Uncategorized

Lembrai-vos de 35!

Gen. Bda. R1- Ferdinando de Carvalho

 

O comunismo não é a fraternidade; é a invasão do ódio entre as classes. Não é a reconciliação dos homens; é a sua exterminação mútua. Não arvora a bandeira do evangelho, bane Deus das almas e das reivindicações populares. Não dá trégua à ordem. Não conhece a liberdade cristã. Dissolveria a sociedade. Extinguiria a religião. Desumanaria a humanidade. Everteria, subverteria, inverteria a obra do Criador.

Rui Barbosa

 

A Novembrada de 1935

A irrupção traiçoeira e sangrenta da revolta armada que abalou Natal, Recife e o Rio de Janeiro, nos últimos dias de novembro de 1935, foi o infame desfecho da tresloucada tentativa de conquista do poder por um grupo de audaciosos comunistas, coadjuvado por ignorantes e oportunistas. A virulência das idéias e dos propósitos marxistas-leninistas que os animava era incentivada pela ineficácia da ação preventiva governamental, inspirada, naquela época, por uma intenção mal compreendida de apaziguamento e tolerância. Ainda fumegavam as cinzas da luta de 1932, em São Paulo, e o próprio governo que a Revolução de 1930 empossara não se sentia suficientemente forte para desafiar francamente as correntes de oposição. A política de conciliação admitia como permissíveis, na ordem democrática que implantara, as atividades inflamadas de grupos radicais, entre os quais se destacavam os comunistas empenhados em tenebrosa conspiração.

A direção suprema do Movimento Comunista Internacional, de seus gabinetes em Moscou, entusiasmada com as informações que lhe transmitiam próceres bolchevitas brasileiros, conceituava a situação em nosso País como altamente favorável a uma revolução armada e à implantação conseqüente de um regime comunista, de grande influência no domínio político de toda a América Latina.

O golpe deveria ser desfechado com a máxima surpresa e violência, em todo o território nacional. Do Comintern moscovita partiam as ordens e um substancial apoio financeiro. Os líderes que comandariam as ações deveriam ser competentes e ideologicamente preparados. Sua fidelidade à Internacional Comunista não deveria suscitar dúvidas.

As conseqüências de toda essa trama terrível foi a Novembrada de 1935. Conquanto falhassem as previsões de um movimento generalizado, o País viveu, naqueles dias, a inquietação, o terror e as aflições da luta fratricida. Centenas de vidas foram sacrificadas. E o que restou? Algo de construtivo, de louvável, de glorioso? Não. Apenas as indeléveis cicatrizes da vergonha e o eco doloroso das lamentações.

 O Núcleo da Subversão

O Partido Comunista do Brasil, hoje Partido Comunista Brasileiro, filiado ao Comintern, foi o centro de irradiação de toda a doutrinação e agitação bolchevista que culminou com a rebelião armada de 1935. Fundada em 1922, essa agremiação ilegal herdara os resíduos das manifestações anarquistas e socialistas que se alastraram no País desde a criação da Confederação Operária (COB) em 1908. Essas atividades intensificaram-se com a vitória dos comunistas na União Soviética e, principalmente, depois que o Comitê Militar Revolucionário Russo derrubou o governo de Kerensky em 1917.

Quando ecoaram no Brasil os sucessos extremistas na Rússia, destacando-se o assalto ao poder pelos agitadores comunistas e o assassinato dos remanescentes da família imperial, incrementou-se a propaganda vermelha, induzindo numerosos esquerdistas a ingressarem nas fileiras do PCB. A agitação grevista recrudesceu e tumultuosos conflitos se sucederam nas principais cidades brasileiras. Embora não reconhecido legalmente, o Partido desenvolvia ostensivas atividades, aliciando adeptos, provocando desordens, realizando comícios e reuniões, patrocinando greves, infiltrando-se em organizações operárias como a Confederação Geral dos Trabalhadores e a Federação Sindical.

Em 1927, sucedendo-se ao quatriênio repressivo do governo Artur Bernardes, o presidente Washington Luís decidiu empreender um afrouxamento político das medidas excepcionais decretadas por seu antecessor, em razão dos surtos revolucionários que irromperam no Brasil em 1922 e 1924. Com a suspensão do estado de sítio, porém, o movimento comunista ganhou nova impulsão. Ressurgiu a imprensa extremista, destacando-se o vespertino “A Nação” de Leônidas de Rezende. O recrudescimento da ação bolchevista chegou a tal ponto que o Congresso foi compelido a votar a chamada “Lei Celerada”, decretando oficialmente a ilegalidade do PCB.

Os líderes do Partido, como sempre inconformados, resolveram prosseguir suas atividades na “dura clandestinidade” e utilizar também uma organização de “fachada”: o Bloco Operário e camponês (BOC).

Alguns dirigentes do PCB alvitraram então atrair para seus quadros antigos revolucionários e descontentes, entre os quais se encontravam os elementos da Coluna Prestes, nessa época exilados na Bolívia.

Em dezembro de 1927, Luiz Carlos Prestes, o célebre comandante da Coluna, veio a Puerto Suarez, ao encontro de Astrogildo Pereira que representava o PCB. Prestes, acompanhado por dois oficiais exilados, conversou longamente com Astrogildo. Ao remate dessa entrevista, o dirigente comunista entregou-lhe várias obras sobre a doutrina marxista-leninista e recomendou-lhe que as estudasse, visando particularmente a aplicá-la no problema brasileiro.

As demonstrações de simpatia em relação ao marxismo-leninismo exteriorizadas por Prestes, em seu contato com o PCB, logo surtiram efeito. Desencadeou-se, na imprensa brasileira, uma campanha de endeusamento da figura de Luiz Carlos Prestes. Seu aniversário foi comemorado com referências especiais. A marcha em retirada que a Coluna Prestes empreendeu durante sua revolta foi descrita como um feito ímpar, uma jornada gloriosa, digna de figurara entre as grandes tradições militares do universo.

Na realidade, o movimento comunista no Brasil debatia-se, antes da ascensão de Prestes, em uma crise, resultante da disputa pela liderança. Vários dirigentes procuravam impor-se, carecendo, entretanto, do apoio imprescindível de Moscou. O Comintern demorava em decidir-se, porque ainda não encontrara entre os disputantes aqueles atributos de personalidade capazes de afirmar e unificar o movimento.

Em Julho de 1929, Astrogildo Pereira esteve em Moscou, depondo perante o Comitê Executivo do Comintern. No afã de ressaltar o trabalho dos comunistas no Brasil, descreveu a situação nacional com aspectos tão degradantes que os dirigentes moscovitas julgaram a crise política altamente favorável a uma expansão do comunismo. Astrogildo discorreu sobre a Coluna Prestes, envolvendo-lhe a façanha com as cores mais heróicas. Entusiasmou-se o Comintern com a possibilidade de aquele pequeno grupo de exilados brasileiros partir para um movimento insurrecional abrangendo toda a América Latina. Elementos do Comintern vieram entender-se com Prestes e um emissário da Coluna, Josias Carneiro Leão, seguiu para Moscou a fim de obter recursos financeiros.

A maioria dos exilados repudiava, entretanto, um acordo com os comunistas. Vários líderes da Coluna foram convidados a viajar para a União Soviética e recusaram. Luiz Carlos Prestes era talvez o único que aceitava de bom grado as insinuações e conversações comunistas.

A Conversão Marxista-Leninista de Luiz Carlos Prestes

Avizinhava-se a turbulenta fase eleitoral no Brasil. Em 1929, a disputa acirrada entre os inúmeros candidatos á Presidência da República prenunciava a eclosão de um conflito muito sério entre as forças políticas situacionistas, acusadas de corrupção e parcialismo, e as hostes liberais, que já haviam animado vários movimentos revolucionários. Reivindicavam os liberais uma total remodelação do quadro político nacional, com a erradicação do sistema viciado pelo coronelismo e pela sistemática fraude eleitoral. Vários elementos comunistas pretendiam associar-se a essa corrente, a fim de aproveitar-se de seu conteúdo revolucionário, mas essa atitude, tachada de “reboquista” era combatida dentro do próprio partido.

A personalidade de Prestes, aureolada pela legenda dos feitos da “Coluna”, recebia de seus admiradores o epíteto de “Cavaleiro da Esperança” e surgia-lhes como uma das mais promissoras lideranças nas correntes liberais. As tendências radicais, que começava a manifestar, foram, entretanto, desiludindo muitos de seus simpatizantes e acarretaram-lhe o progressivo afastamento de seus próprios companheiros. A maioria dos antigos membros da Coluna passaram a conspirar com os liberais da oposição não-comunista.

Em 1930, Prestes fundou a Liga da Ação Revolucionária (LAR), com a qual pretendia patrocinar uma “revolução agrária e antiimperialista”. As adesões foram-lhe, todavia, insignificantes e a Liga não passou praticamente de uma concepção platônica.

Veio a Revolução de 1930 e Getúlio Vargas ascendeu ao poder, convocando para postos de confiança os antigos revolucionários. Prestes, entretanto, recusou o oferecimento e resolveu romper definitivamente com o movimento liberal, para ingressar nas fileiras comunistas. Desprezou a anistia que decretara o novo governo e, em vários pronunciamentos públicos, reafirmou a sua profissão de fé marxista-leninista. Em março de 1931, em carta aberta, declarava-se arrependido de suas hesitações anteriores e se dizia francamente adepto do “internacionalismo proletário”, atacando asperamente seus antigos correligionários que haviam repudiado o alinhamento nas hostes bolchevistas.

A história do comunismo está cheia de contradições e surpresas. A adesão de Prestes e a sua ascensão nos quadros do Partido experimentaram muitas resistências, principalmente por parte daqueles que disputavam os postos mais altos da hierarquia partidária. Houve quem declarasse que o crescimento da influência de Prestes era um fator divisionista. Leôncio Basbaum foi um dos seus mais ferrenhos opositores.

O problema suscitou debates no Comintern que se inclinava por Prestes, mas reconhecia não estar ele preparado política e ideologicamente para assumir as funções de mais elevada direção. O Partido Comunista da União Soviética enviou dois representantes: Ines Guralsky, esposa de Agusto Guralsky, e o ex-deputado alemão Ernest Ewert para restabelecer a disciplina partidária no PCB e para “convidar” Prestes a um estágio de educação política em Moscou.

Prestes vacilava entre seus impulsos de antigo líder revolucionário e o enquadramento dentro das normas rígidas da disciplina comunista. Em outubro de 1931, sargentos e cabos comunistas em Recife convocaram Prestes para chefiar uma revolta que pretendiam desencadear. Prestes teve que recusar. Não estava autorizado por Moscou. A rebelião eclodiu no dia 29 de outubro, mas não contou com o apoio do PCB. O levante foi derrotado pelas tropas legalistas, deixando um saldo de mais de uma centena de baixas, entre mortos e feridos.

A rebelião de Recife e inúmeras outras manifestações da ação comunista no Brasil despertaram algumas providências governamentais que já denotavam a preocupação das autoridades com o crescente perigo vermelho. Era, porém, uma reação tímida, quase inconseqüente. O PCB, apoiado pelo Comintern, prosseguia obstinadamente em suas ações, disseminando uma propaganda nociva e persistente, insinuando-se em todos os setores e agitando o operariado. Enquanto isso, Prestes se preparava na União Soviética, conscientizando-se firmemente da missão que lhe destinara o Movimento Comunista Internacional: chefiar uma revolução armada e implantar uma ordem comunista no Brasil.

A Aliança Nacional Libertadora

Não eram suficientes, para os fins colimados, as organizações auxiliares semilegais de que dispunham os comunistas, como a Frente Única Sindical, a Frente Única Popular e os sindicatos profissionais infiltrados e dominados. Essas entidades de fachada eram extremamente úteis para o chamado “trabalho de agitação e propaganda”. Mas, para construir o ambiente de tensão e crise, propício a uma insurreição armada, era necessária uma organização mais potente e atuante.

  “Não existe revolução espontânea”,

dizia Lenin.

“É preciso que se construa uma situação em que os fatores da crise estejam tão aguçados que a insurreição se desencadeie pelo motivo mais fútil”.

Os comunistas elaboraram uma concepção maquiavélica: a “teoria da transformação das revoluções”. Segundo este conceito, as massas são conduzidas à rebelião por ideais liberais e democráticos. Depois, através de uma radicalização das ações ou desmoralização da própria revolução, as massas passam a apoiar os extremistas vermelhos. Uma operação dessa natureza tencionavam aplicar em nosso País.

Com esses objetivos, surgiu em março de 1934, a Aliança Nacional Libertadora, fundada com o ostensivo apoio do PCB. Com um programa figuradamente liberal, tinha em vista amalgamar toda a organização subversiva e esquerdista, levantando reclamos radicais, excitando as massas a uma demagogia impressiva. Foi lançada através de um Manifesto á Nação, assinado por vários militares e civis, entre os quais se contavam Hercolino Cascardo, Carlos Amorety Osório, Roberto Sisson, Benjamim Soares Cabello, Francisco Mangabeira e Manoel Venâncio Campos da Paz.

As cinco reivindicações principais que a ALN lançava em seu documento de fundação eram simplesmente as seguintes: cancelamento de toda a dívida externa do Brasil com os “países imperialistas”; nacionalização de todas as empresas estrangeiras; concessão total dos denominados “direitos individuais”; implantação de um “governo popular”, e cessão das terras consideradas latifúndios aos camponeses.

Esse roteiro extremado, conquanto inquietasse os setores conservadores do País, causou excelente impressão nos órgãos de direção do Movimento Comunista Internacional.

Em sessão solene no Teatro João Caetano, Luiz Carlos Prestes foi aclamado Presidente de Honra da Aliança Nacional Libertadora. “Tomamos o único caminho que nos poderá levar ao poder soviético e ao socialismo”, disse ele.

Empunhando os estandartes da ALN, os comunistas estenderam as suas ações por todo o território nacional. O lema de propaganda era: “Todo o poder com a Aliança Nacional Libertadora, com Luiz Carlos Prestes à frente”. Parodiavam os dísticos da revolução comunista russa.

No mundo bolchevista, a ANL surgia como uma estrela de primeira grandeza. Era a vanguarda do Movimento Comunista Internacional na América Latina. Concretizava um dos objetivos do Comintern que assim se expressou:

   “A missão dos comunistas no Brasil é expandir a ANL, a fim de gerar um levante nacional, baseado no programa popular revolucionário contra os bandidos imperialistas e contra o governo de dominação reacionária encabeçado por Getúlio Vargas”.

Incentivado pela intensificação da atividade comunista no continente sul-americano, o Comintern criou um Secretariado Latino-Americano, situado em Montevidéu, para o apoio aproximado das organizações filiadas na América Latina.

Dimitrov declarou no VII Congresso da Terceira Internacional em Moscou:

“No Brasil, o Partido Comunista deu uma boa base ao desenvolvimento de uma frente contra o imperialismo ao criar uma Aliança de emancipação nacional. Deve empenhar-se com todas as suas forças para impulsionar essa frente, conquistando para a mesma, sobretudo, os milhões de camponeses e orientando o movimento no sentido da formação de destacamentos de um Exército Popular Revolucionário extremamente devotado, até que seja alcançado o objetivo final, e no sentido da organização do poder dessa Aliança Nacional Libertadora”.

Ainda nessa mesma reunião, o delegado holandês Van Mine, membro do Comitê Executivo do Comintern revelou explicitamente em sua comunicação:

“Devo expor a todos os camaradas que se interessam pelo desenvolvimento e expansão do comunismo na América Meridional, que no Brasil já existe uma ampla e bem organizada associação, denominada Aliança Nacional Libertadora, da qual já participa um grande número de oficiais do Exército e da Marinha Brasileira. Essa Aliança foi criada sob orientação secreta, mas direta, do Partido Comunista do Brasil, segundo instruções confidenciais da Liga Soviética em Montevidéu. Essa Aliança segue cegamente as ordens do nosso bravo camarada Prestes que foi, em numerosos comícios públicos, realizados no Brasil, aclamado como seu chefe absoluto e Presidente de Honra”.   

Esses textos demonstram claramente os objetivos e a associação da Aliança Libertadora Nacional com o Movimento Comunista Internacional.

No desempenho do seu papel na montagem subversiva, a ANL iniciou uma inflamada campanha em grade número de cidades brasileiras. Nesse trabalho, associaram-se a ela outras agremiações esquerdistas, como a “União Feminina do Brasil” e a “Aliança por Pão, Terra e Liberdade”.

A pregação perniciosa e ameaçadora da ANL levantou protestos e apreensões. Não se escondiam suas intenções de congregar todos os descontentamentos, de inflamar todas as insatisfações para fomentar a subversão. A 12 de julho de 1935, o governo determinou o fechamento dessa danosa associação. Já era tarde, porém.

Prepara-se o Golpe Armado Subversivo

 Nos primeiros dias de março de 1934, desembarcava no Rio, vindo de Buenos Aires, um viajante estranho, de olhar desconfiado e arredio. Apresentou um passaporte americano, com o nome de Harry Berger. Recebido por dois ou três elementos comunistas, ele e sua mulher logo desapareceram. Este cidadão era, na realidade, o agente alemão do Comintern chamado Arthur Ernst Ewert. Ex-deputado em seu país, era ficado como espião e havia sido processado por alta traição. Foi mandado para o Brasil, com alguns outros agitadores, como Rodolpho Ghioldi e Jules Vales, para assessorar o planejamento da rebelião comunista.

Harry Berger foi realmente o principal elemento da concepção de toda a ação insurrecional irrompida no Brasil, até sua prisão a 25 de dezembro de 1935.

Pouco depois de sua chegada, desembarcava também outra personalidade importante : Luiz Carlos Prestes, que trazia um passaporte falso e vinha acompanhado de sua mulher, de naturalidade alemã. Vinha convicto da missão que lhe impusera o Comintern: chefiar o movimento armado que se preparava no Brasil e que deveria eclodir dentro de alguns meses.

A face comunista de Prestes ainda não se achava inteiramente desmascarada. Muitos ainda o viam como aquele jovem oficial que comandara um grupo de idealistas num cometimento heróico. Para estes, ele ainda era o “Cavaleiro da Esperança”. Assim, a sua figura histórica atraiu muitas pessoas para as fileiras da Aliança, ignorantes da trama subterrânea que se montava.

Mas esse carisma era também exagerado por alguns. Fernando de Lacerda, por exemplo, declarou no VII Congresso do Comintern que o povo brasileiro “se alistava aos milhões” nos quadros da ALN. Essa falsa estimativa foi desastrosa para os comunistas. Como sempre tem ocorrido, eles superestimavam os seus efetivos de apoio. Confiantes no imenso respaldo popular que julgavam possuir, sentiram-se bastante fortes para desafiar o poder legal e impor ao povo brasileiro a ordem marxista-leninista. Para eles, a revolução armada seria um golpe de misericórdia em uma estrutura profundamente deteriorada.

Em uma publicação do Comintern, editada na época, pode-se ler:

“As massas do povo brasileiro, a frente unida nacional e o Partido Comunista do Brasil estão capacitados a desencadear a contra-ofensiva e, apesar das represálias da reação, estão aptas a travar a batalha decisiva por pão, terra e liberdade e pelo poder com a Aliança Nacional Libertadora”.

Enquanto, nas sombras das conspirações e das cominações clandestinas, os subversivos concertavam os planos para a ação violenta, tarefas principalmente a cargo dos elementos militares, a ANL e seus propagandistas procuravam ampliar o seu núemro de adeptos.Prestes escreveu para vários de seus antigos companheiros, estendeu a mão mesmo para adversários, convocando-os para um movimento de deposição do governo. Seus apelos foram, entretanto, recusados, na maior parte. Miguel Costa, por exemplo, respondeu-lhe que um levante armado naquela época seria uma sandice e que qualquer revolução para ser vitoriosa demandaria uma longa e demorada preparação.

Mas o Comintern exigia pressa e ação. Harry Berger, considerado um entendido em golpes subversivos, orientava e dinamizava os planos. Em um dos seus relatórios ao Comintern ele escrevia:

A etapa atual da revolução armada no Brasil. Está em franco desenvolvimento uma revolução nacional antiimperialista. A finalidade da primeira etapa é a criação de uma vasta frente popular – operários, camponeses, pequeno-burgueses e burgueses que são contra o imperialismo – depois, a ação propriamente dita, para a instituição de um governo popular nacional revolucionário, com Prestes à frente e representantes daquelas classes. Mas, como condicional básica, esse governo se apoiará nas partes revolucionárias infiltradas no Exército e, depois, sobre os operários e camponeses articulados em formações armadas”.

“Nesta primeira fase, não serão organizados sovietes, porque isso reduziria, prematuramente, as hostes populares. Não obstante, o poder verdadeiro estará em maior escala nas aldeias, nas mãos das Ligas e Comitês de camponeses que se formarão e que também articularão formações do povo em armas para a proteção do Governo Popular e para a defesa dos seus interesses. Nessa primeira etapa, a ação será, antes de tudo, desencadeada contra o imperialismo, os grandes latifúndios e contra os capitalistas que, traindo a Nação, agem de comum acordo com o imperialismo.”

“Nós só passaremos a modificar os objetivos da primeira etapa, só erigiremos a ditadura democrática dos operários e camponeses na forma de sovietes, quando a revolução no Brasil tiver atingido uma grande concentração. Os pontos de apoio do Governo Popular Nacional Revolucionário serão os sovietes, mais as organizações de massa e o Exército Revolucionário do Povo. A transformação do Governo Popular Nacional Revolucionário, com Prestes à frente, tornar-se-á oportuna e real com o desenvolvimento favorável da Revolução do Governo Popular”.

Esse texto demonstra cabalmente que os planos de Harry Berger traduziam a aplicação concreta da “teoria da transformação das revoluções”. O movimento comportaria duas fases: na primeira seria organizado um governo popular de coalizão. Mas, quando sistema estivesse suficientemente fortalecido, viriam os sovietes, o Exército do Povo e a total hegemonia dos comunistas.

Luiz Carlos Prestes estava entusiasmado com o projeto revolucionário. Não lhe passava na mente a idéia de um insucesso. A 5 de julho, lançou um manifesto vigoroso em que concitava o povo a garantir a segurança das reuniões e dos chefes comunistas e o alertava para que se preparasse, pois o momento do assalto ao poder já se aproximava.

O Comintern prestigiava a chefia de Prestes. Em ordem expressa determinou que ele fosse integrado no Comitê Central do Partido Comunista.

Mas a idéia de um levante armado preocupava os elementos mais ponderados do PCB. Esboçou-se uma débil reação. O Comintern considerava, entretanto, a ação violenta como uma promissora experiência para a implantação de um regime comunista em toda a América Latina. Por essa razão, enviou a um escritório comercial soviético em Montevidéu recursos financeiros destinados a apoiar a insurreição no Brasil.

Diante dessa situação, o governo brasileiro hesitava. O problema era quase totalmente circunscrito à esfera policial que se limitava a remeter informações aos escalões superiores, através dos canais competentes. A burocracia imobilizava. O desconhecimento da técnica subversiva bolchevista desnorteava.

Nas Froças Armadas a infiltração era grande. Células comunistas, envolvendo oficiais e sargentos, funcionavam no Exército e na Marinha. Milícias populares organizavam-se secretamente. Elementos do Partido Comunista preparavam greves e agitações nos meios operários e camponeses. Manifestos e instruções subversivas circulavam nos quartéis e em organizações sindicais.

Em novembro, consideravam os comunistas que o levante armado estava convenientemente preparado. A ação militar estava planejada. O ambiente de insatisfação se agravava em todo o País.

Enquanto Harry Berger depurava cuidadosamente os planos, Prestes atuava com invulgar energia, procurando centralizar e unificar as ações. Em nome da causa vermelha, pessoas consideradas suspeitas forma expulsas do Partido e, até mesmo eliminadas, como ocorreu com a menina Elza Fernandes, assassinada por ordem de Prestes, como atesta a carta de seu próprio punho.

“Por que modificar a decisão a respeito da “Garota”?

dizia ele nesse documento.

“Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido, como elemento inteiramente a serviço do adversário, conhecedora de muita coisa e testemunha única contra um grande número de companheiros e simpatizantes?”

E mais adiante, confirma seu veredicto:

“Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes, tenho dado a minha opinião sobre o que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar, nem creio que os últimos bilhetes possam modificar uma tal decisão”.

E, em conseqüência dessa decisão, a menor Elza Fernandes, suspeita de saber e falar demais, foi barbaramente trucidada … Quantos crimes como este se cometeram em nome do sigilo subversivo? Quantos ficaram desconhecidos e impunes?

Apesar de todos os seus cuidados e preocupações, lutavam os comunistas para assegurar a coordenação das ações em toda a extensão do território nacional, servida, naquela época, por uma precária rede de comunicações. Agravava esse problema a diversidade das condições locais, a heterogeneidade dos interesses e reivindicações.

Havia severas restrições de clandestinidade, mas sempre alguma coisa transpirava das articulações insurrecionais. Tudo estava previsto para o irrompimento simultâneo do levante armado, em todo o País, a um sinal dado por Prestes do Rio de Janeiro. Mas, sob o influxo das tensões locais, o movimento foi precipitado no Nordeste.

Cinco Dias de Terror em Natal

Não ficou bem esclarecida até hoje a causa da precipitação do desencadeamento da revolução comunista no Rio Grande do Norte. Pensam uns que houve má interpretação das instruções de Prestes. Julgam outros que houve mesmo uma provocação do governo, o que não parece muito plausível. Natal era uma cidade provinciana e pacata. Apesar disso, os comunistas provocavam algumas agitações e conseguiram aliciar alguns militares de postos inferiores. O Governador do Estado, Rafael Fernandes, extinguira, há pouco tempo, a guarda-civil e o Partido Comunista procurava capitalizar a animosidade do pessoal demitido.

Ao anoitecer do dia 23 de novembro, dois sargentos, dois cabos e dois soldados sublevaram o 21o Batalhão de Caçadores. Aproveitando o licenciamento do sábado, eles invadiram a sala do oficial-em-dia, fortemente armados, prenderam o oficial e dominaram o aquartelamento. Imediatamente, entraram na Unidade, bandos de civis que se haviam reunido na praça fronteira. Apoderaram-se do armamento e das munições do Exército e distribuíram-se em grupos para diversos pontos importantes da cidade. Esses bandos de agitadores engrossavam-se no caminho com adesistas aventureiros, a maioria dos quais nem sabia exatamente do que se tratava.
Investiram, em seguida, contra a Unidade da Polícia Militar onde o Coronel José Otaviano Pinto Soares, Comandante do 21o Batalhão de Caçadores, com o apoio do Comandante do Batalhão de Polícia, Major Luis Julio, conseguiu montar uma defesa que resistiu durante 19 horas, até render-se por falta de munição.

Cenas de vandalismo e crueldade tiveram lugar. Casas comerciais e residências forma saqueadas e depredadas. Autoridades legais foram presas ou se evadiram. O Governador homiziou-se no Consulado da Itália. Navios no porto forma ocupados. Grande número de instalações forma danificadas com selvageria.

Enquanto essa mazorca dominava o ambiente da cidade, instalava-se em palácio, com todos os seus familiares, o “Comitê Popular Revolucionário” constituído pelas seguintes personalidades: funcionário estadual Lauro Cortez Lago, Ministro do Interior; Sargento músico Quintino Clementino de Barros, Ministro da Defesa; sapateiro José Praxedes de Andrade, Ministro do Abastecimento; funcionário postal José Macedo, Ministro das Finanças; estudante João Batista Galvão, Ministro da Viação. Assumiu o comando do 21o BC o cabo Estevão, enquanto o sargento Eliziel Diniz Henriques era investido no comando geral da Guarnição Federal.
Os primeiros atos do Comitê foram as ordens para o arrombamento dos bancos e repartições públicas. Simultaneamente, promoveu inúmeros rebeldes a patentes militares superiores e determinou prisões de várias pessoas.

Estabeleceu-se, em pouco tempo, um clima de terror em toda a cidade. Violações, estupros, pilhagem e roubos generalizaram-se. Caminhões e automóveis particulares eram sumariamente requisitados. Dois cidadãos foram covardemente assassinados sob a acusação de que estavam ridicularizando o movimento. A população começou a fugir de Natal.

Colunas rebeldes ocuparam as localidades de Ceará-Mirim, Baixa Verde, São José do Mipibu, Santa Cruz e Canguaratema.

A primeira reação partiu de um chefe político do interior, Dinarte Mariz, que conseguiu surpreender e derrotar um grupo comunista com uma pequena força de sertanejos que arrebanhou apressadamente.

Mas durante vários dias prosseguiram os desmandos da insensatez comunista na capital do Estado.

Quando as tropas legais, vindas de Recife, marcharam sobre Natal, o Comitê Popular Revolucionário desfez-se rapidamente. Dissolveu-se sem a menor resistência. Todos os “Ministros” e “Comandantes militares” fugiram, com seus bandos de comparsas, levando o que podiam. Durante muito tempo, esses elementos foram sendo aprisionados no interior do Estado.
Foi esta, em síntese, a história vergonhosa do mais duradouro governo comunista no Brasil, até os dias atuais. Foi a mais lamentável demonstração do que pode representar a ascensão ao poder de um grupo de bolchevistas inescrupulosos e dispostos às ações mais bárbaras, seguidos por uma coorte de oportunistas e ignorantes.

 Luta Cruenta em Pernambuco

Os acontecimentos de Natal precipitaram a eclosão do movimento subversivo concertado em Recife. Aí se travou o mais cruento conflito de todo o levante.

A ação armada foi desfechada também de surpresa. Apesar de não terem o sinal de partida a ser dado por Prestes e contrariando a opinião de Silo Meireles, indigitado coordenador do movimento no Nordeste, os comunistas, infiltrados em várias organizações militares, decidiram agir.

Na manhã do dia 25 de novembro, um sargento, chefiando um grupo de civis, atacou a cadeia pública de Olinda. Logo depois, o Sargento Gregório Bezerra tentava apoderar-se do Quartel-General da 7a Região Militar, matando o Tenente José Sampaio e ferindo o Tenente Agnaldo Oliveira de Almeida, antes de ser subjugado e preso.

Na Vila Militar de Socorro, o Capitão Otacílio Alves de Lima, o Tenente Lamartine Coutinho Correia de Oliveira e o Tenente Roberto Bomilcar Besouchet, notórios comunistas, sublevaram o 29o Batalhão de Caçadores e marcharam sobre a capital pernambucana. Arrebanhando centenas de aderentes e civis e apossando-se de todo o armamento e munição que encontravam, os revoltosos tomaram posição, preparando-se para o ataque a Recife. O Tenente-Coronel Afonso de Albuquerque Lima, subcomandante da Brigada Policial, conseguiu, entretanto, reunir um contingente que procurou deter os revoltosos. O Capitão Malvino Reis Neto, Secretário de Segurança Pública, armou a Guarda Civil e várias organizações policiais, deslocando-se em reforço das tropas legais. Os combates tornavam-se cada vez mais intensos, mas essa reação permitiu prazo suficiente para que unidades de Maceió e João Pessoa pudessem ser deslocadas para o teatro da luta e restabelecer progressivamente o cerco aos revoltosos.
Na manhã do dia 25, as forças legais já dispunham do apoio de artilharia e atacavam fortemente os núcleos de resistência dos comunistas. O número de baixas era muito grande. Havia mais de uma centena de mortos nas fileiras rebeldes. Alguns elementos procuravam romper o cerco e evadir-se para o interior do Estado.

No dia seguinte, Recife já estava completamente dominada pelas forças legalistas e os rebeldes, praticamente derrotados. Apenas pequenos grupos de fugitivos estavam sendo perseguidos. O 20o Batalhão de Caçadores já podia se deslocar para Natal, ainda em poder dos comunistas.

Madrugada Sangrenta no Rio de Janeiro

Notícias confusas e alarmantes chegavam ao Rio de Janeiro dos acontecimentos de Natal e Recife. Havia uma permanente atmosfera de tensão e perplexidade. O governo obtivera do Congresso a decretação do estado de sítio. Esperava-se uma ação comunista a qualquer momento, sem que se pudesse precisar onde surgiria. A desconfiança e a apreensão dominavam em todas as unidades militares, submetidas a um regime de severa prontidão que extenuava o pessoal e aumentava o nervosismo reinante.

Prestes declarou, em nota enviada a Trifino Correia em Minas Gerais, que não poderia aguardar mais tempo e que a rebelião precisava irromper dentro de dois a três dias. Efetivamente, sua ordem para o desencadeamento das ações marcava a hora H para as duas da madrugada de 27 de Novembro.

As autoridades não ignoravam que elementos comunistas infiltrados em vários quartéis estavam na iminência de uma insurreição. Mesmo assim, houve terríveis surpresas. Muitos dos comprometidos não figuravam nas relações de suspeitos.

Na Escola de Aviação, em Marechal Hermes, os Capitães Agliberto Vieira de Azevedo e Sócrates Gonçalves da Silva, juntamente com os tenentes Ivan Ramos Ribeiro e Benedito de Carvalho assaltaram o quartel de madrugada, e dominaram a Unidade. Vários oficiais foram assassinados ainda dormindo. O Capitão Agliberto matou friamente o seu amigo Capitão Benedicto Lopes Bragança que se achava desarmado e indefeso.

Em seguida, os rebeldes passaram a atacar o 1o Regimento de Aviação, sob o comando do Coronel Eduardo Gomes, que, apesar de ferido ligeiramente, iniciou a reação.

Forças da Vila Militar acorreram em apoio ao Regimento e, após algumas horas de violenta fuzilaria e bombardeio de artilharia, conseguiram derrotar a rebelião. Inúmeros amotinados procuraram fugir, mas foram aprisionados por patrulhas do Exército.

No 3o Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, acontecimentos mais graves ocorreram. Os rebeldes, chefiados pelos Capitães Agildo Barata, Álvaro Francisco de Souza e José Leite Brasil conseguiram, na mesma madrugada, após violenta e mortífera refrega, no interior do quartel, dominar quase totalmente a Unidade. Ao amanhecer, restava apenas um núcleo de resistência legalista, sitiado no Pavilhão do Comando, onde se encontrava o Coronel Afonso Ferreira, comandante do regimento.

A reação dos elementos legalistas do próprio 3o RI teve grande valia no decorrer da ação, porque impediu que a unidade rebelada deixasse o quartel para cumprir as missões determinadas por Prestes no plano da insurreição e que incluíam o assalto ao palácio presidencial no Catete.

Nas últimas horas da madrugada, acionados diretamente pelo Comandante da 1a Região Militar, General Eurico Gaspar Dutra, o Batalhão de Guardas e o 1o Grupo de Obuses tomaram posição nas proximidades do aquartelamento rebelado e iniciaram o bombardeio.

Durante toda a manhã do dia 27 desenvolveu-se um duro combate. O edifício do quartel foi transformado em uma verdadeira fortaleza, defendida pelas metralhadoras dos amotinados que também ocuparam as elevações vizinhas. As explosões das granadas da artilharia reduziram a escombros as velhas paredes que o incêndio do madeiramento carbonizava. O recanto ameno e pitoresco da Praia Vermelha tornou-se um verdadeiro inferno pelas chamas e pela intensa fuzilaria. A infantaria legalista avançou muito lentamente, em razão da falta de proteção na praça fronteira do quartel.

Os amotinados tentaram parlamentar com o comando legal, mas foram repelidos em suas propostas.

Finalmente, às 13 horas e 30 minutos, bandeiras brancas improvisadas forma agitadas nas janelas do edifício, parcialmente destruído. Era a rendição.

Presos os insurretos, apresentaram-se na praça em um compacto grupo. Muitos rebeldes adotaram uma atitude de zombaria, sorrindo cinicamente, em franco desrespeito àqueles que, naquele mesmo local, pouco tempo antes, haviam tombado na luta inglória.

Muitos anos depois, Luiz Carlos Prestes escreveria:

“… cometemos um grande engano, desencadeando uma insurreição quando o nosso poder no seio da classe trabalhadora era ainda fraco e quando a aliança entre os proletários e os camponeses era praticamente inexistente, devido a falta de ação no meio camponês. Para o triunfo da insurreição popular é indispensável a participação dos soldados e marinheiros, mas limitar a luta quase inteiramente aos quartéis é um grave erro que poderá causar uma derrota, como ocorreu em novembro de 1935”.

Ainda Algumas Palavras

Vamos encerrar essas páginas que são, ao mesmo tempo, deprimentes e dolorosas, em nossa História, repleta de grandes exemplos de luta pela liberdade e pela dignidade do povo brasileiro.

Estariam os insurretos de 35 lutando por esses mesmos ideais? Estariam eles seguindo os exemplos de nossos bravos antepassados? Por que causa arriscaram eles as suas vidas e sacrificaram outras friamente com uma fanática obstinação?

Parece inacreditável, mas esses homens lutaram convictamente pela própria escravidão.

A intentona comunista de 1935 no Brasil é apenas um episódio no imenso repertório de crimes que o bolchevismo vem cometendo no mundo inteiro para submeter os povos ao regime opressor denominado “ditadura do proletariado”. Desde o massacre da família real russa, das execuções na época de Stalin, das invasões da Hungria, da Tchecoslováquia e, ultimamente, do Afeganistão, até as injustiças e arbitrariedades das quais somente algumas chegam ao conhecimento do Mundo Livre, a progressão vermelha da Rússia Soviética, no seu desmedido plano de domínio universal, foi sempre apoiada na escravização, na humilhação, na tortura e no assassinato de milhões de entes humanos, cuja dor e cujo sangue parecem ser a marca indispensável das conquistas bolchevistas.

Andrei Sakharov, eminente físico russo, confinado por castigo na cidade de Gorki, declara textualmente:
“A história de 60 anos do Estado Soviético está cheia de uma horrível violência, crimes odiosos no seu território e até fora dele, destruição, sofrimento e corrupção de milhares de pessoas”. “Sob a superfície petrificada da nossa sociedade, esconde-se a crueldade, a ilegalidade, a ausência dos direitos civis que protejam o homem comum contra as autoridades, a total inexistência da responsabilidade do Governo diante da própria sociedade”.
Foi por estes ideais, denunciados por Soljenitzen e por Sakharov, que lutaram em 1935 os rebeldes comunistas.

Ostentando dísticos enganadores, agitando falsas promessas, os comunistas de 1935, como de hoje, são os mesmos arautos da sujeição e da opressão. Onde põem as suas garras tenebrosas, desaparecem os direitos, submetem-se as vontades, deformam-se as personalidades, eliminam-se as reações.
Não é necessário grande esforço de inteligência para perceber o perigo que representa a ameaça bolchevista. Temos, em nosso País, incontáveis exemplos de sua atividade nefasta. São agitações, greves, campanhas de descrédito e desmoralização, rebeliões, sabotagem, terrorismo e outras variadas manifestações contra pessoas, organizações, e contra a própria Nação.

Não será preciso que busquemos em Marx e Lenin a realidade de suas intenções contra a nossa sociedade democrática tradicional.

Temos entretanto que culpar aquelas lideranças sobre cujos ombros se apóia a responsabilidade de manutenção desses valores, do ceticismo e da tolerância que muitas vezes ostentam para externa generosidade e agradar as multidões, mas que, ao final das crises históricas, vão redundar em riscos e inúteis imolações.

Por todas essas razões, diante do testemunho silencioso daqueles heróis que tombaram na novembrada sangrenta de 1935, devemos manter sempre acesa a vigilância contra as traições e ignomínias comunistas.

Por todas essas razões, brasileiros, LEMBRAI-VOS DE 35!

 

Advertisements
Standard

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s