Desmistificando o Comunismo

A Ficção de um Socialismo Democrático

Obs.:  Faz-se uma análise do texto “Direita versus Direita” de autoria de Gilvan Rocha e publicado no grupo UFSC.

O texto original está em itálico.

Os comentários e análise que fazemos ao texto estão em negrito.

Convencionamos chamar de direita aquelas forças políticas que têm como objetivo a manutenção do capitalismo. Mas a direita não é uma corrente política homogênea, ela se apresenta e age sob diversos matizes.

Porém, para tornar mais claro o conteúdo de nossas colocações,
vamos considerar que existem, fundamentalmente, duas correntes de direita.

A primeira delas poderia ser chamada de direita democrática e, a
segunda, seria a direita exacerbada, tipo “tolerância zero” que,
em determinado momento, se apresentou como sendo o nazifascismo.

Há algo confuso nessa identificação de “duas direitas”. Se o autor define como uma das características da direita “o objetivo da manutenção do capitalismo”, então isso refuta a tentativa do autor em classificar o nazi-fascismo como sendo uma vertente da direita.

Com efeito, o nazi-fascismo tal como o comunismo tem o mesmo objetivo que é a supressão da democracia liberal burguesa. Ora, mas esta democracia liberal é uma das condições indispensáveis para a manutenção das estruturas político-econômicas que permitem a própria existência da burguesia. Assim, havendo no nazi-fascismo a supressão dessa democracia liberal perde-se um dos elementos necessários para o que o autor chama de “manutenção do capitalismo”.

A democracia política burguesa é o grande legado histórico do processo de ascensão e consolidação do capitalismo, assumindo medidas democráticas como o voto universal e secreto; o direito de ir e vir; o livre direito de organização e de opinião; além das conquistas no campo dos direitos individuais, tipo “todo mundo é inocente até prova em contrário”; “o ônus da prova cabe a quem acusa”; “só se pode ser preso, em flagrante delito, ou sob ordem judicial”; “ninguém deve ser mantido preso sem culpa formada”, e assim por diante. Esse caráter democrático, produzido pela revolução burguesa, não adveio de uma consciência inspirada em bons sentimentos. Tampouco, era uma manobra maquiavélica da burguesia ascendente.

A democracia política proposta pela burguesia foi advinda da necessidade que tinha a nova ordem ascendente em promover sua obra de livre expansão econômica com a devida eficácia e sem amarras.

Nestes dois últimos parágrafos o autor ressalta a importância da democracia política e da livre expansão da atividade econômica para a ascensão da burguesia. O que vemos hoje é que nas nações razoavelmente bem sucedidas a atividade econômica se mostrou diversificada e seguindo uma dinâmica complexa interligando vários setores, congregando pequenos, médios e grandes produtores.

Assim, nesses países, vemos um aumento na organicidade da atividade econômica, e o “ambiente” que propicia esta dinâmica acaba demandando uma certa liberdade política, com menos regulação da atividade econômica e mais empreendedorismo.

Algumas dessas nações bem sucedidas incorporaram também uma certa “política social”,  o  chamado “welfare state”.

Em ambos os casos, temos uma diferença fundamental em relação a proposta socialista que é erigida e conduzida por um único setor que detém o poder do Estado e que  necessariamente segue um modelo centralizador e intervencionista.

Já foi dito que “a mais democrática república burguesa esconde atrás de si a ditadura do capital sobre o trabalho”. Mesmo assim, os mais proeminentes socialistas, como Karl Marx, Friedrich Engels, Moses Hess, Karl Kautsky, Georgi Plekhanov, Rosa Luxemburgo, Vladimir Lenin, Julio Martov, Leon Trotsky e outros próceres do pensamento revolucionário não deram as costas a esse grande legado histórico, que foi a democracia política. Muito pelo contrário, eles procuraram se apropriar e buscar aprofundar alguns avanços. Porém, fizeram questão em deixar suficientemente claro que, bem mais do que a democracia política, os trabalhadores deveriam marchar para a conquista da democracia social ou, como se costuma chamar: social democracia.

Foi justamente na contramão dessa proposta política que se colocou o totalitarismo, o fascismo. Ele revogou todos os direitos políticos conquistados e impôs um só discurso, uma só imprensa, enquanto criou uma polícia política pronta para perseguir, prender, torturar e até executar os dissidentes.

Na verdade, o termo “totalitarismo” designa não somente o fascismo e nazismo, mas também o comunismo.

Da mesma forma que no nazi-fascismo, o socialismo (aqui identificado pelo termo “comunismo”) também suprime direitos políticos já que o Estado é controlado por um partido único – o partido ou agremiação comunista.

A dinâmica social é então submetida a uma reengenharia onde o Estado (tomado pelo) comunista usa de meios como repressão e terror para regular a vida dos indivíduos.

Todas as ditaduras comunistas tinham sua polícia secreta encarregada de executar e torturar opositores.

Já os Gulags de Stalin são o exemplo mais evidente desse terror em direção a minorias e elementos “indesejáveis” ao Estado comunista.

Obs.: Convêm notar que este fato indesejável é o que faz com que o autor rejeite a experiência soviética como sendo socialista.

Mas onde e porque surgiu o nefasto fenômeno do fascismo, retrocedendo os avanços políticos conquistados pela humanidade?

Ele surgiu, em primeira mão, na URSS, nos anos 20 do século passado. Mas não foi produto de mentes diabólicas, muito embora não haja faltado facínoras, psicopatas, traidores e outros tantos delinquentes, para que se pudesse viabilizar a implantação do totalitarismo.

O autor usa uma tese original mas absurda ao classificar como fascismo a experiência soviética.

Ora, o autor sequer se deu ao trabalho de definir o que ele entende por fascismo limitando-se a enumerar algumas características do fascismo que estão igualmente presentes no comunismo, a saber: revogação de todos os direitos políticos conquistados e imposição de um só discurso, uma só imprensa, criação de uma polícia política pronta para perseguir, prender, torturar e até executar os dissidentes.

Assim, o absurdo na tese do autor é evidente em si e demonstra apenas que fascismo e comunismo se assemelham quanto a sua forma de ação.

Contudo, há um elemento do fascismo que não está presente no comunismo soviético.

O fascismo se impõe pelo apelo de um discurso NACIONALISTA dirigido as massas com vistas a criar uma unidade nacional. Esse discurso nacionalista, elemento típico para se caracterizar o fascismo, está ausente no discurso comunista. Logo, é um erro grosseiro identificar a experiência do comunismo soviético como fascismo.

A razão de sua existência devia-se ao fato de que, na Rússia feudal, não se havia cumprido, basicamente, as tarefas da revolução burguesa. Uma proposta socialista naquele país só poderia se efetivar caso estivesse, intimamente, colada à vitória do socialismo na Europa Ocidental. Entretanto, o que ocorreu, foi justamente o contrário, a revolução socialista foi derrotada nos países mais avançados da Europa e isso retirou toda e qualquer oportunidade do socialismo evoluir na URSS.

Não é correto imaginar que o insucesso político do socialismo deu-se por obra e graça do papel traidor de um grupo de malfeitores. Não tem fundamento colocações do tipo Estado operário burocratizado, revolução traída, revolução desfigurada e tantos outros despropósitos. Houve, sim, um embate político entre as forças socialistas e as forças conservadoras do sistema. Nesse embate saiu-se vitoriosa a contrarrevolução e a grande tragédia passou a consistir em não se ter reconhecido, em tempo historicamente hábil a derrota e, dessa forma, se ter promovido uma retirada tática com menores danos.

A tragédia consistiu em se buscar cumprir as tarefas de construção do capitalismo, como reforma agrária radical (coletivização forçada); construção de um amplo parque industrial; viabilização das obras de infraestrutura, particularmente, estradas, portos e vias de comunicação, e assim por diante.

Tratava-se, pois, de construir o capitalismo por vias nada convencionais e isso teve um extremo custo social, na medida em que foi implementada uma política de expropriação de grãos e uma jornada exaustiva do trabalho operário, levada às culminâncias. Mas, se os custos sociais foram altos e cruéis, muito maiores foram os custos políticos, na medida em que todos os crimes praticados, na edificação do capitalismo de Estado, foram e ainda são colocados em nome do socialismo e do comunismo, e esse fato se presta a afastar legiões imensas de pessoas daquilo que seria a proposta socialista.

O autor chama a experiência comunista na URSS de “Capitalismo de Estado”. O termo não é de todo equivocado se imaginarmos que os comunistas pregam a supressão do direito a propriedade privada e o controle de TODOS os meios de produção pelo Estado comunista.

Neste sentido, o Estado comunista tende a realizar a forma mais extrema de acúmulo de capital, que constitui o sentido que poderíamos entender pelo termo de “Capitalismo de Estado”.

Contudo, uma vez que esse “Capitalismo de Estado” visa implementar práticas tipicamente preconizadas pelos comunistas, algumas das quais nós identificamos anteriormente como a supressão do direito a propriedade e o acúmulo de todos os meios de produção, nós temos que o sentido do termo capitalismo de estado estaria abrangido pelo termo “socialismo”, ao qual seria um mero sinônimo.

O projeto de uma nova ordem sempre objetivou a socialização dos meios de produção, de modo a torná-los a serviço do bem estar de todos. Em lugar disso, tivemos uma fraude, que consistiu em buscar a construção do capitalismo de Estado como se fosse a construção do socialismo.

Rosa Luxemburgo afirmou que se pode ter liberdade sem socialismo, mas não se pode ter socialismo sem liberdade. Nos estados policiais, que desfraldaram e desfraldam, ilegitimamente, a bandeira do socialismo, o que existe, do ponto de vista político, é um grande retrocesso, o que existe é o totalitarismo, o fascismo, vestindo falsas fantasias, e essa realidade nos coloca em uma situação deveras delicada.

Neste parágrafo, mais uma vez, o autor tenta nos convencer de que existe um socialismo “permeado de liberdade”. Ele, assim, nega que as experiências dos regimes comunistas foram socialistas.

Ora, mais no que consistiria então essa experiência socialista do autor?

Do que o autor está realmente falando?

O autor dá uma indicação quando escreve que:

“O projeto de uma nova ordem sempre objetivou a socialização dos meios de produção, de modo a torná-los a serviço do bem estar de todos.”

Mas onde isso teria supostamente ocorrido?

Vejamos o caso de Robert Owen e a “New Harmony”, uma das primeiras comunidades pretensamente tomadas como modelo socialista.

O fracasso da New Harmony deve-se em parte a total falta de coesão de princípios dos membros que dela faziam parte. O que os unia era tão somente o trabalho comunitário e o ideal utópico que tinham abraçado, algo insuficiente, contudo, para manter a comunidade viva.

Comparando com o modelo reduzido da “New Harmony”, e contrariando a tese do autor de que existe um socialismo munido de liberdade ou democrático, a implementação do socialismo em larga escala e nos domínios de uma nação somente se manteria com base no uso da força coercitiva do Estado, como ficou demonstrado nas várias ditaduras comunistas.

Obs.: Sobre a “New Harmony”, ver, por exemplo,

http://xroads.virginia.edu/~hyper/hns/cities/newharmony.html

http://www.youtube.com/watch?v=c_uCqAHW0bw

Uma outra tentativa de compreender o que o autor entende por socialismo pode surgir do seguinte trecho quando menciona que os socialistas

“…fizeram questão em deixar suficientemente claro que, bem mais do que a democracia política, os trabalhadores deveriam marchar para a conquista da democracia social ou, como se costuma chamar: social democracia”.

Contudo, a social democracia não pode ser tomada pelo autor como uma vertente socialista, sob pena do autor se contradizer. Com efeito, o autor menciona que

“a revolução socialista foi derrotada nos países mais avançados da Europa e isso retirou toda e qualquer oportunidade do socialismo evoluir na URSS.”

Ora, mas o que se sucedeu à derrota do socialismo nesses países europeus foi exatamente a emergência de um “welfare state” cujas instituições condutoras da política e economia formam o que se entende por social democracia. Assim, pela ótica do autor, o que ele entende por socialismo tampouco pode ser tomado por “social democracia”.

Não nos interessa a direita democrática, mas muito menos haveria de nos interessar a direita fascista, representada pelo stalinismo, pelo nazifascismo e, ultimamente, pelo fundamentalismo islâmico,
cujos exemplos mais gritantes são o do Irã, da Síria e do Talibã.

Consideremos, entretanto, que, na impossibilidade de apontarmos
para a saída socialista, diante da nossa escassez de força política frente ao dilema direita democrática versus direita fascista, haveremos de nos colocar ao lado da democracia política, e isso foi feito de forma clara e patente quando, durante o embate entre Inglaterra, Estados Unidos e França democrática e o nazifascismo, optamos, naquele instante, em nos aliar com os primeiros.

Outro exemplo bastante ilustrativo é o que hoje se passa nos EUA, quando a direita se organiza em torno de duas posições políticas: a extrema direita de Tea Party, de caráter fascista, e a direita democrática que se aglutina em torno de Barack Obama.

Na impossibilidade de haver uma saída socialista, sequer definida pelo autor, ele opta pela opção que ele identificou como “direita democrática”, representada pelo partido democrata dos EUA.

O autor, contudo, deixa claro que esta opção é temporária face a uma momentânea

“escassez de força política frente ao dilema direita democrática versus direita fascista”.

Os exemplos apontados servem para refletirmos que, em nenhuma hipótese, o totalitarismo e o fascismo, podem ser objeto de nossa luta. Não há nenhuma justificativa tática, e muito menos estratégica, para uma posição política diferente nas circunstâncias apontadas. Fora o fascismo, deve ser a nossa bandeira imediata e, viva o socialismo, o nosso objetivo maior e final.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Deste confuso texto fica claro que um das intenções do autor é convencer o leitor de que existe um socialismo democrático.

Ele realiza isso primeiro classificando como fascismo a experiência soviética e usa o termo totalitarismo incluindo apenas o fascismo e nazismo, mas excluindo o socialismo.

A História desmente a tese do autor.

Com efeito, como discutimos, uma das experiências utópicas do socialismo – a comunidade “New Harmony”  em Indiana – se extinguiu naturalmente em menos de três anos dada a falta de coesão de seus membros, algo que outras comunidades bem conhecidas conseguiram superar, vide, por exemplo, as comunidades religiosas dos Quakers.

Numa escala global, a “socialização dos meios de produção de modo a torná-los a serviço do bem estar de todos”, como preconizada pelos socialistas, só pode ser implementado pela intervenção do Estado. Tal qual as experiências nazi-fascistas, o objetivo comum é o mesmo, aniquilar a democracia liberal, já que a única forma de conseguir essa socialização dos meios de produção é pela coletivização forçada, visto que isto não é um processo natural da natureza humana.

O texto do autor é um completo “non-sense” cujo objeto central –acreditar que exista um socialismo munido de liberdade ou do tipo democrático – nem mesmo chega a ser  delineado. Fala-se então de algo inexistente!

Negar o ônus da experiência socialista (ou comunista, já que identificou-se ambos os termos), ou inferir que tal experiência foi um caso de fascismo é NEGAR A RESPONSABILIDADE HISTÓRICA de um redundante fracasso.

Não seriam essas negações da História o que se constitui um caso típico de desonestidade intelectual?

Advertisements
Standard
Desmistificando o Comunismo

Comunismo: a mentira como base de argumentação

Neste texto apresentarei trechos de discussões que considero
relevantes para ilustrar como se deve discutir com comunistas.

Assim, este texto estará sendo continuamente acrescentado de novas
discussões.

I

Contexto

A discussão que se segue tem por objeto um vídeo feito por um
indivíduo (https://www.youtube.co/watch?v=qAMa1GVseC8#t=14) que alega ter refutado o documentário “The Soviet Story”.

Comunista: Todas as acusações contra o socialismo feitas no vídeo* são FALÁCIAS, são acusações FALSAS! Qualquer pessoa pode afirmar qualquer coisa, o difícil é provar o que se afirma. Aliás é por
isso que esse documentário foi considerado como um trabalho barato
de propaganda pela própria direita, segundo o NY Times, um trabalho que “carece de qualquer erudição”. O vídeo* mostra falsas passagens da obra de Marx ou com termos distorcidos. Isso se chama “erística”, que é emitir falsas proposições e tentar fazê-las parecer verdade.

Obs: * por “vídeo” o comunista se refere ao documentário “The Soviet Story”

Objeção1: O documentário “The Soviet Story” descreve fatos bem conhecidos e documentados que mostram o genocídio causado pelos comunistas. Basta uma leitura do “Livro Negro do Comunismo” de Stéphane Courtois ou sua continuação “Cortar o Mal pela Raiz” para  identificar nessas obras várias partes apresentadas pelo documentário. Assim, qual dos fatos exibidos no documentário seria falso? Afinal, que crédito tem o autor para afirmar isso quando um dos líderes soviéticos, Krushev, reconheceu no vigésimo congresso do Partido Comunista da URSS, no dia 24 de fevereiro de 1956, o caráter ditatorial e criminoso do regime de Stalin?

Livro Negro 1Livro Negro 2

Objeção 2: O comunista alega que o documentário

“mostra falsas passagens da obra de Marx ou com termos distorcidos. Marx não pavimentou “ideologia sanguinária” alguma. Marx apenas trabalhava com leis da história, e revoluções não são festas ou caviar, seja ela comunista, capitalista, liberal, socialista, etc.”

Vejamos algumas citações de Marx, traduzidas para o Inglês, disponíveis em

http://www.paulbogdanor.com/left/communists.html

que REFUTAM o que autor afirma:

“… the very cannibalism of the counterrevolution will convince the nations that there is only one way in which the murderous death agonies of the old society and the bloody birth throes of the new society can be shortened, simplified and concentrated, and that way is revolutionary terror.” [Karl Marx: “The Victory of the Counter Revolution in Vienna,” Neue Rheinische Zeitung, November 7, 1848]

Tradução: … o mesmo canibalismo da contra-revolução convencerá as nações que há uma única forma de abreviar, simplificar e concentrar as agonizantes chacinas da antiga sociedade e o sangrento parto da nova sociedade, e esta forma é o terror revolucionário.

“We have no compassion and we ask no compassion from you. When our turn comes, we shall not make excuses for the terror.” [Karl Marx: “Suppression of the Neue Rheinische Zeitung,” Neue Rheinische Zeitung, May 19, 1849]

Tradução: Nós não temos compaixão e não pedimos compaixão de vocês. Quando chegar nossa vez, não haverá nenhuma desculpa para o terror.

“Society is undergoing a silent revolution, which must be submitted to, and which takes no more notice of the human existences it breaks down than an earthquake regards the houses it subverts. The classes and the races, too weak to master the new conditions of life, must give way.” [Karl Marx: “Forced Emigration,” New York Daily Tribune, March 22, 1853]

Tradução: “A sociedade passa por uma revolução silenciosa a qual deve se submeter e que considera a existência humana não mais do que um terremoto considera as casas que ele destrói. As classes e raças que forem fracas para dominar as novas condições de vida deverão dar seu lugar.”

Dessas citações, é difícil acreditar que Marx não tenha fomentado a violência que seus seguidores reproduziram nas ditaduras comunistas.

Objeção3: O comunista tenta desacreditar o documentário escrevendo

“Aliás é por isso que esse documentário foi considerado como um trabalho barato de propaganda pela própria direita, segundo o NY Times, um trabalho que “carece de qualquer erudição”

Vejamos o que realmente afirma a crítica do The New York Times:

“The film is not dispassionate scholarship; Mr. Snore, who is Latvian, and his backers (including some members of the European Parliament) obviously have an agenda, though to the casual American viewer it may not be clear what it is.

http://www.nytimes.com/2008/10/24/movies/24sovi.html?_r=0

Tradução: O filme não é uma produção acadêmica isenta de “emoção”; Mr. Snore, que é da Letônia, e seus apoiadores (incluindo membros do parlamento europeu), tem obviamente uma agenda, embora isto não fique claro para o público americano em geral.

Contudo, essa conclusão do comentário do NYT é precedida da seguinte assertiva:

“The filmmaking in “The Soviet Story” is so overwrought that at times the movie comes across as comical. That is no easy feat, given that the subject is the murder of countless thousands in the Soviet Union under Stalin and the connections between Soviet leaders and those other proficient killers of the last century, the Nazis.”

Tradução: A filmagem do “The Soviet Story” é tão tensa que o filme as vezes parece cômico. Não é fácil, dado que o assunto é o assassinato de incontáveis cidadãos na União Soviética sob Stalin e as conexões entre líderes soviéticos e outros habilidosos assassinos do século passado, os nazistas.

Ou seja, o comentário do crítico do NYT não refuta os fatos descritos no documentário, nem muito menos o põe na categoria de material que “carece de qualquer erudição”. O que o crítico do NYT na verdade critica é tão somente a forma “tensa” como o documentário foi apresentado, o que o faz inferir que o diretor tem uma agenda.

Vejamos uma outra opinião, apresentada por um crítico do jornal The Economist

“Soviet Story” is the most powerful antidote yet to the sanitisation of the past. The film is gripping, audacious and uncompromising. […] The main aim of the film is to show the close connections—philosophical, political and organisational—between the Nazi and Soviet systems.”

Tradução: “The Soviet Story” é o antídoto mais poderoso para a sanitização do passado. O filme é excitante, audacioso, e  não faz concessões. […] O principal objetivo do filme é mostrar as íntimas conexões – filosófica, política e organizacional – entre os sistemas nazistas e soviético.

Vemos aqui duas críticas do mesmo documentário. É uma pena que o comunista só escolheu aquela que lhe era menos desfavorável.

Comunista: Quanto ao caso dos ucranianos, Mark Tauger, professor renomado e especialista em assuntos agrícolas, estudou o fato, chegando à conclusão de que tratou-se de uma fome causada por FATORES NATURAIS! Aliás, o governo soviético foi o ÚNICO na história do povo ucraniano que efetivamente pôs fim à fome. É engraçado como os anticomunistas vão cavar fatos de 82 anos atrás e apresentam-no como se toda a história ucraniana se resumisse a Holodomor. Não sabem nem achar a Ucrânia no mapa mundi e ficam papagueando mentiras! Anticomunistas, indiscutivelmente, são pessoas menos inteligentes, não falam com conhecimento de causa, apenas repetem clichês, e por isso não devem ser ouvidos, e sim denunciados, especialmente no seu caso, o de um confesso porco fascista!

Objeção 4: Da mesma que há autores que negam o holocausto há autores que negam o Holodomor. O autor que o comunista cita é um dos que negam o Holodomor, indo numa direção oposta a vários outros estudos que comprovam que os comunistas russos dizimaram mais de 10 milhões de ucranianos nos anos 30. Uma das referências, “Holodomor: The Great famine in Ukraine 1932-1933” de Diana Bojko e Jerzy Bednare, apresenta uma incontestável documentação  produzidos pelos servições especiais soviéticos sendo assim uma fonte confiável.

holodomor3

II

Integralista: O autor deste vídeo (“The Soviet Story – Refutado”) afirma que

“Ditaduras do proletariado humanizam o indivíduo, tornando-o próprio para o convívio em sociedade, para ajudar o vizinho na hora da necessidade, são governos que beneficiam a sociedade como um todo, e não 1% dela.”

Que FALÁCIA!!!! Nenhuma ditadura comunista deu ganho algum ao povo. Quando os comunistas assaltam o poder eles se tornam uma NOVA CLASSE, detentora dos meios de produção e portanto usufruindo de privilégios e benefícios que o povo não tem. O que vimos nos regimes comunistas foi uma repressão brutal, miséria e decadência econômica que, eventualmente, levou a queda sucessivas desses mesmos regimes. O autor deste vídeo se revela um mero propagandista comunista, sem grandes conhecimentos.

Comunista: Errado! Nenhuma deu ganho algum??? A Rússia imperial era um país de analfabetos! O índice de analfabetismo no Império Russo era de 90-95% antes da Grande Revolução de Outubro! Em algumas regiões habitadas pelos cossacos, o índice de pessoas capazes de ler era de cerca de 0,5%, assim com em lugares como o Tadjiquistão ou Cazaquistão, onde sequer havia universidades e energia elétrica.

Todo esse quadro mudou drasticamente no período socialista, o analfabetismo foi eliminado, coisa que nem o mesmo país capitalista mais rico, os EUA, conseguiu fazer na época, as pessoas tiveram pela primeira vez acesso universal a escolas, universidades, centros de saúde e hospitais. Todos também tinham uma casa. O socialismo tomou apenas 20 anos para resolver os problemas do povo trabalhador, o capitalismo tem mais de 200 anos e ainda não resolveu.

Nova classe??? Stalin recebia um salário modesto! Os políticos soviéticos recebiam em média pagamentos em proporção de 3:1 em relação aos operários não-qualificados. Quando Stalin morreu o seu inventário era um par de botas, alguns casacos, alguns livros e seu cachimbo. Que cara rico, não???

Enquanto isso no capitalismo e no fascismo um diretor executivo pode ganhar mais de 10 mil vezes mais do que um trabalhador comum não qualificado e 1% da população mundial detém as riquezas de 40% dela, onde magnatas arrecadam mais do que cidades inteiras.

Você delira feio, vive numa realidade invertida, típico de anticomunistas! A sociedade em que vivemos é uma sociedade degenerada, capitalista, e isso eu vejo todos os dias quando vou ou volto do meu trabalho e vejo mendigos e sem teto lutando para sobreviver!

Objeção5: ERRADO. NÃO HOUVE GANHO ALGUM PARA O POVO. O único “ganho” do comunismo  foi uma repressão brutal contra o povo russo.

 Vejamos o que Nicolas Werth escreveu em seu texto  “Um Estado Contra Um Povo”:

“[…] A estratégia de Lenin mostrou-se correta: diante de um fato já consumado, os socialistas moderados, após denunciarem “a conspiração militar organizada pelas costas dos sovietes”, abandonaram o II Congresso dos Sovietes. Os bolcheviques, a partir de então mais numerosos ao lado de seus únicos aliados – os membros do pequeno grupo socialista-revolucionário de esquerda-, ratificaram o seu golpe de estado junto aos deputados ainda presentes no Congresso, votando um texto redigido por Lenin, que atribuía “todo o poder aos sovietes”. Essa resolução puramente formal fez com que os bolcheviques tornassem credível uma ficção que iria iludir várias gerações de crédulos: eles governavam em nome do povo no “país dos sovietes”. Rapidamente, multiplicaram-se os equívocos e os conflitos entre o novo poder e os movimentos sociais, que haviam agido de maneira autônoma, como forças corrosivas da antiga ordem política, econômica e social.”

Tivemos também períodos de grande fome na então URSS. Primeiro entre 1921-1922 “reconhecidas pelas autoridades soviéticas que apelaram constantemente a ajuda internacional”.  Outra vez, entre 1932-1933  “que representou, segundo fontes hoje incontestáveis, mais de 6 milhões de vítimas!, esta sempre foi negada pelo regime que encobriu com sua propaganda as poucas vozes que, do exteriror do país, chamavam atenção para esta tragédia.” (Nicolas Werth, “Um Estado Contra um Povo”).

Stalin recebia um salário modesto?? Curioso, o sucessor dele, Krushev, não dispensava o caviar!! Queres mesmo que acreditemos nisso? Entenda uma coisa. Quando os comunistas tomam o poder eles tornam-se uma NOVA CLASSE, desfrutando de privilégios e benesses que o povo não tem acesso.  E, assim, essa NOVA CLASSE (da mesma forma que os burgueses que juraram aniquilar) não irá abdicar de seus privilégios. A História demonstrou isso em TODAS as ditaduras comunistas. Negar isso é DESONESTIDADE INTELECTUAL.

O comunista escreve que

Você delira feio, vive numa realidade invertida, típico de anticomunistas! A sociedade em que vivemos é uma sociedade degenerada, capitalista, e isso eu vejo todos os dias quando vou ou volto do meu trabalho e vejo mendigos e sem teto lutando para sobreviver!

Curiosamente, essa miséria está presente em todas as experiências comunistas, ou será que meu interlocutor  comunista quer que  acreditemos que o povo da Coréia do Norte, Cuba etc.  vive na abundância ?

Conclusão: Comunistas quando confrontados com o genocídio e terror produzidos pelo comunismo se deparam com evidências históricas contra o qual eles não tem como refutar.

II

Comunista: O fascismo, a grosso modo, é um movimento da ultra direita (assim como o nazismo) para tentar frear as grandes mobilizações que ocorriam nesses países. Os trabalhadores não cansaram de viver sob a reprodução do capital em cima dos seus trabalhos. Enquanto o capitalismo pode avançar mantendo as condições dos operários europeus explorando outros países foi possível manter o sistema ativo. Após a primeira guerra e com a crise de 1929 (crises aliás cíclicas do capitalismo) a precarização do trabalho e condição de miséria combinada com hiperinflação levou os trabalhadores a rua tentando uma ruptura com o capital. Para tentar frear o movimento veio a contra revolução, ou seja, os nazi e os fascistas. Baseado em ideologias, obviamente, para tentar ganhar as massas para um projeto reacionário. Que ideologias? Essas que estão muito bem descritas no texto.

Objeção1: Essa afirmação é completamente sem sentido, errada. Veja. Que “grandes mobilizações” eram essas? Os trabalhadores europeus estavam unidos a quem? Certamente que não eram aos comunistas, o que mostra que o desenvolvimento do capitalismo nestes países (passada a precariedade das condições iniciais da industrialização) não produziu a desagregação necessária para fomentar a luta de classes, o que na prática impossibilitou os comunistas desses países de tomarem o poder. Nos países europeus que chegaram a se tornar ditaduras comunistas isso só ocorreu devido a agressão externa do exército vermelho. Assim, nos países europeus que não se tornaram comunistas, a exceção da Alemanha e Itália, o que conteve o comunismo foi exatamente a ausência das condições degradantes que não puderam ser exploradas pelos comunistas. Vamos agora a Alemanha e a Itália. Nestes países, havia uma situação socialmente volátil que foi o que semeou a disputa entre nazistas e comunistas na Alemanha, e fascistas e comunistas na Itália. Ou seja, afirmar que

“Após a primeira guerra e com a crise de 1929 (crises aliás cíclicas do capitalismo) a precarização do trabalho e condição de miséria combinada com hiperinflação levou os trabalhadores a rua tentando uma ruptura com o capital”

é uma FICÇÃO criada pelos comunistas. Se realmente houve algum apoio das “massas” a algum movimento, este apoio foi ao nazismo e fascismo (tecnicamente, Hitler ascendeu ao poder sem dar golpe algum) e isso se deu exatamente por essa precarização do trabalho e pela discurso com que nazistas e fascistas seduziram as massas. Isto é, nestes países os trabalhadores não” saíram as ruas” junto aos comunistas que pretensamente sempre se advogam como ponto de união dos trabalhadores. Aliás, essa sua inferência é uma falácia que forma o ponto central do homogêneo discurso ficcional comunista.

Standard
Desmistificando o Comunismo

Desmarxizar a Universidade II

A Submissão do Curso de Serviço Social ao Marxismo

Recentemente, a justiça federal no Maranhão determinou a suspensão, em caráter liminar, das atividades do “Centro de Difusão do Comunismo” (CDC), programa de extensão vinculado ao departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Na ação popular que solicitou a suspensão do CDC, o requerente da ação argumenta que: “o programa, sob o pretexto da autonomia universitária, fere os princípios da moralidade e da legalidade da administração pública, prevista na Constituição, ao usar recursos públicos para divulgar ideologia político-partidária”.

Já em nota, a UFOP afirma que o CDC não é “um programa acadêmico com objetivos político-partidários, e sim, trata-se de extensão, vinculado ao Curso de Serviço Social, para organizar e articular quatro ações de extensão (dois cursos e dois projetos) e oferecê-las de forma gratuita a toda a comunidade, que se insere no programa por livre escolha”.

A abordagem das sutilezas contidas em uma e outra assertiva certamente constituirá um elemento de discussão acalorada entre as partes. Contudo, não é preciso se engajar nesse exercício de retórica para perceber algo mais sintomático e perverso. Com efeito, a questão aqui é outra: O que leva um curso de serviço social a dar tanta importância a difusão do comunismo, a ponto de fazer disso um projeto de extensão que vai muito além da universidade? Tal questão é relevante, pois ilustra como a omissão de pessoas (supostamente) esclarecidas acaba por permitir que uma ideologia (marxismo) acabe se tornando dominante, subjugando cursos que, numa perspectiva mais ampla, não precisariam buscar no marxismo nenhum elemento conceitual relevante.

O que ocorre no departamento de serviço social da UFOP aponta para algo que deve ser, com as devidas gradações, caso comum em outros lugares. Na UFSC, não é diferente. Tomemos, por exemplo, a análise de um vídeo de apresentação do curso de serviço social produzido pelo PET e o Centro Acadêmico Livre do Serviço Social, disponível em http://www.youtube.com/watch?v=rGve25SrgNQ.O material do vídeo de autoria de Giovanny Simon, Mayara Gelsleichter e Davi Perez apresenta o seguinte conteúdo ao qual transcrevi abaixo:

“Uma Breve Introdução ao Serviço Social”
O Serviço Social é uma profissão liberal que tem por objeto de intervenção a questão social. A questão social é uma expressão da classe trabalhadora lutando pelo seu reconhecimento enquanto sujeito político e social.

A classe trabalhadora é o conjunto populacional que somente possui a sua força de trabalho e a vende para a burguesia em troca de um salário. A burguesia é uma classe de interesses opostos à classe trabalhadora e é detentora dos principais meios de produção.

Os meios de produção compreendem todo o conjunto de instrumentos utilizados na produção dos bens de consumo da sociedade, também conhecidos como: terras, fábricas, indústrias, minas de extração, maquinário e tecnologias em geral. No capitalismo atual, esses meios de produção são propriedade da burguesia monopolista. O monopólio é um estágio do capitalismo onde os meios de produção concentram-se nas mãos de poucos, neste caso, a livre concorrência entre empresas é anulada.

Cada vez mais a riqueza é produzida por todos e é apropriada por poucos. Uma consequência disso é o desemprego estrutural, com a decorrência de fome, miséria, analfabetismo, violência e todas as outras mazelas dessa sociedade. Essas são expressões da questão social onde o profissional do serviço social atua. A sua atuação se efetiva através das políticas sociais e da organização popular. A organização popular é um meio que a classe trabalhadora em geral utiliza para reivindicar seus direitos. Os direitos são, na maioria das vezes, efetivados através das políticas sociais. As políticas sociais são instrumentos de atuação do assistente social inserido nas mais diversas áreas como, previdência, habitação, educação, o meio sócio-jurídico, a saúde, criança e adolescente, idoso, assistência social, assessoria, e movimentos sociais.

Os movimentos sociais são a materialização da organização popular, ou seja, o povo organizado que luta pela resolução de seus problemas mais sentidos que são as expressões do capitalismo e da questão social. O assistente social, neste contexto, é um agente político que se coloca do lado do povo e da classe trabalhadora na luta pelos seus direitos.

Fica evidente deste texto que Davi Perez e seus colegas pensam o serviço social unicamente dentro de uma crítica ao capitalismo (será que eles estenderiam sua crítica a condição de miséria e degradação dos trabalhadores em Cuba?). No texto, o viés marxista se manifesta explicitamente em vários elementos (ênfase na dicotomia classe trabalhadora x burguesia) e expressões típicas (organização popular etc.) e, por isso, resulta num material de propaganda doutrinária que não pode ser tomado como representativo de um curso, já que se revela deteriorado, superficial e tendencioso na forma com que trata o serviço social. É inaceitável que tal material vexatório tenha tido a anuência do departamento de serviço social, pois custa acreditar que departamentos de serviço social em outros países (democráticos) apresentem o curso da mesma maneira (talvez haja alguma semelhança com alguma universidade em Cuba, Vietnam, Coréia do Norte,…).

Ora, mas a situação é de todo confusa, pois, se pensarmos no que constitui os elementos do “social work” esperaríamos identificar um escopo de conceitos mundialmente reconhecidos e categorizados. Mas, o que dizer se no Brasil as pessoas pensam o serviço social dentro de uma ótica puramente marxista correndo o risco de serem desacreditados pelo que mundialmente se concebe por serviço social? Tal absurdo não ocorre em outras áreas. Por exemplo, um colega da área de equações diferenciais parciais que trabalhe com equações elípticas investiga problemas que o aproxima de colegas da mesma área de equações elípticas em qualquer lugar do mundo. Vemos então que a insistência no Brasil de submeter o serviço social a uma leitura marxista indica que ele não existe como um departamento independente, mas constitui um mero apêndice de um departamento (virtual) de “crítica marxista”, que congrega vários cursos que padecem do mesmo mal.

Não deixa de causar repulsa a assumida presunção de Davi Perez e seus colegas de acharem que “os problemas mais sentidos da classe trabalhadora são a expressão do capitalismo e da questão social”, e que “o assistente social, neste contexto, é um agente político que se coloca do lado do povo e da classe trabalhadora na luta pelos seus direitos.” Com efeito, uma afirmação deste tipo ignora a exploração e degradação a que os trabalhadores estão submetidos nas ditaduras comunistas (afinal, isso sequer é mencionado, e Davi Perez é um bem conhecido apologista do comunismo) , que passa a ser então um modelo a ser construído pelo assistente social. Essa visão que Davi Perez e seus colegas tentam imprimir ao curso de serviço social é maléfica para o Brasil, pois comprova a conotação ideológica a que estarão submetidos os jovens que decidirem cursar serviço social. Definitivamente, a sociedade que financia a universidade precisa ser consultada se aprova o funcionamento de um curso serviçal de uma ideologia.

Quanto a Davi Perez e seus colegas autores do vídeo espera-se que, uma vez formados, tenham a honestidade intelectual de por no seu portfólio o vídeo onde expressam sua visão da função a ser desempenhada pelo assistente social e que não venham a trabalhar numa empresa privada. Isso seria um próprio atestado do fracasso de sua ideologia, afinal, que consistência há num indivíduo que enquanto estudante posava de revolucionário, se depois, por falta de opção, tiver que trabalhar para aquele a quem mais despreza?

Standard
Desmistificando o Comunismo

Anticomunismo não é fascismo!!!

Obs.:  Faz-se uma análise do texto “Um espectro ronda o Brasil?” de autoria de Luciana Ballestrin e disponível em

http://www.cartamaior.com.br/?/Opiniao/Um-espectro-que-ronda-o-Brasil-/29613

O texto em negrito corresponde aos comentários que fazemos ao texto original disponível na página mencionada acima.

Um espectro ronda o Brasil?

Luciana Ballestrin*

Neste ano ocorreram pelo menos três episódios públicos envolvendo denúncias de “doutrinação marxista” no ambiente universitário brasileiro: a recusa de um estudante em realizar um trabalho sobre Karl Marx, a pedido de seu professor (SC); a ação popular movida por um advogado contra um projeto de extensão de difusão do marxismo (MG), que acarretou em sua suspensão pela Justiça Federal do Maranhão e a acusação de um filósofo sobre a contaminação do marxismo nas Ciências Humanas e Sociais (SP). As três notícias tiveram cobertura em veículos midiáticos, cujas posições ideológicas são historicamente conhecidas do público.

O espraiamento nacional de uma suposição sobre o avanço do comunismo e do marxismo no Brasil, às vésperas do cinquentenário do Golpe civil-militar, convida a todos os cidadãos e cidadãs para a seguinte reflexão: o que estes discursos e ideias representam  no Brasil após 25 anos da promulgação da Constituição de 1988? Gostaríamos de sugerir que isso reflete uma paranoia, compartilhada por pessoas e grupos capazes de formar guetos de opinião e que a despeito do alcance restrito, ganham destaque desproporcional na mídia hegemônica.

Obs. 1: Sobre a contra-revolução de 1964, seria interessante se a autora comentasse algo sobre as duas afirmações que se seguem:

-Luís Carlos Prestes:

“A luta pelas reformas de base constitui um meio para acelerar a acumulação de forças e aproximar a realização de objetivos revolucionários,

[…] o arcabouço institucional impede as reformas, pois elas dependem de dois terços do Congresso, tornando-as irrealizáveis, dado que ele é majoritariamente anti-reformas.

[…] O grande trunfo será o dispositivo militar, capaz não só de barrar um golpe ou uma reação da direita, mas, por uma ação enérgica e com o apoio das massas, desencadear o processo de reformas.

[…]  Implantaremos um capitalismo de Estado, nacional e progressista, que será a ante-sala do socialismo.

[…] uma vez a cavaleiro do aparelho do Estado, converter rapidamente, a exemplo da Cuba de Fidel, ou do Egito de Nasser, a revolução-nacional-democrática em socialista. “

Ref.:  “A Revolução Impossível”, Luís Mir, pags.115-120.

-Jacob Gorender:

“Nos primeiros meses de 1964, esboçou-se uma situação pré-revolucionária e o golpe direitista se definiu, por isso mesmo, pelo caráter contra-revolucionário preventivo. A classe dominante e o imperialismo tinham sobradas razões para agir antes que o caldo entornasse.”

Ref.: “Combate nas Trevas”, Jacob Gorender, pags. 66-67

Será que diante do relato dessas duas lideranças comunistas da época a autora ainda insistirá na tese de que não havia um golpe comunista em curso em 1964?

O conceito de paranoia, em termos psiquiátricos, possui sua própria história, como todos os conceitos mais ou menos compartilhados pelo campo científico. A despeito das controvérsias particulares inerentes a este campo – no caso, o da psicanálise – é possível sustentar com baixo custo de prejuízo que a ideia de paranoia envolve basicamente um delírio persecutório baseado em uma desconfiança descolada da realidade, razão ou empiria.

Obs. 2: Aceitando a tese da autora de que o termo paranoia

 “envolve basicamente um delírio persecutório baseado em uma desconfiança descolada da realidade, razão ou empiria

pode-se aplicar tal definição igualmente e com baixo custo de prejuízo aos comunistas que classificam como fascista toda crítica que lhes é dirigida.

Mais ainda, essa definição refuta a intenção velada da autora de ver no anticomunismo um  manifestação de paranoia baseada numa “desconfiança descolada da realidade, razão ou empiria”. Com efeito, já que a prática do comunismo se revelou arbitrária e autoritária tem-se um amplo respaldo para a desconfiança que o anticomunismo suscita, comprovado aqui pela realidade concreta das ditaduras comunistas.

Defensivas ou preventivas, as consequências políticas da proliferação do discurso paranoico anticomunista e antimarxista ferem, paradoxalmente, dois princípios liberais básicos: liberdade de expressão e tolerância. Ao mesmo tempo, reedita a paranoia clássica alimentada pela Guerra Fria, cuja conjuntura internacional fora cúmplice do segundo período ditatorial brasileiro.

Obs. 3: Desta assertiva vemos que a própria autora parece ferir a liberdade de expressão e tolerância. Com efeito, ela sugere isso ao se permitir o direito, com baixo custo de prejuízo, de tratar o anti-comunismo-marxismo como paranoia,  negando assim qualquer possibilidade de crítica ao comunismo.

A autora adota também um discurso ambíguo ao classificar o discurso anticomunista e antimarxista como ferindo a liberdade de expressão e intolerância (como?), ignorando que foi o comunismo, como prática do marxismo, que feriu a liberdade de expressão e a intolerância ao calar qualquer voz opositora.

Foi justamente neste contexto que ocorreu a institucionalização das Ciências Sociais no Brasil, amplamente apoiada pela estadunidense e liberal Fundação Ford. Neste período, várias brasileiras e brasileiros pagaram com a dor, o exílio e a vida, o preço pela defesa de suas ideias comunistas e marxistas, bem como quaisquer outros que contrariassem à lógica da Ditatura Civil-Militar. Hoje, qual é o preço a pagar por essa retórica da intransigência? Como responder a uma paranoia revestida de intelectualidade, a um despautério anacrônico e a um disparate sem fundamento?

Obs. 4: A autora inclui entre esses vários brasileiros e brasileiras aqueles civis e militares que foram mortos pelas ações terroristas dos grupos comunistas durante a luta armada?

Seria um tanto contraproducente esboçar nessas linhas argumentos e razões que tentem comprovar que o Brasil não é governado por comunistas e que a universidade brasileira não está intoxicada pelo marxismo. Inútil, de igual forma, pensar na originalidade histórica dos escritos marxianos e na importância das várias correntes do marxismo – do vulgar e ortodoxo para o crítico e arejado – para os campos das Ciências Sociais Aplicadas ou não. Da mesma maneira estéril, argumentar que o eurocentrismo, o colonialismo e o progresso moderno não são completamente afastados do marxismo e que justamente por isso, ele encontra resistência nos movimentos decoloniais latino-americanos.

Obs. 5: Não, senhora Ballestrin, afirmar que é contraproducente demonstrar que a universidade brasileira não está intoxicada pelo marxismo é um mero recurso de quem sente que a realidade mostra exatamente o contrário. De fato, há vários exemplos de cursos que sucumbiram à uma leitura marxista, sendo suficiente observar o teor da produção acadêmica e dos eventos dos vários cursos das ditas “ciências”  humanas.

Produtivo, talvez, seja observar o nascimento de um novo tipo de direita no Brasil. Mesmo os velhos e os contemporâneos clássicos do liberalismo político moderado são capazes de aceitar a tolerância, a diferença, a liberdade de expressão, a existência do Estado e o respeito ao outro. Não estamos falando, portanto, da adversária histórica direita liberal. Ela é nova justamente porque ultrapassa a própria moral e a própria ética do liberalismo e acontece neste exato momento histórico. Ela é nova justamente porque também se apropria dos discursos da esquerda e da democracia para combater a própria esquerda e a própria democracia.

Obs.6: Aqui a autora fala do nascimento de uma suposta “nova direita” que segundo ela “ultrapassa a própria moral e a própria ética do liberalismo”, que “combate a própria esquerda e a própria democracia”. Mas que direita é essa afinal??? Ela realmente existe ou não será fruto de uma paranoia da autora, algo que envolve basicamente um delírio persecutório baseado em uma desconfiança descolada da realidade, razão ou empiria?

Se, cada vez mais, a esquerda não tem se restringindo à alternativa marxista, criando um repertório de resistência, emancipação e libertação próprias, a direita não tem se restringido à alternativa liberal, criando um repertório de ignorância, esquecimento e ódio próprios. Certamente, o espectro que ronda a primeira já não é mais o do comunismo. Mas, o espectro que ronda a segunda ainda desagua no seu totalitarismo oposto, o fascismo. Ou será que estamos, simplesmente, paranoicos?

Obs. 7: A autora seria capaz de definir fascismo e, a partir dessa definição, explicar onde a tal da “nova direita” (se é que isso realmente existe!) se enquadraria como fascista?

CONCLUSÃO:

Senhora Ballestrin, se há algum espectro rondando o Brasil ele tem a mesma natureza daquele que há algum tempo rondava a Europa ….

A síntese mais fiel deste texto de Luciana Ballestrin se encontra  no seguinte trecho:

“ Como responder a uma paranoia revestida de intelectualidade, a um despautério anacrônico e a um disparate sem fundamento?”

já que, sem exageros, é tão difícil assim perceber que isso se aplica fielmente ao texto da sra. Ballestrin?

(*) Professora Adjunta de Ciência Política, Coordenadora do Curso de Relações Internacionais – Centro de Integração do Mercosul Programa de Pós-Graduação em Ciência Política – Instituto de Filosofia, Sociologia e Política, da Universidade Federal de Pelotas.

Standard
Desmistificando o Comunismo

Desvendando um argumento sofista: As conexões entre comunismo e nazismo

Comunismo igual ao Nazismo?

OBS: Analisaremos a argumentação “Comunismo igual ao nazismo?” apresentada por Paulo Gabriel e disponível em

http://www.centrodosocialismo.com.br/2013/04/comunismo-igual-ao-nazismo.html

O texto em negrito refere-se a nossa análise do texto original disponível no endereço acima. As partes sublinhadas tanto no texto em negrito quanto no texto original foram feitas por mim para dar ênfase, assim como também é de minha autoria a divisão do texto original em partes (I) a (VI) para facilitar a referência.

PARTE I

Introdução

É relativamente comum encontrarmos críticos do comunismo que adoram compará-lo ao nazismo, como se fossem fenômenos gêmeos frutos de uma suposta dominação totalitária de uma coletividade sobre as várias figuras individuais que a compõe. Para isso enumeram uma série de características que tanto o comunismo quanto o nazismo compartilhavam: um forte universo concentracionário baseado na emergência de um poderoso partido único e de uma férrea disciplina militar, a existência de uma poderosa ideologia coletivista que arregimentava as massas, a criação de campos de concentração, entre outras.

OBS.1: O autor admite então os seguintes pontos comuns ao nazismo e comunismo:

(1) Existência de um partido único que concentrava todo poder.

(2) Existência de uma ideologia que visava arregimentar as massas.

(3) Uso de instrumentos repressivos jamais vistos: campos de concentração, entre outros.

 PARTE (II)

 Entretanto, tais analogias são simplesmente rasas e não chegam nem perto da essência dos fenômenos analisados, elas se prendem fundamentalmente aos aspectos formais, aspectos esses que, como veremos, foram compartilhados por todas as nações que de alguma forma se viram engolidas pelo período da Guerra Total (1914-1945), inclusive aquelas ditas liberais e que “respeitavam” os direitos do indivíduo.

OBS.2: O autor engloba eventos temporalmente localizados entre 1914-1945 que compreende as duas Grandes Guerras. Contudo, é necessário distinguir os excessos cometidos dentro do contexto das ações diretas dos confrontos de guerra daqueles excessos cometidos e condicionados por razões ideológicas e políticas e que não foram diretamente determinados por um conflito armado. Assim, quando consideramos os crimes cometidos pelos comunistas devemos lembrar que estes se iniciaram com a fundação do Estado soviético em 1917, já no pós-guerra, e continuaram para além desse período, basta ver os milhões de mortos causados pelo comunismo chinês iniciado em 1949 (no pós-guerra) e os milhões de mortos em outras experiências comunistas, por exemplo, o Cambodja etc. Assim, a fixação do autor em reduzir sua análise aos eventos relacionados à Grande Guerra parece ser uma mera manipulação que permite o autor colocar no mesmo patamar os crimes do nazi-comunismo junto aos crimes cometidos pelas nações identificadas pelo autor como liberais.

 PARTE (III)

 Portanto, o primeiro passo para a elaboração da crítica a esta visão que considero errônea e superficial é a apresentação dos conceitos de “forma” e “essência” para que então seja possível analisar a problemática de uma maneira mais consistente e, por fim, refutá-la.

Forma e essência

É possível dividir boa parte dos fenômenos históricos em aspectos formais e aspectos essenciais. A essência é o que caracteriza o fenômeno, a forma é a maneira em que ele se manifesta historicamente, ou melhor, particularmente. Por exemplo, a essência do capitalismo é a acumulação e a expansão do capital, em outras palavras, é a busca incessante da valorização do valor. No entanto, devido às características específicas de cada local, de cada povo, de cada país, de cada instituição etc. a forma como essa essência se manifesta, a forma como suas engrenagens são postas para funcionar difere bastante. Assim o Brasil apresenta uma forma de capitalismo diferente do que foi constituído na Inglaterra e em outros países que desenvolveram sistemas semelhantes ao modelo clássico. Aqui, o capital é incapaz, de modo geral, de concluir sua reprodução ampliada por si só (dependendo de capital estrangeiro para se realizar)1, devido a falta de um setor de bens de produção desenvolvido, além disso, o capital mercantil agrário possui um peso enorme na dinâmica interna da acumulação capitalista, o que reflete nos gigantescos latifúndios brasileiros e no forte poder político da bancada ruralista do Congresso. No modelo clássico, a reprodução ampliada de capitais é concluída internamente o que tem como complemento a criação de uma indústria sólida de bens de produção. Esta indústria acaba por reduzir a importância da agricultura na economia, fortalecendo as posições políticas de uma burguesia industrial urbana em contraposição à burguesia agrária.

OBS.3: O autor afirma que boa parte dos fenômenos históricos se divide em aspectos “formais” e “essenciais”, e define um e outro da seguinte forma:

– A essência é aquilo que caracteriza o fenômeno histórico.

– A forma consiste em como o fenômeno histórico se manifesta de forma particular.

 Antes de prosseguir, devemos ter em mente que tal divisão de um fenômeno histórico em aspectos “essenciais” e “formais” não é imprescindível, mas se justifica tão somente como uma questão de metodologia que pode se revelar equivocada ou não.

 Das definições dadas pelo autor concluímos então que:

 (3.1) O aspecto essencial do evento corresponde tão somente à uma concepção do evento como conceito ou ideia sem necessariamente ser corroborado pela sua realidade, que advêm da experimentação (isto é, que se afere quando o evento efetivamente ocorre).

 (3.2) O aspecto formal do evento é aquilo que advêm quando o evento se realiza sendo o que poderíamos classificar como o aspecto concreto do evento.

 Em resumo: Para o autor o aspecto essencial de um evento corresponde a algo idealizado, que não precisa ser necessariamente verificável. Já o aspecto formal consiste naquilo que efetivamente se manifesta ou se concretiza como realidade.

OBS. 4: Para efeito de comparação, se permitíssemos nas ciências físicas tal divisão de eventos em seu caráter essencial ou formal seríamos levados a identificar o aspecto essencial de um evento aos elementos constitutivos estabelecidos como princípios, conforme formulado numa teoria; já o aspecto formal seria aquilo que confirmaria o aspecto essencial (a teoria) e que se apresenta na experimentação.  Dos dois aspectos, o mais importante seria o aspecto formal (aquilo que ocorre, não aquilo que se idealiza).

OBS. 5: Há alguns problemas em se aceitar esta divisão metodológica entre evento essencial e formal. De fato.

(5.1)  Do que foi exposto anteriormente vemos que aceitando a metodologia do autor em dividir os fenômenos históricos em aspectos  “essenciais” e “formais” somos levados a inferir que  qualquer um que privilegie o aspecto essencial de um evento histórico em face de seu aspecto formal  pode estar incorrendo numa negação da realidade em face de algo idealizado que não se concretizou. O uso de tal metodologia apresentada pelo autor em separar um fenômeno histórico em aspectos essenciais e formais pode levar então a uma deturpação do próprio sentido de verdade em história.

(5.2) Utilizando esta metodologia do autor na análise de fenômenos que remetem a um conjunto de eventos históricos já ocorridos pode-se muito bem, no curso do tempo, tomar como aspectos essenciais algumas características que já se apresentaram como aspectos formais, uma prática que contraria o caráter de objetividade e previsibilidade do que se desejava caracterizar como essencial. Esta prática – certamente de natureza anticientífica nas áreas de ciências da natureza – não é seguramente justificável nem mesmo numa área não-científica como a História pois pode constituir-se numa fraude intelectual ao permitir modificar sistematicamente o que se tenta definir como “aspecto essencial” afim de conformá-lo com a realidade revelada pelos seus “aspectos formais”.

PARTE (IV)

 Estabelecidos os conceitos de forma e essência na análise dos fenômenos históricos, partiremos para o próximo passo: demonstrar as diferenças essenciais entre o nazismo alemão e o comunismo soviético.

A essência do nazismo é o imperialismo, o Estado racial, a eugenia. O movimento foi concebido como uma forma de “purificar” a nação alemã dos elementos nefastos que a corrompiam (os judeus, os mestiços, os estrangeiros, etc.), daí o Estado racial voltado à supremacia dos brancos e guiado pela eugenia, a “ciência” da “higiene racial”. Daí também o imperialismo, pois ao ódio às outras raças complementa-se necessariamente a superioridade de um só povo, o povo alemão. Neste sentido, como aponta Losurdo, o “coração do nazismo é constituído pela ideia de Herrenvolk, que remete à teoria e à prática racista do sul dos Estados Unidos e, mais geralmente, à tradição colonial do Ocidente2. Ou seja, o nazismo está inserido na tradição das potências liberais que sustentavam, desde o século XIX, o imperialismo, o colonialismo e a supremacia branca.

Já a essência do comunismo soviético é o anti-imperialismo, anti-colonialismo, a igualdade entre todos os humanos. O movimento tinha como base a eliminação das diferenças de classe, de raça e de gênero, ou seja, o fim de todos os privilégios que teimavam – e ainda teimam – em dividir a humanidade em exploradores e explorados, oprimidos e opressores. Daí o apoio soviético às lutas independentistas dos povos coloniais. O que vemos então, é que o coração do comunismo soviético (parafraseando Losurdo) é constituído pela ideia lançada por Marx de que os proletários não têm pátria, em outras palavras, de que a nova ordem a ser criada não leva em conta fronteiras raciais e nacionais, vendo cada indivíduo como possuidor de direitos iguais, independentemente de qual povo ele pertence. Como nos mostra Losurdo, comentando sobre a Constituição soviética de 1936: “O discurso de apresentação do projeto de nova Constituição condena em bloco as três grandes discriminações que caracterizaram a história do Ocidente liberal: ‘Não é a renda, nem a origem nacional, nem o sexo’ que deve determinar a colocação política e social, mas só ‘as capacidades pessoais e o trabalho pessoal de todo o cidadão’3.

OBS.6: Surge aqui uma dúvida da consistência com que o autor delimita a essência e a forma do nazismo e comunismo. Com efeito, afirmar simplesmente (mesmo sem levar em conta a veracidade da afirmação) que o nazismo era imperialista e o comunismo era anti-imperialista já se constituem de certo modo aspectos formais, pois envolvem um fato que encontra amparo somente na análise do que foi a prática do capitalismo e do comunismo, ou seja, o autor incorre no erro exposto na observação 5.2 ao antecipar algo que só advêm com a prática.

 OBS.7:  O autor coloca como um dos aspectos essenciais do nazismo o ódio entre as raças fomentado pela afirmação de superioridade de uma raça particular, e o confronta com um aspecto essencial do comunismo que seria a igualdade entre todos os seres humanos.

 O autor tece aqui de forma deliberada e maniqueísta uma dualidade entre algo ruim no nazismo e algo bom no comunismo. Pode-se corrigir essa inferência tendenciosa com uma outra comparação que se fixa no ódio que é comum a ambas as doutrinas:

 O nazismo disseminava o ódio entre raças e o comunismo disseminava o ódio entre classes.

Neste sentido, temos um aspecto negativo tanto no nazismo quanto no comunismo.

 Há outros problemas na afirmação do autor quando ele tenta definir os aspectos essenciais do comunismo. Vejamos.

 (7.1) “.. o movimento tinha como base a eliminação das diferenças de classe, de raça e de gênero, ou seja, o fim de todos os privilégios que teimavam – e ainda teimam – em dividir a humanidade em exploradores e explorados, oprimidos e opressores.

 Mesmo se admitíssemos a eliminação das diferenças entre classes como uma ideia abstrata do comunismo (já que a prática demonstrou a sua falsidade) ela seria inconsistente pelo fato de que os comunistas se veem como legítimos interventores na História devendo acelerar a dinâmica das transformações que direcionam a sociedade para o advento do comunismo. Ora, esta posição de interventores na História põe os comunistas de forma diferenciada em relação aos outros segmentos sociais tornando-os assim detentores de privilégios que ninguém mais tem. Foi isso que a prática demonstrou nos regimes ditos comunistas . Repete-se assim a mesma divisão entre “explorados e exploradores” que os comunistas pretendiam eliminar, contudo, dado ao caráter autoritário com que os comunistas se impõem eles conseguem, de certa forma, realizar a forma mais extrema de acúmulo dos meios de produção amplificando também os males e vícios dessa prática desordenada.

 (7.2)  “… Daí o apoio soviético às lutas independentistas dos povos coloniais. O que vemos então, é que o coração do comunismo soviético (parafraseando Losurdo) é constituído pela ideia lançada por Marx de que os proletários não têm pátria, em outras palavras, de que a nova ordem a ser criada não leva em conta fronteiras raciais e nacionais, vendo cada indivíduo como possuidor de direitos iguais,  independentemente de qual povo ele pertence.

 Num primeiro momento, na sua exposição da essência do comunismo, o autor sugere a ideia de que o comunismo seria algo bom pelo qual os povos iriam naturalmente lutar. Vamos analisar a veracidade dessa inferência considerando alguns aspectos da expansão do comunismo.

 Vemos que a expansão do comunismo pelo mundo (a partir da experiência russa) se deu ora pela intervenção direta das forças soviéticas, como no caso dos países do Leste europeu e em outros países asiáticos, ora pelo apoio armado e o fomento à grupos revolucionários existentes dentro de um país. No primeiro caso, temos o comunismo imposto por uma agressão externa das forças Soviéticas. No segundo caso, a ação comunista não deixou de ser uma ingerência indevida de uma potência estrangeira (a então URSS) nos assuntos internos de outros países.

 O que esta expansão do comunismo gerou nos países onde foi imposto? Conseguiu o comunismo realizar seus objetivos de construir uma sociedade realmente livre, sem exploradores e explorados? Só para fixar ideias, olhemos a expansão soviética sobre os países do leste europeu – nações com uma cultura e organização social solidamente estabelecida – que transformou esses países em meros satélites soviéticos, não deixando de se repetir na relação entre a “mãe” Rússia e estes países a mesma exploração que os comunistas associavam ao “colonialismo”. Olhemos também o caso da Ucrânia, com suas terras propícias a agricultura que durante a fase estalinista sofreu uma grande fome pelo desvio de seus grãos para alemães que eram então aliados dos soviéticos. Este evento está sendo revisto como um dos primeiros genocídios em massa cometidos pelos comunistas e até então esquecidos pela historiografia.

 Afirmar como o autor afirma que

 “A  ideia lançada por Marx de que os proletários não têm pátria, em outras palavras, de que a nova ordem a ser criada não leva em conta fronteiras raciais e nacionais, vendo cada indivíduo como possuidor de direitos iguais, independentemente de qual povo ele pertence”

 torna qualquer aspecto cultural ou nacional de um povo um obstáculo a implantação do comunismo. Mais do que isso, tal ideia também se mostrou irrealizável. Com efeito,  localmente, a experiência dos comunistas em artificialmente passar por cima das fronteiras raciais e nacionais  das nações foi tentado nos protótipos da então Tcheco-Eslováquia, hoje constituídas novamente duas nações independentes, bem como na formação da Iugoslávia que hoje se resume a Sérvia e mais quatro outras nações.  Se fosse crível a realização desse ideal de que “proletários não tem pátria” porque os povos dessas nações artificialmente unificadas resolveram então posteriormente se separar, afirmando laços culturais diferenciados? Insistir nessa quimera de Marx , como vimos no caso da Bósnia, é insistir num genocídio étnico.

PARTE (V)

 No entanto, em relação aos aspectos formais dos dois movimentos é possível estabelecer analogias. Como já apresentado, ambos apresentam um forte universo concentracionário baseado na emergência de um poderoso partido único e de uma férrea disciplina militar, a existência de uma poderosa ideologia coletivista que arregimentava as massas, a criação de campos de concentração, entre outras coisas. Como bem sublinhou Nikolai Bukharin:

Os fascistas, mais que qualquer outro partido, apropriaram-se e passaram a pôr em prática a experiência da revolução russa. Se os considerarmos do ponto de vista formal, isto é, do ponto de vista da técnica de seus procedimentos políticos, verifica-se uma perfeita aplicação da tática bolchevique e especificamente do bolchevismo russo: no sentido de uma rápida concentração de forças e de uma ação enérgica por parte de uma organização militar unida e compacta”4

Obs. 8: O autor reconhece que

“No entanto, em relação aos aspectos formais dos dois movimentos é possível estabelecer analogias. Como já apresentado, ambos apresentam um forte universo concentracionário baseado na emergência de um poderoso partido único e de uma férrea disciplina militar, a existência de uma poderosa ideologia coletivista que arregimentava as massas, a criação de campos de concentração, entre outras coisas”,

 No entanto, é importante observar que o reconhecimento pelo autor das semelhanças entre nazismo e comunismo se dá unicamente entre alguns aspectos formais do comunismo e do nazismo, já que o mesmo autor mantem as diferenças expostas entre nazismo e comunismo nos seus aspectos essenciais, como vemos descrito pelo autor na parte (IV). 

 Faremos uma observação quanto a possível  intenção disso na conclusão de nossa análise (ver observação 10).

 PARTE (VI)

Porém, se pararmos para pensar direito esta não é uma característica originária da revolução bolchevique. Bukharin talvez tentou puxar a sardinha para seu lado, por assim dizer, tentando argumentar que os fascistas haviam surrupiado as táticas do partido russo. Mas a realidade é que Lenin adotou pura e simplesmente a prática das forças armadas nacionais desenvolvidas ao longo do século XIX. A existência de um partido único centralizador (o “Estado-Maior” da revolução), a férrea disciplina, a poderosa ideologia coletivista para arregimentar as massas (o nacionalismo militarista fundador de quase todos os Estados-Nação modernos), os campos de concentração, etc. são todas práticas das forças armadas criadas no século XIX e aprimoradas durante o século XX, o século da Guerra Total por excelência. E é neste exato ponto que a história trata de frear as ideologias – como dizia Marx, os homens, como agentes históricos, são limitados pela base material que os cercam.

O comunismo soviético foi forjado tanto na luta contra um Estado centralizador e altamente repressivo, quanto em meio a um encarniçado conflito mundial que durou cerca de trinta anos. Ou seja, os bolcheviques tiveram de criar uma nação estando no epicentro do período da Guerra Total (1914-1945), tendo de enfrentar uma conjuntura marcada por extermínios em massa, repressão e destruição em patamares jamais vistos antes. Assim, as formas que o comunismo soviético assumiu foram as formas típicas desta conjuntura, formas baseadas em organizações militares e que se manifestaram também na Alemanha, no Japão, na Itália, na China, nos EUA, na França, na Inglaterra, entre outras nações envolvidas de uma forma ou de outra nas guerras totais.

Ou seja, os bolcheviques tiveram de criar uma nação estando no epicentro do período da Guerra Total (1914-1945), tendo de enfrentar uma conjuntura marcada por extermínios em massa, repressão e destruição em patamares jamais vistos antes. Assim, as formas que o comunismo soviético assumiu foram as formas típicas desta conjuntura, formas baseadas em organizações militares e que se manifestaram também na Alemanha, no Japão, na Itália, na China, nos EUA, na França, na Inglaterra, entre outras nações envolvidas de uma forma ou de outra nas guerras totais.

Os EUA, por exemplo, construíram campos de concentração para japoneses (e antes já haviam adotados práticas semelhantes contra os “pele-vermelhas” no século XIX), viram a União centralizar os poderes nas mãos de Roosevelt que adotou fortes políticas intervencionistas como o New Deal e a economia de guerra, e viveram sob uma ideologia fortemente coletivista que visava arregimentar as massas para os conflitos mundiais – o nacionalismo, que acabou por descambar no macartismo e que até hoje tem forte apelo na sociedade norte-americana.

Assim, sob a égide dos aspectos formais que são normalmente utilizados para igualar a URSS e a Alemanha nazista, é possível também colocar os EUA e não só ele, como todos os países beligerantes ou que de alguma forma foram ameaçados pela guerra total. A conjuntura material da época influenciou a todos, havendo apenas diferenças de grau na manifestação dos aspectos formais devido, sobretudo, à geopolítica de cada lugar. Os EUA, por serem uma nação insular, não se radicalizaram tanto quanto a URSS ou a Alemanha, que eram países que se encontravam no epicentro das guerras. Não por acaso, foram as duas nações que mais sofreram perdas humanas e destruição material, com exceção, talvez, da China – que sofreu também um terrível holocausto nas mãos dos invasores japoneses.

OBS. 9:

(9.1) O autor, tomando como pano de fundo as duas Grandes Guerras, faz uma generalização descabida e sem fundamento tentando atenuar a gravidade das ações dos comunistas e remetendo tais ações as consequências de uma conjuntura por ele identificada como Guerra Total. Com isso, o autor tenta pretensamente igualar as práticas abusivas dos regimes fasci-comunistas com as práticas de outros países durante as duas Grandes Guerras. Talvez isso pudesse ser feito se os excessos tivessem se concentrado unicamente em ações de guerra propriamente dita como, por exemplo, os episódios lamentáveis de ataques deliberados contra populações civis.  Contudo, há um elemento comum nas ações de regimes fasci-comunistas que outras nações, fora dessa categoria, não realizaram e que podem ser classificados como verdadeiros genocídios planejados e realizados sistematicamente como diretriz ideológica, e que sem precedentes vitimaram milhões de seres humanos sem necessariamente incorrer numa situação de guerra convencional. É o que vemos nos três casos a seguir:

– Os nazistas eliminaram sistematicamente mais de seis milhões de judeus e outras minorias.

– Nos anos de 1932-1933 (e, portanto, no “entre-guerras”) os comunistas soviéticos causaram a morte de mais de 11 milhões de ucranianos por inanição.

-Japoneses cometeram atrocidades contra civis asiáticos, tendo sido famoso o massacre de mais de 300 mil habitantes de Nanjin.

(9.2) Outro ponto que assinala o erro da argumentação do autor é que ele, ao limitar os excessos dos comunistas ao período da Grande Guerra, omite que esses excessos se originaram com a fundação do próprio estado soviético (1917) e portanto já fora do contexto da primeira Guerra tendo sido consequência natural da cartilha revolucionária formulada por Lenin. Os Gulags soviéticos demonstram isso e serviram para eliminar indiscriminadamente qualquer cidadão visto como traidor da revolução bem como os desafetos que surgiam inexplicavelmente entre as próprias fileiras do partido comunista.  A semelhança dos comunistas, os nazistas posteriormente também tiveram seus campos de concentração, que foram usados como forma eficiente de lidar com a questão judaica, tendo transformado judeus e outras minorias em inimigos do estado por conta da ideologia nazista. Assim, beira a desonestidade intelectual ou a uma profunda ignorância do autor tecer um comentário do tipo

Assim, sob a égide dos aspectos formais que são normalmente utilizados para igualar a URSS e a Alemanha nazista, é possível também colocar os EUA e não só ele, como todos os países beligerantes ou que de alguma forma foram ameaçados pela guerra total.

 Pois não se tem evidência histórica alguma de que outras nações que utilizaram a reclusão de indivíduos por conta de nacionalidade ou raça, tenham realizado o mesmo grau de barbárie realizado pelos regimes nazista e comunista.

PARTE (VI)

Conclusão

Conclui-se que as analogias entre a Alemanha nazista e a União Soviética se pautam basicamente em aspectos formais dos fenômenos políticos, ignorando-se completamente as características essenciais destes. Sob o critério da forma, é possível enquadrar no mesmo modelo não só a Alemanha e a União Soviética, mas também potências liberais como os Estados Unidos e nações das mais diversas que, de alguma maneira, foram envolvidas pela duríssima conjuntura da Guerra Total. Assim, o século XX seria nada mais do que uma série de Estados totais (de diferentes graus, mas possuidores das mesmas características) e imorais batalhando pela supremacia global. Tal visão fundamentada exclusivamente nos aspectos formais acaba levando ao niilismo da anti-política, ao moralismo exacerbado e ao completo desconhecimento das situações concretas que levam as sociedades humanas a construir e modelar suas instituições.

OBS.10: Como vimos, é fácil entender a razão pela qual o autor do texto utiliza a metodologia de separar um evento histórico em dois aspectos, um compreendendo um aspecto essencial (visto com ideia ou uma abstração não necessariamente verificável) e outro um aspecto formal (entendido como sendo aquilo que constitui a realidade, isto é, aquilo que se concretiza).

 A razão que eu vejo para essa divisão não é outra senão a confirmação de que o autor não tem como fugir da realidade da prática do comunismo e do nazismo que tornam ambos extremamente negativos. Como não pode negar isso, o autor cria artificialmente a categoria do aspecto formal, sem antes, de forma absurda, colocar nesta categoria todos os outros sistemas: regimes fasci-comunistas e liberais. Para o autor, todos agiram da mesma forma como condicionados por algo que ele chama difusamente de Guerra Total

 Já que o autor não consegue recuperar o sentido positivo do comunismo pelo que a prática evidencia (isto é, pelo seu aspecto formal) ele tenta diferenciar comunismo e nazismo nos seus aspectos essenciais (ver parte IV). Contudo, há vários pontos mal resolvidos na argumentação do autor. Na observação 7.1, por exemplo, vemos que o aspecto essencial não serve como discriminante efetivo para coisa alguma, pois permite tomar arbitrariamente dados que só se revelaram na prática (e, portanto, constituiriam um aspecto formal) para formatar de forma fraudulenta uma argumentação. Na observação 7.2 analiso a impossibilidade do comunismo promover o fim das desigualdades, pois a própria função desempenhada pelo comunista na consolidação do comunismo o torna uma classe privilegiada entre as outras classes que ficam submetidas ao estado comunista. É por isso que de forma utópica os comunistas costumam afirmar que no fim haverá a abolição do Estado (para o que?), mas, como acreditar que os próprios privilegiados da nova “classe comunista” permitirão a perda de seus privilégios? Também mostro a refutação prática do ideal de que o proletário não tem pátria como sedo uma situação antinatural que contraria o próprio sentido de povo e nação analisando o exemplo de algumas Repúblicas da URSS artificialmente unificadas e que depois da dissolução da URSS voltaram a se separar.  Ora, como explicar isso diante do fato de que gerações inteiras dessas nações já estavam educadas e doutrinadas no comunismo senão como efeito de uma disposição natural dos povos a preservarem seus laços e tradições que lhe dão identidade?

 O argumento, levado às suas últimas conseqüências, dos discursos presos apenas à forma dos fenômenos políticos é pura e simplesmente o de que há uma “natureza humana” imutável que nos força a buscar sempre mais e mais poder, é, portanto, um determinismo agudo que solapa qualquer possibilidade de ação do sujeito histórico que, na realidade, não é sujeito, é apenas uma marionete da suprema força natural. No entanto, existe um pulo do gato interessante neste discurso – ele não é levado às suas últimas conseqüências, é lançado contra o inimigo apenas. Só o inimigo é dominado por este destino incontornável, só a ideologia comunista ou nazista é que torna o homem escravo. A ideologia liberal nos concede uma graça miraculosa que restringe nossa natureza, e que possibilita que o reino da liberdade supere o da necessidade. Mas para construir essa falácia ela não só ignora os aspectos essenciais dos fenômenos políticos comunistas e nazistas, como também suprime a própria semelhança de forma que os fenômenos liberais possuem em relação aos dois já mencionados quando confrontados com a conjuntura da Guerra Total.

 OBS. 11: Em relação a isso, há pontos incompletos na análise do autor que um defensor do liberalismo pode facilmente refutar. Com efeito,  o autor coloca (erroneamente, ver Obs. 9.2)  os aspectos formais dos sistemas liberais na mesma categoria do comunismo e nazismo, contudo, nada elabora sobre os aspectos essenciais desses sistemas liberais que poderiam ser postos como superior aos aspectos essenciais do comunismo. Uma vez que todos os sistemas se igualam nos seus vícios no que diz respeito aos aspectos formais, não seria muito difícil para um liberal construir os aspectos essenciais dos fenômenos liberais tomando por base os modelos ditos social-democratas dos países europeus.

 Conclusão: Do que foi exposto na Obs. 10 e desenvolvido em todas as observações e notas anteriores vemos que este texto ao usar uma metodologia que separa um fenômeno histórico em aspectos essenciais e formais é desprovido de uma base dedutiva objetiva que poderia dar alguma credibilidade a sua análise. De concreto, vemos um único ponto correto, a identificação do quão abominável foi a prática do comunismo e do nazismo. Sendo a prática aquilo que legitima a ideia em questão (no caso o nazismo e comunismo) e não o contrário, concluímos que nazismo e comunismo têm pontos comuns inegáveis e, por isso, ambos devem condenados.

Referências

1Ver o artigo do autor sobre a industrialização do Brasil. http://www.centrodosocialismo.com.br/2013/03/o-processo-de-industrializacao-do.html

2LOSURDO, Domenico. Para uma crítica da categoria de totalitarismo. http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/artigo100critica17-A-losurdo.pdf , p. 76.

3LOSURDO, Domenico. Stalin – História crítcia de uma lenda negra. Rio de Janeiro, Editora Revan, 2010. p. 281.

4LOSURDO, Domenico. Para uma crítica da categoria de totalitarismo. http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/artigo100critica17-A-losurdo.pdf , p. 70.

Standard
Desmistificando o Comunismo

A Farsa do Comunismo

DISCURSO COMUNISTA:  O comunismo é a única forma de se obter a justiça social.

FATO CONCRETO:  A realidade de todos os regimes ditos “comunistas”  refuta essa alegação, vide as condições miseráveis dos trabalhadores nos regimes comunistas reduzidos a uma servidão onde fi cam submetidos ao salário que o ESTADO COMUNISTA impõe.

Outros pontos para reflexão:

– Há sindicatos livres em países comunistas? Não!

– A práxis comunista resultou em mais de 100 milhões de mortos quer seja pela repressão e terror praticado pelo estado comunista, quer pela fome etc. Assim, diante deste cenário, há algo que lembre remotamente “justiça social”?

DISCURSO COMUNISTA:  O comunismo visa eliminar o sistema capitalista.

FATO CONCRETO: O comunismo pretende que o Estado seja o único detentor dos meios de produção, desta forma, o comunismo NÃO pretende ELIMINAR o capitalismo mas sim consolidar a forma mais EXTREMADA e NOCIVA de CAPITALISMO onde TODOS os meios de produção passam a ser domínio dos dirigentes do PARTIDO COMUNISTA.

– Assim, o comunismo prega um FALSO igualitarismo, pois enquanto no regime comunista a maioria dos trabalhadores  são submetidos a uma condição miserável e de opressão, há uma casta de membros do partido comunista que desfrutam de privilégios e benesses.

– O igualitarimo comunista condena os trabalhadores a racionamento de comida, carência debens materiais básicos que estão impossibilitados de adquirir devido a estagnação econômica, interferência indevida do ESTADO comunista na educação das crian-ças e jovens, criando obstáculos ou suprimindo totalmente a liberdade religiosa, a negação da crítica e o cerceamento de direitos políticos fundamentais.

CONCLUSÃO: Diante deste cenário concluímos que o comunismo é uma forma extrema de capitalismo onde toda a riqueza é controlada pelo Partido Comunista. Como toda forma de capitalismo gera desigualdades sociais, vemos que o comunismo, sendo uma forma extrema de capitalismo, ampli fica essas desigualdades. Assim, longe de promover a igualdade e justiça social, o comunismo consegue tão somente levar nações inteiras a fragmentação e a miséria, submetidas a uma ideologia internacionalista, irracional, violenta e contrária aos interesses nacionais.

Para mais textos e discussões acessar:

http://integralismo.blogspot.com.br/

http://www.integralismo.org.br/

Para participar de discussões e outros estudos contactar:

marcelocarv12@gmail.com (Marcelo Carvalho)

Standard