those other proficient killers of the last century, the Nazis.”

Tradução: A filmagem do “The Soviet Story” é tão tensa que o filme as vezes parece cômico. Não é fácil, dado que o assunto é o assassinato de incontáveis cidadãos na União Soviética sob Stalin e as conexões entre líderes soviéticos e outros habilidosos assassinos do século passado, os nazistas.

Ou seja, o comentário do crítico do NYT não refuta os fatos descritos no documentário, nem muito menos o põe na categoria de material que “carece de qualquer erudição”. O que o crítico do NYT na verdade critica é tão somente a forma “tensa” como o documentário foi apresentado, o que o faz inferir que o diretor tem uma agenda.

Vejamos uma outra opinião, apresentada por um crítico do jornal The Economist

“Soviet Story” is the most powerful antidote yet to the sanitisation of the past. The film is gripping, audacious and uncompromising. […] The main aim of the film is to show the close connections—philosophical, political and organisational—between the Nazi and Soviet systems.”

Tradução: “The Soviet Story” é o antídoto mais poderoso para a sanitização do passado. O filme é excitante, audacioso, e  não faz concessões. […] O principal objetivo do filme é mostrar as íntimas conexões – filosófica, política e organizacional – entre os sistemas nazistas e soviético.

Vemos aqui duas críticas do mesmo documentário. É uma pena que o comunista só escolheu aquela que lhe era menos desfavorável.

Comunista: Quanto ao caso dos ucranianos, Mark Tauger, professor renomado e especialista em assuntos agrícolas, estudou o fato, chegando à conclusão de que tratou-se de uma fome causada por FATORES NATURAIS! Aliás, o governo soviético foi o ÚNICO na história do povo ucraniano que efetivamente pôs fim à fome. É engraçado como os anticomunistas vão cavar fatos de 82 anos atrás e apresentam-no como se toda a história ucraniana se resumisse a Holodomor. Não sabem nem achar a Ucrânia no mapa mundi e ficam papagueando mentiras! Anticomunistas, indiscutivelmente, são pessoas menos inteligentes, não falam com conhecimento de causa, apenas repetem clichês, e por isso não devem ser ouvidos, e sim denunciados, especialmente no seu caso, o de um confesso porco fascista!

Objeção 4: Da mesma que há autores que negam o holocausto há autores que negam o Holodomor. O autor que o comunista cita é um dos que negam o Holodomor, indo numa direção oposta a vários outros estudos que comprovam que os comunistas russos dizimaram mais de 10 milhões de ucranianos nos anos 30. Uma das referências, “Holodomor: The Great famine in Ukraine 1932-1933” de Diana Bojko e Jerzy Bednare, apresenta uma incontestável documentação  produzidos pelos servições especiais soviéticos sendo assim uma fonte confiável.

holodomor3

II

Integralista: O autor deste vídeo (“The Soviet Story – Refutado”) afirma que

“Ditaduras do proletariado humanizam o indivíduo, tornando-o próprio para o convívio em sociedade, para ajudar o vizinho na hora da necessidade, são governos que beneficiam a sociedade como um todo, e não 1% dela.”

Que FALÁCIA!!!! Nenhuma ditadura comunista deu ganho algum ao povo. Quando os comunistas assaltam o poder eles se tornam uma NOVA CLASSE, detentora dos meios de produção e portanto usufruindo de privilégios e benefícios que o povo não tem. O que vimos nos regimes comunistas foi uma repressão brutal, miséria e decadência econômica que, eventualmente, levou a queda sucessivas desses mesmos regimes. O autor deste vídeo se revela um mero propagandista comunista, sem grandes conhecimentos.

Comunista: Errado! Nenhuma deu ganho algum??? A Rússia imperial era um país de analfabetos! O índice de analfabetismo no Império Russo era de 90-95% antes da Grande Revolução de Outubro! Em algumas regiões habitadas pelos cossacos, o índice de pessoas capazes de ler era de cerca de 0,5%, assim com em lugares como o Tadjiquistão ou Cazaquistão, onde sequer havia universidades e energia elétrica.

Todo esse quadro mudou drasticamente no período socialista, o analfabetismo foi eliminado, coisa que nem o mesmo país capitalista mais rico, os EUA, conseguiu fazer na época, as pessoas tiveram pela primeira vez acesso universal a escolas, universidades, centros de saúde e hospitais. Todos também tinham uma casa. O socialismo tomou apenas 20 anos para resolver os problemas do povo trabalhador, o capitalismo tem mais de 200 anos e ainda não resolveu.

Nova classe??? Stalin recebia um salário modesto! Os políticos soviéticos recebiam em média pagamentos em proporção de 3:1 em relação aos operários não-qualificados. Quando Stalin morreu o seu inventário era um par de botas, alguns casacos, alguns livros e seu cachimbo. Que cara rico, não???

Enquanto isso no capitalismo e no fascismo um diretor executivo pode ganhar mais de 10 mil vezes mais do que um trabalhador comum não qualificado e 1% da população mundial detém as riquezas de 40% dela, onde magnatas arrecadam mais do que cidades inteiras.

Você delira feio, vive numa realidade invertida, típico de anticomunistas! A sociedade em que vivemos é uma sociedade degenerada, capitalista, e isso eu vejo todos os dias quando vou ou volto do meu trabalho e vejo mendigos e sem teto lutando para sobreviver!

Objeção5: ERRADO. NÃO HOUVE GANHO ALGUM PARA O POVO. O único “ganho” do comunismo  foi uma repressão brutal contra o povo russo.

 Vejamos o que Nicolas Werth escreveu em seu texto  “Um Estado Contra Um Povo”:

“[…] A estratégia de Lenin mostrou-se correta: diante de um fato já consumado, os socialistas moderados, após denunciarem “a conspiração militar organizada pelas costas dos sovietes”, abandonaram o II Congresso dos Sovietes. Os bolcheviques, a partir de então mais numerosos ao lado de seus únicos aliados – os membros do pequeno grupo socialista-revolucionário de esquerda-, ratificaram o seu golpe de estado junto aos deputados ainda presentes no Congresso, votando um texto redigido por Lenin, que atribuía “todo o poder aos sovietes”. Essa resolução puramente formal fez com que os bolcheviques tornassem credível uma ficção que iria iludir várias gerações de crédulos: eles governavam em nome do povo no “país dos sovietes”. Rapidamente, multiplicaram-se os equívocos e os conflitos entre o novo poder e os movimentos sociais, que haviam agido de maneira autônoma, como forças corrosivas da antiga ordem política, econômica e social.”

Tivemos também períodos de grande fome na então URSS. Primeiro entre 1921-1922 “reconhecidas pelas autoridades soviéticas que apelaram constantemente a ajuda internacional”.  Outra vez, entre 1932-1933  “que representou, segundo fontes hoje incontestáveis, mais de 6 milhões de vítimas!, esta sempre foi negada pelo regime que encobriu com sua propaganda as poucas vozes que, do exteriror do país, chamavam atenção para esta tragédia.” (Nicolas Werth, “Um Estado Contra um Povo”).

Stalin recebia um salário modesto?? Curioso, o sucessor dele, Krushev, não dispensava o caviar!! Queres mesmo que acreditemos nisso? Entenda uma coisa. Quando os comunistas tomam o poder eles tornam-se uma NOVA CLASSE, desfrutando de privilégios e benesses que o povo não tem acesso.  E, assim, essa NOVA CLASSE (da mesma forma que os burgueses que juraram aniquilar) não irá abdicar de seus privilégios. A História demonstrou isso em TODAS as ditaduras comunistas. Negar isso é DESONESTIDADE INTELECTUAL.

O comunista escreve que

Você delira feio, vive numa realidade invertida, típico de anticomunistas! A sociedade em que vivemos é uma sociedade degenerada, capitalista, e isso eu vejo todos os dias quando vou ou volto do meu trabalho e vejo mendigos e sem teto lutando para sobreviver!

Curiosamente, essa miséria está presente em todas as experiências comunistas, ou será que meu interlocutor  comunista quer que  acreditemos que o povo da Coréia do Norte, Cuba etc.  vive na abundância ?

Conclusão: Comunistas quando confrontados com o genocídio e terror produzidos pelo comunismo se deparam com evidências históricas contra o qual eles não tem como refutar.

II

Comunista: O fascismo, a grosso modo, é um movimento da ultra direita (assim como o nazismo) para tentar frear as grandes mobilizações que ocorriam nesses países. Os trabalhadores não cansaram de viver sob a reprodução do capital em cima dos seus trabalhos. Enquanto o capitalismo pode avançar mantendo as condições dos operários europeus explorando outros países foi possível manter o sistema ativo. Após a primeira guerra e com a crise de 1929 (crises aliás cíclicas do capitalismo) a precarização do trabalho e condição de miséria combinada com hiperinflação levou os trabalhadores a rua tentando uma ruptura com o capital. Para tentar frear o movimento veio a contra revolução, ou seja, os nazi e os fascistas. Baseado em ideologias, obviamente, para tentar ganhar as massas para um projeto reacionário. Que ideologias? Essas que estão muito bem descritas no texto.

Objeção1: Essa afirmação é completamente sem sentido, errada. Veja. Que “grandes mobilizações” eram essas? Os trabalhadores europeus estavam unidos a quem? Certamente que não eram aos comunistas, o que mostra que o desenvolvimento do capitalismo nestes países (passada a precariedade das condições iniciais da industrialização) não produziu a desagregação necessária para fomentar a luta de classes, o que na prática impossibilitou os comunistas desses países de tomarem o poder. Nos países europeus que chegaram a se tornar ditaduras comunistas isso só ocorreu devido a agressão externa do exército vermelho. Assim, nos países europeus que não se tornaram comunistas, a exceção da Alemanha e Itália, o que conteve o comunismo foi exatamente a ausência das condições degradantes que não puderam ser exploradas pelos comunistas. Vamos agora a Alemanha e a Itália. Nestes países, havia uma situação socialmente volátil que foi o que semeou a disputa entre nazistas e comunistas na Alemanha, e fascistas e comunistas na Itália. Ou seja, afirmar que

“Após a primeira guerra e com a crise de 1929 (crises aliás cíclicas do capitalismo) a precarização do trabalho e condição de miséria combinada com hiperinflação levou os trabalhadores a rua tentando uma ruptura com o capital”

é uma FICÇÃO criada pelos comunistas. Se realmente houve algum apoio das “massas” a algum movimento, este apoio foi ao nazismo e fascismo (tecnicamente, Hitler ascendeu ao poder sem dar golpe algum) e isso se deu exatamente por essa precarização do trabalho e pela discurso com que nazistas e fascistas seduziram as massas. Isto é, nestes países os trabalhadores não” saíram as ruas” junto aos comunistas que pretensamente sempre se advogam como ponto de união dos trabalhadores. Aliás, essa sua inferência é uma falácia que forma o ponto central do homogêneo discurso ficcional comunista.

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Desmistificando o Comunismo

Desmarxizar a Universidade II

A Submissão do Curso de Serviço Social ao Marxismo

Recentemente, a justiça federal no Maranhão determinou a suspensão, em caráter liminar, das atividades do “Centro de Difusão do Comunismo” (CDC), programa de extensão vinculado ao departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Na ação popular que solicitou a suspensão do CDC, o requerente da ação argumenta que: “o programa, sob o pretexto da autonomia universitária, fere os princípios da moralidade e da legalidade da administração pública, prevista na Constituição, ao usar recursos públicos para divulgar ideologia político-partidária”.

Já em nota, a UFOP afirma que o CDC não é “um programa acadêmico com objetivos político-partidários, e sim, trata-se de extensão, vinculado ao Curso de Serviço Social, para organizar e articular quatro ações de extensão (dois cursos e dois projetos) e oferecê-las de forma gratuita a toda a comunidade, que se insere no programa por livre escolha”.

A abordagem das sutilezas contidas em uma e outra assertiva certamente constituirá um elemento de discussão acalorada entre as partes. Contudo, não é preciso se engajar nesse exercício de retórica para perceber algo mais sintomático e perverso. Com efeito, a questão aqui é outra: O que leva um curso de serviço social a dar tanta importância a difusão do comunismo, a ponto de fazer disso um projeto de extensão que vai muito além da universidade? Tal questão é relevante, pois ilustra como a omissão de pessoas (supostamente) esclarecidas acaba por permitir que uma ideologia (marxismo) acabe se tornando dominante, subjugando cursos que, numa perspectiva mais ampla, não precisariam buscar no marxismo nenhum elemento conceitual relevante.

O que ocorre no departamento de serviço social da UFOP aponta para algo que deve ser, com as devidas gradações, caso comum em outros lugares. Na UFSC, não é diferente. Tomemos, por exemplo, a análise de um vídeo de apresentação do curso de serviço social produzido pelo PET e o Centro Acadêmico Livre do Serviço Social, disponível em http://www.youtube.com/watch?v=rGve25SrgNQ.O material do vídeo de autoria de Giovanny Simon, Mayara Gelsleichter e Davi Perez apresenta o seguinte conteúdo ao qual transcrevi abaixo:

“Uma Breve Introdução ao Serviço Social”
O Serviço Social é uma profissão liberal que tem por objeto de intervenção a questão social. A questão social é uma expressão da classe trabalhadora lutando pelo seu reconhecimento enquanto sujeito político e social.

A classe trabalhadora é o conjunto populacional que somente possui a sua força de trabalho e a vende para a burguesia em troca de um salário. A burguesia é uma classe de interesses opostos à classe trabalhadora e é detentora dos principais meios de produção.

Os meios de produção compreendem todo o conjunto de instrumentos utilizados na produção dos bens de consumo da sociedade, também conhecidos como: terras, fábricas, indústrias, minas de extração, maquinário e tecnologias em geral. No capitalismo atual, esses meios de produção são propriedade da burguesia monopolista. O monopólio é um estágio do capitalismo onde os meios de produção concentram-se nas mãos de poucos, neste caso, a livre concorrência entre empresas é anulada.

Cada vez mais a riqueza é produzida por todos e é apropriada por poucos. Uma consequência disso é o desemprego estrutural, com a decorrência de fome, miséria, analfabetismo, violência e todas as outras mazelas dessa sociedade. Essas são expressões da questão social onde o profissional do serviço social atua. A sua atuação se efetiva através das políticas sociais e da organização popular. A organização popular é um meio que a classe trabalhadora em geral utiliza para reivindicar seus direitos. Os direitos são, na maioria das vezes, efetivados através das políticas sociais. As políticas sociais são instrumentos de atuação do assistente social inserido nas mais diversas áreas como, previdência, habitação, educação, o meio sócio-jurídico, a saúde, criança e adolescente, idoso, assistência social, assessoria, e movimentos sociais.

Os movimentos sociais são a materialização da organização popular, ou seja, o povo organizado que luta pela resolução de seus problemas mais sentidos que são as expressões do capitalismo e da questão social. O assistente social, neste contexto, é um agente político que se coloca do lado do povo e da classe trabalhadora na luta pelos seus direitos.

Fica evidente deste texto que Davi Perez e seus colegas pensam o serviço social unicamente dentro de uma crítica ao capitalismo (será que eles estenderiam sua crítica a condição de miséria e degradação dos trabalhadores em Cuba?). No texto, o viés marxista se manifesta explicitamente em vários elementos (ênfase na dicotomia classe trabalhadora x burguesia) e expressões típicas (organização popular etc.) e, por isso, resulta num material de propaganda doutrinária que não pode ser tomado como representativo de um curso, já que se revela deteriorado, superficial e tendencioso na forma com que trata o serviço social. É inaceitável que tal material vexatório tenha tido a anuência do departamento de serviço social, pois custa acreditar que departamentos de serviço social em outros países (democráticos) apresentem o curso da mesma maneira (talvez haja alguma semelhança com alguma universidade em Cuba, Vietnam, Coréia do Norte,…).

Ora, mas a situação é de todo confusa, pois, se pensarmos no que constitui os elementos do “social work” esperaríamos identificar um escopo de conceitos mundialmente reconhecidos e categorizados. Mas, o que dizer se no Brasil as pessoas pensam o serviço social dentro de uma ótica puramente marxista correndo o risco de serem desacreditados pelo que mundialmente se concebe por serviço social? Tal absurdo não ocorre em outras áreas. Por exemplo, um colega da área de equações diferenciais parciais que trabalhe com equações elípticas investiga problemas que o aproxima de colegas da mesma área de equações elípticas em qualquer lugar do mundo. Vemos então que a insistência no Brasil de submeter o serviço social a uma leitura marxista indica que ele não existe como um departamento independente, mas constitui um mero apêndice de um departamento (virtual) de “crítica marxista”, que congrega vários cursos que padecem do mesmo mal.

Não deixa de causar repulsa a assumida presunção de Davi Perez e seus colegas de acharem que “os problemas mais sentidos da classe trabalhadora são a expressão do capitalismo e da questão social”, e que “o assistente social, neste contexto, é um agente político que se coloca do lado do povo e da classe trabalhadora na luta pelos seus direitos.” Com efeito, uma afirmação deste tipo ignora a exploração e degradação a que os trabalhadores estão submetidos nas ditaduras comunistas (afinal, isso sequer é mencionado, e Davi Perez é um bem conhecido apologista do comunismo) , que passa a ser então um modelo a ser construído pelo assistente social. Essa visão que Davi Perez e seus colegas tentam imprimir ao curso de serviço social é maléfica para o Brasil, pois comprova a conotação ideológica a que estarão submetidos os jovens que decidirem cursar serviço social. Definitivamente, a sociedade que financia a universidade precisa ser consultada se aprova o funcionamento de um curso serviçal de uma ideologia.

Quanto a Davi Perez e seus colegas autores do vídeo espera-se que, uma vez formados, tenham a honestidade intelectual de por no seu portfólio o vídeo onde expressam sua visão da função a ser desempenhada pelo assistente social e que não venham a trabalhar numa empresa privada. Isso seria um próprio atestado do fracasso de sua ideologia, afinal, que consistência há num indivíduo que enquanto estudante posava de revolucionário, se depois, por falta de opção, tiver que trabalhar para aquele a quem mais despreza?

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